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domingo, 20 de dezembro de 2009

Domingo da Sagrada Família: JESUS, MARIA E JOSÉ - 27.12.2009

Vivenciamos, hoje, o domingo da Sagrada Família e, por isso, somos convidados a celebrar a Páscoa de Jesus, a qual se realiza em todas as famílias que aceitam o projeto de Deus na Família de Nazaré, e que encarnam os valores propostos por Jesus, Maria e José: primeira igreja doméstica, exemplo de valores humanos e cristãos.

27/12/2009 Sagrada Família de Jesus, Maria e José
Cor Litúrgica: Branca
1ª Leitura: Eclosiastes 3, 3-7. 14-17
Salmo: 127 (128)
2ª Leitura: Colossenses 3, 12-21
Evangelho: 2, 41-52

Todos os anos os pais de Jesus iam a Jerusalém para a Festa da Páscoa. Quando Jesus tinha doze anos, eles foram à Festa, conforme o seu costume. Depois que a Festa acabou, eles começaram a viagem de volta para casa. Mas Jesus tinha ficado em Jerusalém, e os seus pais não sabiam disso. Eles pensavam que ele estivesse no grupo de pessoas que vinha voltando e por isso viajaram o dia todo. Então começaram a procurá-lo entre os parentes e amigos. Como não o encontraram, voltaram a Jerusalém para procurá-lo. Três dias depois encontraram o menino num dos pátios do Templo, sentado no meio dos mestres da Lei, ouvindo-os e fazendo perguntas a eles. Todos os que o ouviam estavam muito admirados com a sua inteligência e com as respostas que dava. Quando os pais viram o menino, também ficaram admirados. E a sua mãe lhe disse:
Meu filho, por que foi que você fez isso conosco? O seu pai e eu estávamos muito aflitos procurando você.
Jesus respondeu:
Por que vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devia estar na casa do meu Pai?
Mas eles não entenderam o que ele disse.
Então Jesus voltou com os seus pais para Nazaré e continuava a ser obediente a eles. E a sua mãe guardava tudo isso no coração.
Conforme crescia, Jesus ia crescendo também em sabedoria, e tanto Deus como as pessoas gostavam cada vez mais dele.

Comentário do Evangelho: Jesus no Templo

O espaço familiar, iluminado pela fé, torna-se ambiente propício para se viver os valores do Reino.

Lucas, em seu Evangelho e em Atos, destaca Jerusalém como centro de irradiação do cristianismo. Assim, seu Evangelho, desde o início, com as narrativas de infância, realça Jerusalém (Zacarias no templo, apresentação no templo, Jesus entre os doutores) e encerra-se em Jerusalém. Sua intenção teológica é apresentar o cristianismo como um novo Israel, que se irradia a partir da velha Jerusalém.

Os demais evangelistas apresentam a Galiléia, e não Jerusalém, como centro de retomada da missão, depois da ressurreição. Este episódio da ida da família de Jesus a Jerusalém assemelha-se à ida de Ana, com seu filho Samuel, à casa do Senhor, em Silo (primeira leitura).

A cena do menino Jesus entre os doutores no templo envolve temas que serão aprofundados ao longo do Evangelho. Ao afirmar "eu devo estar na casa ("naquilo") que é de meu pai", Jesus revela-se como Filho de Deus.

Inicia seu ensinamento no templo, voltando depois para denunciá-lo por ter-se transformado em covil de ladrões. Priorizando o que é do Pai, mesmo obediente a seus pais, Jesus indica que a família, sendo todos fi lhos de Deus (segunda leitura), deve ser estabelecida em torno do cumprimento da vontade do Pai.

A Sagrada Família questiona e convida à conversão aquelas famílias estabelecidas sob a continuidade do vínculo sanguíneo de raça eleita, bem como as famílias tradicionais, conservadoras em torno de suas propriedades e riquezas.

Oração

Espírito que orienta nossa vida para Deus, ajuda-me a crescer, cada dia, em sabedoria e graça, buscando, como Jesus, adequar minha vida ao querer do Pai.


Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

NATAL DE JESUS - Missa do Dia - 25.12.2009

Deus mantém sua Palavra com seu povo escolhido, pois cumpriu-se a promessa: um menino nasceu para nós; O Emanuel – Deus-conosco – é o princípio da paz e a luz que brilha em meio às trevas. Percebe-se que, na fragilidade da criança, Deus se torna presente entre nós. O Divino que se torna humano para tornar o humano Divino.

25/12/2009 NATAL DE JESUS (Missa do Dia)
Cor Litúrgica: Branca
1ª Leitura: Isaías 52, 7-10
Salmo: 97(98)
2ª Leitura: Hebreus 1, 1-6
Evangelho: João 1, 1-18 ou 1-5. 8-14

EVANGELHO:

Naquele tempo o imperador Augusto mandou uma ordem para todos os povos do Império. Todas as pessoas deviam se registrar a fim de ser feita uma contagem da população. Quando foi feito esse primeiro recenseamento, Cirênio era governador da Síria. Então todos foram se registrar, cada um na sua própria cidade.

Por isso José foi de Nazaré, na Galiléia, para a região da Judéia, a uma cidade chamada Belém, onde tinha nascido o rei Davi. José foi registrar-se lá porque era descendente de Davi. Levou consigo Maria, com quem tinha casamento contratado. Ela estava grávida, e aconteceu que, enquanto se achavam em Belém, chegou o tempo de a criança nascer. Então Maria deu à luz o seu primeiro filho. Enrolou o menino em panos e o deitou numa manjedoura, pois não havia lugar para eles na pensão.

Naquela região havia pastores que estavam passando a noite nos campos, tomando conta dos rebanhos de ovelhas. Então um anjo do Senhor apareceu, e a luz gloriosa do Senhor brilhou por cima dos pastores. Eles ficaram com muito medo, mas o anjo disse:

- Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês - o Messias, o Senhor! Esta será a prova: vocês encontrarão uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura.

No mesmo instante apareceu junto com o anjo uma multidão de outros anjos, como se fosse um exército celestial. Eles cantavam hinos de louvor a Deus, dizendo:

- Glória a Deus nas maiores alturas do céu!
E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem!

Comentário do Evangelho: O nascimento de Jesus

Maria, dá à luz o Filho de Deus e revela a realidade histórica da comunhão de Deus com nossa humanidade.

Por Maria, que concebe e dá à luz o Filho de Deus, todo amoroso e eterno, revela-se a realidade histórica da comunhão de Deus com nossa humanidade.

O Prefácio III da missa do Natal proclama: "Por ele (Jesus) realizou-se neste dia o maravilhoso encontro que nos faz renascer, pois, enquanto o vosso Filho assume a nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade; torna-se de tal modo um de nós, que nos tornamos eternos".

Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, nasce em uma manjedoura, assumindo a condição dos empobrecidos. Com o anúncio prioritário de seu nascimento aos pastores que, à noite, tomavam conta do rebanho de seu patrão, o evangelista Lucas destaca que Deus escolhe os pequeninos para neles manifestar sua presença.

Oração

Pai, dá-me um coração de pobre que me permita contemplar o nascimento de teu Filho Jesus, que viveu pobre para ser solidário com os pobres.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

NATAL DE JESUS - Missa da Noite - 24.12.2009

Irmãos e irmãs. Alegremo-nos e exultemos de alegria, pois acaba de nascer para nós o Salvador do mundo. Do céu chega até nos a verdadeira paz que vem de Deus, na singela figura do menino que repousa na manjedoura de nossos corações. Naquele presépio divino contemplamos a revelação de Deus na história da humanidade. Venha! Unamo-nos à coorte celeste e cantemos: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. FELIZ NATAL

24/12/2009 NATAL DE JESUS (Missa da Noite)
Cor Litúrgica: Branca
1ª Leitura: Isaías 9, 1-6
Salmo: 95(96)
2ª Leitura: Tito 2, 11-14
Evangelho: Lc 1,67-79

EVANGELHO:

Zacarias, o pai de João, cheio do Espírito Santo, começou a profetizar. Ele disse:

- Louvemos o Senhor, o Deus de Israel, pois ele veio ajudar o seu povo e lhe dar a liberdade.
Enviou para nós um poderoso Salvador, aquele que é descendente do seu servo Davi.

Faz muito tempo que Deus disse isso por meio dos seus santos profetas.

Ele prometeu nos salvar dos nossos inimigos e nos livrar do poder de todos os que nos odeiam.
Disse que ia mostrar a sua bondade aos nossos antepassados e lembrar da sua santa aliança.

Ele fez um juramento ao nosso antepassado Abraão; prometeu que nos livraria dos nossos inimigos
e que ia nos deixar servi-lo sem medo, para que sejamos somente dele e façamos o que ele quer em todos os dias da nossa vida.

E você, menino, será chamado de profeta do Deus Altíssimo e irá adiante do Senhor a fim de preparar o caminho para ele.

Você anunciará ao povo de Deus a salvação que virá por meio do perdão dos pecados deles.
Pois o nosso Deus é misericordioso e bondoso.
Ele fará brilhar sobre nós a sua luz e do céu iluminará todos os que vivem na escuridão da sombra da morte, para guiar os nossos passos no caminho da paz.

Comentário do Evangelho: A profecia de Zacarias

João Batista, abre caminho para um Deus universalista

No Primeiro Testamento, prevalece o caráter nacionalista na concepção do Deus de Israel, que elege um povo, o qual se confronta com os demais povos como sendo "inimigos".

E no interior deste próprio povo eleito prevalece a discriminação do "pecado", caracterizado a partir das inobservâncias da Lei controlada pelos chefes religiosos de Israel.

João Batista, rompendo com a tradição sacerdotal paterna e com o templo de Jerusalém, abre caminho para um Deus universalista.

Com Jesus dar-se-á a revelação do Deus amoroso e misericordioso que remove os critérios de exclusão e condenação pela Lei e elimina a prevenção contra o "inimigo", proclamando a reconciliação.

Oração

Pai, coloca-me, como João Batista, a serviço de teu Messias, Jesus Cristo, tornando-me teu profeta, anunciador da libertação a ser realizada em favor da humanidade.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

domingo, 6 de dezembro de 2009

4º Domingo do Advento - 20 de dezembro de 2009


Neste IV Domingo do Advento nos deparamos com a disponibilidade daquela que, graciosamente, respondeu “sim” a Deus. Nesse sentido, graças ao “sim” de Maria, nos reunimos para celebrar esta eucaristia, na qual buscamos fazer memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Busquemos nesta liturgia acompanhar os passos daquela que se tornou bendita entre as mulheres e que, hoje, se dirige solidária e que, a passos largos, visita Isabel para prestar-lhe seus serviços.

20/12/2009 4º Domingo do Advento
Cor Litúrgica: Roxa
1ª Leitura: Miquéias 5, 1- 4
Salmo: 79(80)
2ª Leitura: Hebreus 10, 5-10
Evangelho: Lc 1,39-45

EVANGELHO:

Alguns dias depois, Maria se aprontou e foi depressa para uma cidade que ficava na região montanhosa da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se mexeu na barriga dela. Então, cheia do poder do Espírito Santo, Isabel disse bem alto:

Você é a mais abençoada de todas as mulheres, e a criança que você vai ter é abençoada também! Quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha me visitar?! Quando ouvi você me cumprimentar, a criança ficou alegre e se mexeu dentro da minha barriga. Você é abençoada, pois acredita que vai acontecer o que o Senhor lhe disse.

Comentário do Evangelho: Maria visita Isabel

Feliz aquela que acreditou pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido.

O batismo de Jesus feito por João, bem testemunhado pelos quatro evangelistas, revela a íntima ligação entre a proclamação de João e, em continuidade, a proclamação de Jesus com a revelação da Boa-Nova da comunhão de vida com Deus.

Esta ligação é realçada por Lucas, no início de seu Evangelho. Isto é feito com as narrativas dos anúncios a Zacarias e a Maria, respectivamente, com a apresentação dos dois nascimentos, de João e de Jesus, em paralelo, e com esta narrativa davisitação de Maria a Isabel. Estas narrativas visam afirmar a supremacia de Jesus em relação a João Batista desde seus nascimentos. Maria, ao receber o anúncio de que conceberia a Jesus, teve como sinal dado pelo anjo Gabriel a concepção que, também, acontecia a sua prima Isabel, já no sexto mês.

Ela parte então para visitar e servir Isabel já nos últimos meses de gravidez. Lucas apresenta Maria, com seu fi lho no ventre, seguindo o percurso da gentílica e periférica Galiléia à Judéia, na casa de Zacarias, sacerdote do templo de Jerusalém, em um encontro do desabrochar da vida.

Mais tarde, Jesus fará este percurso, em direção a Jerusalém, para o momento da consumação fi nal de seu ministério e de sua vida. Da mesma forma como o anjo entrou na casa de Maria e a saudou, comunicando-lhe o Espírito Santo, Maria, agora, entra e saúda Isabel.

Esta, ouvindo a saudação de Maria, fica cheia do Espírito Santo. Isabel passa então a profetizar. Confi rma que Maria é mãe do seu Senhor, cuja presença comunica alegria ao menino em seu ventre.

E Maria, em sua maternidade, é bem-aventurada por ter acreditado em tudo o que foi dito da parte do Senhor, e que será realizado. Ao consentimento de Maria, "faça-se em mim segundo a tua palavra", seguir-se-á, depois, o "eis que eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade", de Jesus (segunda leitura). Jesus o realizará pelo convívio amoroso e misericordioso que comunica a santidade e a vida divina a todos.

A antiga religião baseada em vítimas e oferendas, holocaustos e sacrifícios pelo pecado não foi do agrado de Deus. O Evangelho de Lucas, acompanhando o de Mateus, narrará o nascimento do menino Jesus em Belém de Judá, como sendo o cumprimento da profecia de Miquéias. Por aquela que aceita dar à luz, nascerá aquele que traz a paz.

Oração

Pai, a exemplo de Isabel, anseio conhecer a verdadeira identidade de Maria que, na sua humildade, tornou-se o ser humano abençoado por excelência.
Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
fonte:
http://www.teologiafeevida.com.br/

3º Domingo do Advento - 13 de dezembro de 2009

Hoje, a alegria deve invadir nossos corações, pois o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo se aproxima. Não devemos permitir que essa alegria seja ofuscada pelo capitalismo exacerbado e, muito menos, pelos interesses egoístas. Vamos abrir nossos corações para a Palavra de Deus que nos é dirigida neste III Domingo do Advento, pois temos muito a aprender com a mensagem de João Batista.

13/12/2009 3º Domingo do Advento
Cor Litúrgica: Rósea - Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete
1ª Leitura: Sofonias 3, 14-18
Salmo: Is 12
2ª Leitura: Filipenses 4, 4-7
Evangelho: Lc 3,10-18

EVANGELHO:

Então o povo perguntava:
- O que devemos fazer?
Ele respondia:
- Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma, e quem tiver comida reparta com quem não tem.
Alguns cobradores de impostos também chegaram para serem batizados e perguntaram a João:
- Mestre, o que devemos fazer?
- Não cobrem mais do que a lei manda! - respondeu João.
Alguns soldados também perguntavam:
- E nós, o que devemos fazer?
E João respondia:
- Não tomem dinheiro de ninguém, nem pela força nem por meio de acusações falsas. E se contentem com o salário que recebem.

As esperanças do povo começaram a aumentar, e eles pensavam que talvez João fosse o Messias. Mas João disse a todos:

Eu batizo vocês com água, mas está chegando alguém que é mais importante do que eu, e não mereço a honra de desamarrar as correias das sandálias dele. Ele os batizará com o Espírito Santo e come fogo. Com a pá que tem na mão, ele vai separar o trigo da palha. Guardará o trigo no seu depósito, mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga.

João anunciava de muitas maneiras diferentes a boa notícia ao povo e apelava a eles para que mudassem de vida.

Comentário do Evangelho: A mensagem de João Batista

Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu.

João Batista tem um destaque especial nas narrativas dos Evangelhos. Ele é situado no início do ministério de Jesus, e é a partir do encontro com João, recebendo seu batismo, que Jesus muda seu modo de viver: deixa sua família e transforma-se em um pregador itinerante. João, com o rito simbólico de seu batismo, conclamava o povo à conversão (metanóia), ou seja, uma mudança de vida, mudança de comportamento e de valores.

Esse batismo significava um compromisso com a prática da justiça, através da qual o pecado é superado. Procurado pelas multidões, João lhes apresenta o essencial da nova prática a ser assumida a partir do compromisso do batismo: "Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo".

É o apelo à partilha e à solidariedade com os mais fracos e pobres. Este anúncio corresponde bem a uma das perspectivas dominantes de Lucas, que é a atenção à pobreza, procurando remover as relações pessoais e estruturais de exploração dos pobres.

Diante de outros questionamentos particulares (publicanos, soldados), João conclamava para a renúncia à corrupção e à violência.

Jesus assume o batismo e o anúncio de João à conversão. Porém, como portador do Espírito, revela que esta prática da justiça, da partilha e da fraternidade é o caminho para a comunhão de vida com o Pai, com Deus. O povo estava na expectativa de um líder poderoso libertador, o "ungido" (messias, do hebraico; cristo, do grego).

João Batista dava a entender que seu batismo tinha um sentido novo que não correspondia a esta expectativa popular. A consistente pregação dele resultou na formação de um amplo discipulado.

Vários destes discípulos, contudo, ficaram distantes do movimento de Jesus que se seguiu. A fim de atraí-los, os evangelistas, ao redigirem seus Evangelhos, insistem em afirmar a subalternidade de João a Jesus.

Neste tempo do Advento, ao renovarmos a consciência da presença de Jesus entre nós, Filho de Deus encarnado e eterno, enchemo-nos de alegria. "O Senhor está a teu lado... apaixonado de amor por ti". "Alegrai-vos sempre no Senhor".

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

2º Domingo do Advento - 06 de dezembro de 2009



Neste segundo Domingo do Advento, Deus nos convida, por meio do testemunho de João Batista, a preparar os caminhos da penitência e da conversão. Busquemos aplainar as montanhas do egoísmo que nos afasta de nossos irmão e de nosso Deus. Venha! Vamos celebrar a eucaristia e fazer memória da misericórdia de Deus para conosco. Ele que é Pai e Mãe de todos nós, bondoso e amoroso, e que nos salva em Jesus Cristo. Venha! Levantemo-nos, pois a salvação está próxima.

06/12/2009 2º Domingo do Advento
Cor Litúrgica: Roxa
1ª Leitura: Baruc 5, 1-9
Salmo: 125(126)
2ª Leitura: Filipenses 1, 4-6.8-11
Evangelho: Lucas 3, 1-6

EVANGELHO:

Fazia quinze anos que Tibério era o Imperador romano. Nesse tempo Pôncio Pilatos era o governador da Judéia, Herodes governava a Galiléia, o seu irmão Filipe governava a região da Ituréia e Traconites, e Lisânias era o governador de Abilene. E Anás e Caifás eram os Grandes Sacerdotes.

Foi nesse tempo que a mensagem de Deus foi dada, no deserto, a João, filho de Zacarias. E João atravessou toda a região do rio Jordão, anunciando esta mensagem:

- Arrependam-se dos seus pecados e sejam batizados, que Deus perdoará vocês.
Isso aconteceu como o profeta Isaías tinha escrito no seu livro:

"Alguém está gritando no deserto:
Preparem o caminho para o Senhor passar!
Abram estradas retas para ele!
Todos os vales serão aterrados,
e todos os morros e montes
serão aplanados.

Os caminhos tortos serão endireitados,
e as estradas esburacadas
serão consertadas.

E todos verão a salvação que Deus dá."

Comentário do Evangelho: A mensagem de João Batista

João percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados.

Lucas inicia seu Evangelho expondo sua pretensão de escrever seu texto a partir de uma "acurada investigação" e "de modo ordenado", sobre os eventos relacionados a Jesus.

Dentro destes critérios preestabelecidos, após as narrativas de infância de João Batista e de Jesus, ele procura situar historicamente o início do ministério de João, referindo-se a algumas datas dos governantes de seu tempo, tanto no poder civil como no religioso.

A intenção dele é estabelecer um marco histórico para os acontecimentos envolvendo Jesus e as primeiras comunidades, inserindo-os na própria história. João prega nas regiões de periferia ("deserto"), nas proximidades do rio Jordão.

Antigamente o povo libertara-se da escravidão no Egito, atravessando o deserto em busca da "terra prometida". Agora, João lidera a libertação em relação ao poder religioso do templo e do sacerdócio de Jerusalém, voltando ao deserto, invertendo e preparando "o caminho do Senhor" para uma nova terra.

Aquela que era considerada a terra prometida, Israel, com sua teocracia, na realidade tornou-se uma terra de opressão para o povo. João Batista é como "aquele que começou uma boa obra", a qual encontra sua plenitude em Jesus de Nazaré.

A nova terra, o mundo novo possível, é marcada pela ternura de Jesus, pelos laços do amor. Com lucidez, busca-se discernir e libertar-se das falsas ideologias emanadas do poder econômico, muitas vezes associado ao poder religioso.

Com esperança, procura-se um mundo melhor, tecendo-se a rede de relações sociais comunitárias em vista de implantar a justiça e estabelecer a paz.

Oração
Espírito que converte, toca o coração de todas as pessoas para que, abandonando seus erros e vícios, voltem-se para Jesus, por uma sincera conversão.



Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
fonte: http://www.teologiafeevida.com.br/

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

1º Domingo do Advento - 29 de novembro de 2009


Um novo tempo se aproxima: novo Ano Litúrgico.O mês de novembro intercala a expectativa de um novo ano. A liturgia de seus quatro domingos (01, 08,15 e 22) nos prepara para a chegada de um novo tempo, o qual se fará inaugurar em seu quinto domingo (29) – o 1º do Advento – Sim. O Advento que nos conduzirá até ao Menino-Deus: o Deus que se faz menino encarnado no Emanuel – o Deus-Conosco, esperado com ansiedade pelos homens do Antigo Testamento e anunciado pelo Arcanjo Gabriel como primícia de um novo tempo. Tempo que viria inaugurar um novo capítulo da história da humanidade. Tempo que esse Deus-Conosco se despojará de si mesmo, de todo seu poder e glória e que se humilhará ao assumir a forma humana para fazer do homem um “Ser-divino”.Esse Divino-Ser que nos faz Ser-Divino revela-se para nós, como poderemos perceber através do apoio pedagógico do evangelista Lucas, cujas narrativas nos ensinará que Deus não é só Pai, mas Pai e Mãe de todos nós. Suas assertivas irão destacar a figura materna desse Deus maravilhoso, pois em seus escritos poderemos descobrir a excelência da figura feminina também revelada no Emanuel, o Deus-Conosco. Tudo isso bem explicado, conforme a introdução publicada em seu evangelho ao escrever em seu prólogo, cujo destinatário é Teófilo, as seguintes palavras: “... Desse modo, você poderá verificar a solidez dos ensinamentos que recebestes”. E esse novo tempo que começa com o Advento admoesta-nos para essa “solidez dos ensinamentos”.Ah. O Advento! O ponto de partida e de chegada do Ano Litúrgico. É o tempo de expectativa diante do Cristo que irá nascer. A espiritualidade está focalizada na Esperança e Purificação da Vida. O ensinamento da Igreja Católica está direcionado para o anúncio da vinda do Messias e lembra a espera da humanidade, escrava do pecado, pelo libertador. Por isso é tempo de penitência e conversão. A cor predominante é a Roxa, mas recomenda-se a rosa no III domingo do advento. A cor rosada no altar, na mesa da palavra e nas vestes litúrgicas lembra-nos uma espera alegre, enche nossos corações de esperança e nos ajuda a distinguir do tempo quaresmal, marcado pelo roxo de penitência. São as quatro semanas que antecedem o Natal até o dia 24 de dezembro, à tarde, a Vigília do Natal. Vinde! Preparemo-nos para esse

Ao longo desta nova caminhada estaremos sendo motivados pelo evangelista Lucas. Devemos nos ingressar neste novo tempo nos preparando para o Natal, quando celebramos a encarnação de Deus na pessoa de Jesus. E o primeiro apelo forte nesta caminhada é para a vigilância.

Domingo 29/11/2009: 1º Domingo do Advento
Cor Litúrgica: Roxo
1ª Leitura: Jeremias 33,14-16
Salmo: 24(25)
2ª Leitura: 1 Ts 3, 12-4,2
Evangelho: Lucas 21, 25-28.34-36

Evangelho.
Tema: Estais vigilantes

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com o pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. Então eles verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando essas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo o momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem.

Comentário do Evangelho

A oração contínua é a oração do coração e do compromisso, que completa a vida em comunhão fraterna.

Esta exortação à vigilância encerra o discurso escatológico, iniciado com a fala de Jesus sobre a ruína do templo. Os discípulos, comprometidos com a libertação dos oprimidos e a restauração da dignidade humana, devem estar atentos para não se deixarem seduzir pelas propagandas e pelos projetos de sucesso oferecidos pelo sistema sob controle dos poderosos, que escravizam o povo.

Estes poderosos forjam armadilhas para manter o povo iludido, esperançoso e dependente, usado como instrumento de lucro do sistema. Corre-se atrás do dinheiro e das benesses dos poderosos, curvando-se aos seus interesses e desumanizando-se. Cai-se, assim, na embriaguez da riqueza, com a preocupação em conquistá-la e, caso a consiga, em preservá-la.

A oração contínua é a oração do coração e do compromisso, que completa a vida em comunhão fraterna. É uma forma de comunhão com Jesus e com o Pai, no Espírito, que nos ensina a orar.

Pela oração temos consciência da presença de Deus entre nós, reconhecendo a própria humanidade de Jesus, que nos fortalece. Os falsos valores vão sendo derrubados, mas os discípulos,
perseverantes na construção do novo mundo no qual a prioridade seja a promoção da vida, permanecem de pé diante de Jesus, o Filho do Homem.

Oração
Pai, ajuda-me a estar em permanente vigilância e oração, preparando-me para o encontro com teu Filho Jesus e ser acolhido por ele.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
fonte: http://www.teologiafeevida.com.br/

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Adoração Eucarística: Exposição e bênção

Sendo o pão uma comida que nos serve de alimento e conserva sendo guardada, Jesus Cristo quis ficar na terra sob as espécies de pão, não para servir de alimento às almas que o recebem na sagrada Comunhão, mas também para ser conservado no sacrário e tornar-se presente no meio de nós, manifestando-nos por este eficacíssimo meio o amor que tem por nós.

Em toda forma de culto a este Sacramento é preciso levar em conta que sua intenção deve ser uma maior vivência da celebração eucarística. As visitas ao Santíssimo, as exposições e bênçãos devem ser um momento para aprofundar na graça da comunhão, reisar nosso compromiso com a vida cristã; a verificação de cada um frente a Palavra do Evangelho, juntar-se ao silencioso mistério do Deus calado... Esta dimensão individual do tranqüilo silêncio da oração, estando diante dele no amor, deve impulsionar a contrastar a verdade da oração, no encontro dos irmãos, aprendendo a estar com eles na comunicação fraternal.

A exposição

A exposição e bênção com o Santíssimo Sacramento é um ato comunitário no qual deve estar presente a celebração da Palavra de Deus e o silêncio contemplativo. A exposição eucarística ajuda a reconhecer nela a maravilhosa presença de Cristo ou convida à união mais íntima com ele, que adquire seu cume na comunhão Sacramental.

Tendo-se reunido o povo, e, se oportuno, tendo iniciado algum cântico, o ministro se aproxima do altar. Se o Sacramento não está reservado no altar da exposição, o ministro, com o pano de ombros o traz do lugar da reserva, acompanhado por acólitos ou por fiéis com veas acesas.

O copão ou a custódia deve ser colado sobre o altar coberto com manto; mas se a exposição se prolongar durante algum tempo e se for feita com a custódia, pode ser usado o manifestador, colocado em um lugar mais alto, mas tendo cuidado de que não fique muito alto nem distante. Se a exposição é feita com a custódia, o ministro incensa o Santíssimo, logo se retira, se a adoração vai se prolongar por algum tempo.

Se a exposição é solene e prolongada, a hóstia deve ser consagrada para a exposição, na Missa que antes for celebrada, e será colocada sobre o altar, na custódia, depois da comunhão. A Missa concluirá com a oração depoisa da comunhão, omitindo os ritos de conclusão. Antes de retirar-se do altar, o sacerdote, se achar oportuno, colocará a custódia e fará a incensação.

A adoração

Durante o tempo da exposição, será feitas orações, cantos e leituras, de tal sorte que os fiéis, recolhidos em oração, se dediquem exclusivamente a Cristo Senhor.

Para alimentar uma profunda oração, devem ser aproveitadas as leituras da sagrada Escritura, com a homilia, ou breves exortações, que promovam um maior apreço do mistério eucarístico. É também conveniente que o fiéis respondam à palavra de Deus, cantando. Também é necessário guardar piedoso silêncio nos momentos oportunos.

Perante o Santíssimo Sacramento exposto por longo tempo, pode também se celebrar alguma parte, especialmente as horas mais importantes da Liturgia das Horas; por meio desta recitação se prolonga às diversas horas do dia o louvro e a ação de graças tributadas a Deus na celebração da Missa, e as súplicas da Igreja se dirigem a Cristo e por Cristo ao Pai, em nome de todo o mundo,

Oração

Ó Hóstia Salutar
Que abres a porta do céu,
Contra guerras inimigas
Dais fortaleza e auxílio.
Ao Senhor uno e trino
Glória perpétua.
A vida sem fim
Nos dê Ele na pátria.
Amém.

A bênção

No final da adoração, o sacerdote ou o diácono se aproxima do altar; faz genuflexão, se ajoelha e inicia este hino ou outro canto eucarístico:

Canta, ó língua minha,
o mistério do Corpo glorioso
e do Sangue precioso,
que o Rei dos povos,
filho da mais nobre das mães,
derramou em resgate do mundo.

Nos foi dada, nos nasceu
de uma Virgem sem mancha;
e depois de passar sua vida no mundo,
uma vez espalhada a semente
de sua palavra,
terminou o tempo de seu desterro
dando uma admirável disposição.

Na noite da ultima ceia,
sentado à mesa com os irmãos,
depois de observar
plenamente a lei
sobre a comida,
se dá com suas próprias mãos
como alimento para os Doze.

O Verbo feito carne
transforma com sua palavra
o pão verdadeiro em sua carne,
e o vinho puro se converte
no sangue de Cristo.

E ainda que falhe os sentidos,
basta apenas a fé
para confirmar ao coração
reto nessa verdade.

Na presença pois de um Sacramento tão grandes
prostremo-nos por terra e adoremos
Que os velhos símbolos
dêem lugar ao novo rito;
e que a fé iliumine e complete o que falta nos sentidos para o entender.

Ao Pai e ao Filho
sejam dados louvor e júbilo,
saúde, honra, poder
e bênção;
uma glória igual seja dada
ao que de um e de outro
procede. Amém

Enquanto isso, ajoelhado, o ministro incensa o Santíssimo Sacramento, se a exposição for feita com a custódia.

V. Do céus lhes deste o Pão. (T.P. Aleluia).
R. Que contém em si todo o sabor. (T.P. Aleluia).

Em seguida coloca-se de pe é diz:

Oremos

Ó Deus, que neste admirável sacramento nos deixaste o memorial de tua Paixão, te pedimos nos concedas venerar de tal modo os sagrados mistérios de teu Corpo e teu Sangue, que experimentemos constantemente o fruto de tua redenção. Tu que vives e reinas pelos séculos dos séculos.

R. Amém

Saiba o que deve e o que não deve ser feito na celebração da Missa


VATICANO, 23 Abr. 04 (ACI).- A instrução Redemptionis Sacramentum, descreve detalhadamente como se deve celebrar a Eucaristia e o que pode ser considerado "abuso grave" durante a cerimônia. Aqui lhes oferecemos um resumo das normas que o documento recorda a toda a Igreja.

No Capítulo I sobre a "ordenação da Sagrada Liturgia" afirma que:

Compete à Sé Apostólica ordenar a sagrada Liturgia da Igreja universal, editar os livros litúrgicos, revisar suas traduções a línguas vernáculas e vigiar para que as normas litúrgicas sejam fielmente cumpridas.
Os fiéis têm direito a que a autoridade eclesiástica regule a sagrada Liturgia de forma plena e eficaz, para que nunca seja considerada a liturgia como propriedade privada de alguém.
O Bispo diocesano é o moderador, promotor e custódio de toda a vida litúrgica. A ele corresponde dar normas obrigatórias para todos sobre matéria litúrgica, regular, dirigir, estimular e algumas vezes também repreender.
Compete ao Bispo diocesano o direito e o dever de visitar e vigiar a liturgia nas igrejas e oratórios situados em seu território, também aqueles que sejam fundados ou dirigidos pelos citados institutos religiosos, se os fiéis recorrem a eles de forma habitual.
Todas as normas referentes à liturgia, que a Conferência de Bispos determine para seu território, conforme as normas do direito, devem se submeter a recognitio da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, sem a qual, carecem de valor legal.
No Capítulo II sobre a "participação dos fiéis leigos na celebração da Eucaristia", estabelece que:

A participação dos fiéis leigos na celebração da Eucaristia, e nos outros ritos da Igreja, não pode ser equivalente a uma mera presença, mais ou menos passiva, mas deve ser valorizada como um verdadeiro exercício da fé e da dignidade batismal.
A força da ação litúrgica não está na mudança freqüente dos ritos, mas, verdadeiramente, em aprofundar na palavra de Deus e no mistério que se celebra.
Entretanto, não se diz necessariamente que todos devam realizar outras coisas, em sentido material, além dos gestos e posturas corporais, como se cada um tivesse que assumir, necessariamente, uma tarefa litúrgica específica; embora convenha que se distribuam e realizem entre várias pessoas as tarefas ou diversas partes de uma mesma tarefa.
Alenta a participação de leitores e acólitos que estejam devidamente preparados e sejam recomendáveis por sua vida cristã, fé, costumes e fidelidade ao Magistério da Igreja.
Recomenda a presença de crianças ou jovens coroinhas que realizem algum serviço junto ao altar, como acólitos, e recebam uma catequese conveniente, adaptada a sua capacidade, sobre esta tarefa. A esta classe de serviço ao altar podem ser admitidas meninas ou mulheres, segundo o parecer do Bispo diocesano e observando as normas estabelecidas.
No Capítulo 3, sobre a "celebração correta da Santa Missa" especifica sobre:

A matéria da Santíssima Eucaristia

O pão a ser consagrado deve ser ázimo, apenas de trigo e feito recentemente. Não podem ser usadas cereais, substâncias diferentes do trigo. É um abuso grave introduzir em sua fabricação frutas, açúcar ou mel.
As hóstias devem ser preparadas por pessoas honestas, especialistas na elaboração e que disponham dos instrumentos adequados.
As frações do pão eucarístico devem ser repartidas entre os fiéis, mas quando o número deste excede as frações deve-se usar hóstia pequenas.
O vinho do Sacrifício deve ser natural, do fruto da videira, puro e sem corromper, sem mistura de sustâncias estanhas. Na celebração deve ser misturado com um pouco de água. Não deve ser admitida, sob nenhum pretexto, outra bebida de qualquer gênero.
A Oração Eucarística

Só podem ser utilizadas as Orações Eucarísticas do Missal Romano ou as aprovadas pela Sé Apostólica. Os sacerdotes não têm o direito de compor orações eucarísticas, mudar o texto aprovado pela Igreja, nem utilizar outros, compostos por pessoas privadas.
É um abuso que algumas partes da Oração Eucarística sejam pronunciadas pelo diácono, por um ministro leigo, bem como por um só ou todos os fiéis juntos. A Oração Eucarística deve ser pronunciada em sua totalidade, e somente, pelo sacerdote.
O sacerdote não pode partir a hóstia no momento da consagração.
Na Oração Eucarística não se pode omitir a menção do Sumo Pontífice e do Bispo diocesano.
As outras partes da Missa

Os fiéis têm o direito de ter uma música sacra adequada e idônea e que o altar, os paramentos e os panos sagrados, segundo as normas, resplandeçam por sua dignidade, nobreza e limpeza.
Os textos da Liturgia não podem ser mudados.
A liturgia da palavra não pode ser separada da liturgia eucarística, nem celebradas em lugares e tempos diferentes.
A escolha das leituras bíblicas deve seguir as normas litúrgicas. Não está permitido omitir ou substituir, arbitrariamente, as leituras bíblicas prescritas nem mudar as leituras e o salmo responsorial com outros textos não bíblicos.
A leitura evangélica fica reservada ao ministro ordenado. Um leigo, ainda que seja religioso, não deve proclamar a leitura evangélica na celebração da Missa.
A homilia nunca poderá ser feita por um leigo. Tampouco os seminaristas, estudantes de teologia, assistentes pastorais nem qualquer membro de alguma associação de leigos.
A homilia deve iluminar desde Cristo os acontecimentos da vida, sem esvaziar o sentido autêntico e genuíno da Palavra de Deus, por exemplo, tratando apenas de política ou de temas profanos, ou usando como fonte idéias que provém de movimentos pseudo-religiosos.
Não se pode admitir um "Credo" ou Profissão de fé que não encontre nos livros litúrgicos devidamente aprovados.
As oferendas, além do pão e do vinho, também podem compreender outros dons. Estes últimos devem ser colocados em um lugar conveniente, fora da mesa eucarística.
A paz deve ser dada antes de distribuir a sagrada Comunhão, lembrando que esta prática não tem um sentido de reconciliação nem de perdão dos pecados.
Sugere-se que o gesto da paz seja sóbrio e seja dado apenas aos mais próximos. O sacerdote pode dar a paz aos ministros, permanecendo no presbitério. Para não alterar a celebração e do mesmo modo se, por uma boa causa, deseja dar a paz a alguns fiéis. O gesto de paz é estabelecido pela Conferência de Bispos, com o reconhecimento da Sé Apostólica, "segundo a idiossincrasia e os costumes do lugar".
A fração do pão eucarístico deve ser feita somente pelo sacerdote celebrante, ajudado, se for o caso, pelo diácono ou por um concelebrante, mas nunca por um leigo. Esta começa depois de dar a paz, enquanto se diz o "Cordeiro de Deus".
É preferível que as instruções ou testemunhos expostos por um leigo sejam feitas fora da celebração da Missa. Seu sentido não deve ser confundido com a homilia, nem suprimi-la.
União de vários ritos com a celebração da missa

Não se permite a união da celebração eucarística com outros ritos quando o que será acrescentado tem um caráter superficial e sem importância.
Não é lícito unir o Sacramento da Penitência com a Missa e fazer uma única ação litúrgica. Entretanto, os sacerdotes, independentemente dos que celebram a Missa, sim podem escutar confissões, inclusive nos mesmo lugar onde se celebra a Missa. Isto deve ser feito de maneira adequada.
A celebração da Missa não pode ser intercalada como acrescentado a uma ceia comum, nem se unir com qualquer tipo de banquete. A Missa não deve ser celebrada, salvo por uma grave necessidade, sobre uma mesa de jantar, ou na sala de jantar, ou no lugar que seja utilizado para uma recepção, nem em qualquer sala onde haja alimentos. Os participantes da Missa não podem sentar-se à mesa durante a celebração
Não está permitido relacionar a celebração da Missa com acontecimentos políticos ou mundanos, ou com outros elementos que não concordem plenamente com o Magistério.
Não se deve celebrar a Missa pelo simples desejo de ostentação ou celebrá-la segundo o estilo de outras cerimônias, especialmente profanas.
Não devem ser introduzidos ritos tirados de outras religiões na celebração da Missa.
No capítulo 4, sobre a "Sagrada Comunhão", são apresentadas disposições como:

Estando em consciência de estar em pecado grave, não se deve celebrar nem comungar sem antes recorrer à confissão sacramental, a não ser que seja por um motivo grave e não haja oportunidade de confessar-se.
Deve-se vigiar para que não se aproximem à sagrada Comunhão, por ignorância, os não católicos ou, até mesmo, os não cristãos.
A primeira Comunhão das crianças deve ser sempre precedida da confissão e absolvição sacramental. A primeira Comunhão sempre deve ser administrada por um sacerdote e nunca fora da celebração da Missa.
O sacerdote não deve prosseguir a Missa até que tenha terminado a Comunhão dos fiéis.
Somente onde a necessidade o requer, os ministros extraordinários podem ajudar o sacerdote celebrante.
Pode-se comungar de joelhos ou de pé, segundo estabeleça a Conferência de Bispos, com a confirmação da Sé Apostólica.
Os fiéis têm sempre direito a escolher se desejam receber a Comunhão na boca, mas se o que vai comungar quiser receber o Sacramento na mão, a Comunhão deve ser dada.
Se existe perigo de profanação, o sacerdote não deve distribuir aos fiéis a Comunhão na mão.
Os fiéis não devem tomar a hóstia consagrada nem o cálice sagrado por si mesmo, muito menos passá-los entre si de mão em mão.
Os esposos, na Missa matrimonial, não devem administrar-se de modo recíproco a sagrada Comunhão.
Não deve ser distribuída de maneira de Comunhão, durante a Missa ou antes dela, hóstias não consagradas, outros comestíveis ou não comestíveis.
Para comungar, o sacerdote celebrante ou os concelebrantes não devem esperar que termine a comunhão do povo.
Se um sacerdote ou diácono entrega aos concelebrantes a hóstia sagrada ou o cálice, não deve dizer nada, quer dizer, não pronuncia as palavras "o Corpo de Cristo" ou "o Sangue de Cristo".
Para administrar aos leigos a Comunhão sob as duas espécies, devem levar em conta, convenientemente, as circunstâncias, sobre as quais devem julgar em primeiro lugar os Bispos diocesanos.
Deve excluir totalmente a administração da Comunhão sob as duas espécies quando exista perigo, até mesmo pequeno, de profanação.
A comunhão não deve ser administrada com cálice aos leigos onde: 1) seja tão grande a quantidade de vinho para a Eucaristia e exista o perigo de que sobre tanta quantidade de Sangue de Cristo, que deva ser consumida no final da celebração»; 2) o acesso ordenado ao cálice só seja possível com dificuldade; 3) seja necessária tal quantidade de vinho que seja difícil poder conhecer sua qualidade e proveniência; 4) quando não esteja disponível um número suficiente de ministros sagrados nem de ministros extraordinários da sagrada Comunhão que tenham a formação adequada; 5) onde uma parte importante do povo não queira participar do cálice por diversos motivos.
Não se permite que o comungante molhe por si mesmo a hóstia no cálice, nem recebe na mão a hóstia molhada. A hóstia que a ser molhada deve ser feita de matéria válida e estar consagrada. Está absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria.
No capítulo 5, sobre "outros aspectos que se referem à Eucaristia", esclarece que:

A celebração eucarística deve ser feita em lugar sagrado, a não ser que, em algum caso particular, a necessidade exija outra coisa.
Nunca é lícito a um sacerdote celebrar a Eucaristia em um templo ou lugar sagrado de qualquer religião não cristã.
Sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo sacrifício em latim.
É um abuso suspender de forma arbitrária a celebração da Santa Missa em favor do povo, sob o pretexto de promover o "jejum da Eucaristia".
Reprova-se o uso de copos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros copos de cristal, cerâmica, e outros materiais, que podem quebrar facilmente.
A vestimenta própria do sacerdote celebrante é a casula revestida sobre o alva e a estola. O sacerdote que se reveste com a casula deve colocar a estola.
Reprova-se o não uso das vestimentas sagradas, ou vestir apenas a estola sobre o cíngulo monástico, ou o hábito comum dos religiosos, ou a vestimenta comum.
No capítulo 6, o documento trata sobre "a reserva da Santíssima Eucaristia e seu culto fora da Missa". E nos lembra que:

O Santíssimo Sacramento deve ser reservado em um sacrário, na parte mais nobre, insigne e destacada da igreja, e no lugar mais apropriado para a oração.
Está proibido reservar o Santíssimo Sacramento em lugares que não estão sob a segura autoridade do Bispo ou onde exista perigo de profanação.
Ninguém pode levar a Sagrada Eucaristia para casa ou a outro lugar.
Não se exclui a oração do terço diante da reserva eucarística ou do santíssimo Sacramento exposto.
O Santíssimo Sacramento nunca deve permanecer exposto sem suficiente vigilância, nem sequer por um período muito curto.
É um direito dos fiéis visitar freqüentemente o Santíssimo Sacramento.
É conveniente não perder a tradição de realizar procissões eucarísticas.
O capítulo 7 versa sobre "os ministérios extraordinários dos fiéis leigos". Ali o documento especifica que:

As tarefas pastorais dos leigos não devem assemelhar-se à forma do ministério pastoral dos clérigos. Os assistentes pastorais não devem assumir o que propriamente pertence ao serviço dos ministros sagrados.
Somente por verdadeira necessidade pode-se recorrer ao auxilio de ministros extraordinários na celebração Liturgia.
Nunca é lícito aos leigos assumir as funções ou as vestimentas do diácono ou do sacerdote, ou outras vestes semelhantes.
Se habitualmente há um número suficiente de ministros sagrados, não se podem designar ministros extraordinários da sagrada Comunhão. Em tais circunstâncias, os que foram designados para este ministério, não devem exercê-lo.
Está reprovado o costume de sacerdotes que, apesar de estar presentes na celebração, abstêm-se de distribuir a comunhão, encomendando esta tarefa a leigos.
Ao ministro extraordinário da sagrada Comunhão nunca está permitido delegar a nenhum outro a administrar a Eucaristia.
Os leigos têm direito a que nenhum sacerdote, a menos que exista verdadeira impossibilidade, rejeite celebrar a Missa em favor do povo, ou que esta seja celebrada por outro sacerdote, se de diferente modo não se pode cumprir o preceito de participar da Missa, no domingo e outros dias estabelecidos.
Quando falta o ministro sagrado, o povo cristão tem direito a que o Bispo, na medida do possível, procure que se realize alguma celebração dominical para essa comunidade
É necessário evitar qualquer confusão entre este tipo de reuniões e a celebração eucarística.
O clérigo que foi afastado do estado clerical está proibido de exercer a potestade da ordem. Não está permitido celebrar os sacramentos. Os fiéis não podem recorrer a ele para a celebração.
O capítulo 8 está dedicado aos Remédios:

Qualquer católico tem direito a expor uma queixa por um abuso litúrgico, ao Bispo diocesano ou o Ordinário competente de igual direito, ou à Sé Apostólica, em virtude da primazia do Romano Pontífice.

Fonte: www.acidigital.com