quinta-feira, 11 de junho de 2009

Corpus Christi

História da Solenidade de Corpus Christi

No final do século XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus apra propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines perto de Liège, Bélgica em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses em Fosses e foi enterrada em Villiers.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparêncai de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.

Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, o então bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, nessa época arquidiácolo de Lieja, mais tarde o Papa Urbano IV.

O bispo Roberto focou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte, ao mesmo tempo o Papa ordenou, que um monge de nome João escrevesse o ofócio para essa ocasão. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.

Dom Roberto não viveu para ser a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte a quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costume e a o estendeu por toda a atual Alemanha.

O Papa Urbano IV, naquela época, tinha a corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto desta localidade está Bolsena, onde em 1263 ou 1264 aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal. A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais -onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa- em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que asistirem a Santa Missa e o ofício.

Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou um ofício -a liturgia das horas- a São Boa-ventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boa-ventura foi rasgando o seu em pedaços.

A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis -por João XXII- e assim a festa é estendida a toda a Igreja.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.

A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adoptaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida da Bélgica entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.

Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Nisto os cristãos expressam sua gratidão e memória por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 10 de maio de 2009

Pentecostes

Espírito Santo: Graça que desperta na fé.

"O Espírito é o único que pode ajudar às pessoas e as comunidades a libertarem-se dos velhos e novos determinismos, guiando-os com a lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus"
João Paulo II

Quem é o Espírito Santo?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o Espírito Santo é a "Terceira Pessoa da Santíssima Trindade". Quer dizer, havendo um só Deus, existem nele três pessoas diferentes: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta verdade foi revelada por Jesus em seu Evangelho.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo da história até sua consumação, quando o Espírito se revela e nos é dado, quando é reconhecido e acolhido como pessoa. O Senhor Jesus no-lo apresenta e se refere a Ele não como uma potência impessoal, mas como uma Pessoa diferente, com seu próprio atuar e um caráter pessoal.

O Espírito Santo, o Dom de Deus

"Deus é Amor" (Jo 4,8-16) e o Amor que é o primeiro Dom, contém todos os demais. Este amor "Deus o derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5).

Poste que morremos, ou ao menos, fomos feridos pelo pecado, o primeiro efeito do Dom do Amor é a remissão de nossos pecados. A Comunhão com o Espírito Santo, "A graça do Senhor Jesus Cristo, e a caridade de Deus, e a comunicação do Espírito Santo sejam todos vossos" (2Cor 13,13;) é a que, na Igreja, volta a dar ao batizados a semelhança divina perdida com o pecado.

Pelo Espírito Santo nós podemos dizer que "Jesus é o Senhor", quer dizer para entrar em contato com Cristo é necessário Ter sido atraído pelo Espírito Santo.

Mediante o Batismo nos é dado a graça do novo nascimento em Deus Pai por meio de seu Filho no Espírito Santo. Porque os que são portadores do Espírito de Deus são conduzidos ao Filho; mas o Filho os apresenta ao Pai, e o Pai lhes concede a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver ao Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se alcança pelo Espírito Santo.

Vida e Fé. O Espírito Santo com sua graça é o "primeiro" que nos desperta na fé e nos inicia na vida nova. Ele é quem nos precede e desperta em nós a fé. Entretanto, é o "último" na revelação das pessoas da Santíssima Trindade.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo do Desígnio de nossa salvação e até sua consumação. Somente nos "últimos tempos", inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, é quando o Espírito se revela e nos é dado, e é reconhecido e acolhido como Pessoa.

O Paráclito. Palavra do grego "parakletos", o mediador, o defensor, o consolador. Jesus nos apresenta ao Espírito Santo dizendo: "O Pai vos dará outro Paráclito" (Jo 14,16). O advogado defensor é aquele que, pondo-se de parte dos que são culpáveis devido a seus pecados os defende do castigo merecido, os salva do perigo de perder a vida e a salvação eterna. Isto é o que Cristo realizou, e o Espírito Santo é chamado "outro paráclito" porque continua fazendo operante a redenção com a que Cristo nos livrou do pecado e da morte eterna.

Espírito da Verdade: Jesus afirma de si mesmo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6). E ao prometer o Espírito Santo naquele "discurso de despedida" com seus apóstolos na Última Ceia, diz que será quem depois de sua partida, manterá entre os discípulos a mesma verdade que Ele anunciou e revelou.

O Paráclito, é a verdade, como o é Cristo. Os campos de ação em que atua o Espírito Santo são o espírito humano e a história do mundo. A distinção entre a verdade e o erro é o primeiro momento de tal atuação.

Permanecer e atuar na verdade é o problema essencial para os Apóstolos e para os discípulos de Cristo, desde os primeiros anos da Igreja até o final dos tempos, e é o Espírito Santo quem torna possível que a verdade sobre Deus, o homem e seu destino, chegue até nossos dias sem alterações.

Símbolos

O Espírito Santo é representado de diferentes formas:

Água: O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, já que a água se transforma em sinal sacramental do novo nascimento.

Unção: Simboliza a força. A unção com o óleo é sinônimo do Espírito Santo. No sacramento da Confirmação o confirmando é ungido para prepará-lo para ser testemunha de Cristo.

Fogo: Simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito.

Nuvem e Luz: Símbolos inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Assim desce sobre a Virgem Maria para "cobri-la com sua sombra" . No monte Tabor, na Transfiguração, no dia da Ascensão; aparece uma sombra e uma nuvem.

Selo: é um símbolo próximo ao da unção. Indica o caráter indelével da unção do Espírito nos sacramentos e falam da consagração do cristão.

A Mão: Mediante a imposição das mãos os Apóstolos e agora os Bispos, transmitem o "Dom do Espírito".

A Pomba: No Batismo de Jesus, o Espírito Santo aparece em forma de pomba e posa sobre Ele.

OS DONS E FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO

A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito.

Os sete Dons do Espírito Santo são: Sabedoria, inteligência, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus. Eles completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem.

O DOM DE DEUS – DEUS É AMOR (Jo.4,8-16) e o Amor é o primeiro dom. Nele, estão contidos os demais. Este AMOR, “Deus o derramou nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm.5,5).

O Apóstolo Paulo nos diz: “Existem dons diferentes, mas, o Espírito é o mesmo”, diferentes serviços, mas, o Senhor é o mesmo”(Co 12,4).

O Espírito nos dá o Dom da Escuta, isto é, a capacidade de escutar a voz de Deus e a voz daqueles que ninguém escuta.

O Espírito nos comunica o Dom da Oração. É o dom que nos faz desejar ficar com Deus, responder-lhe, falar-lhe nossos problemas e as necessidades do nosso povo.

O Espírito nos dá o Dom do Anúncio, ajudando-nos a proclamar a todos, com as palavras e a vida, a Boa Nova que salva.

O Espírito nos dá o Dom da Fraternidade que é a disponibilidade de aceitar e promover a todos como irmãos e filhos do mesmo Pai.

Os Dons que recebemos do Espírito Santo em abundância devem ser usados para nossa santificação e para promover os irmãos que mais precisam. Em Mateus encontramos a Parábola dos Talentos que nos faz refletir sobre o bom uso dos Dons do Espírito Santo (Mt.25,14-15).

A partir do Dia de Pentecostes, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que crêem nele. Na humildade da carne e na fé, eles participam da comunhão da Santíssima Trindade. O Espírito Santo faz o mundo entrar nos últimos tempos, pois o tempo da Igreja, o Reino já recebido em herança, mas ainda não consumado: “Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito Celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a trindade invisível, pois foi ela quem nos salvou” (Liturgia Bizantina).

Os Frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo modela em nós como primícias da glória eterna. A tradição da igreja enumera doze: “caridade, alegria, paz, paciência, generosidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade”(Gl.5,22-23)

As VIRTUDES dispõem os cristãos a viverem em relação com a Santíssima Trindade. Têm Deus como origem, motivo e objetivo. É uma disposição habitual e firme de fazer o bem.

VIRTUDES CARDEAIS – a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.

A Prudência nos faz discernir o bem e o mal.

A Justiça é a vontade constante de dar a Deus e ao próximo o que lhe é devido.

A Fortaleza dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na busca do bem.

A Temperança modera a atração dos prazeres sensíveis e procura o equilíbrio no uso dos bens criados.

VIRTUDES TEOLOGAIS – São: Fé, Esperança e Caridade vivificam todas as virtudes morais.

Pela , cremos em Deus e em tudo o que ele nos revelou.

Pela Esperança, ansiamos pela vida eterna.

Pela Caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como Ele nos amou. Ela é o vínculo da perfeição (Cl.3,4).

A Graça do Espírito Santo nos dá a justiça de Deus. A Graça é o auxílio que Deus nos concede para responder a nossa vocação de nos tornar seus filhos adotivos.

A Graça Santificante é um Dom Gratuito. Deus infunde o Espírito Santo em nossa alma para curá-la do pecado e santificá-la. Ela nos faz agradáveis a Deus.

Através do Espírito Santo podemos merecer para nós, e para os outros, todas as graças úteis para receber a vida eterna e os bens temporais necessários.

O espírito Santo que Cristo, Cabeça, derrama nos seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja. Na plenitude do tempo, o Espírito Santo realiza em Maria todas as preparações para a vinda de Cristo no Povo de Deus. E pela ação do Espírito Santo nela, o Pai dá ao mundo, o EMANUEL, DEUS CONOSCO (Mt1,23).

REFLEXÃO:

O Espírito Santo age de que forma em nossa vida?

Quais os dons que recebemos do Espírito Santo e que desfrutamos mais freqüentemente?

ORAÇÃO:

Espírito Santo, tu és a alma da minha alma!
Adoro-te, humildemente.
Ilumina-me, fortalece-me, guia-me e consola-me aos planos do eterno Pai.
Faze-me conhecer o que o Amor Eterno quer de mim.
Faze-me conhecer o que devo fazer.
Faze-me conhecer o que devo sofrer.
Quero que a minha vida seja um contínuo e perpétuo SIM aos desejos e à vontade do Pai Eterno. Amém.

Paróquia São Francisco Xavier- Niterói - 2003
“Círculo Felicidade” – Dirigentes: Abel e Lourdinha Passos
Padre Pedrol P. de Morais

JMJ

Qual é a diferença entre graça e dom?

O que é a Graça?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a graça é o favor, o auxílio gratuito que Deus nos dá para responder a seu chamado: chegar a ser filhos de Deus, filhos adotivos partícipes da natureza divina, da vida eterna.

Ao falar e graça é feita uma distinção:

a) Graça Santificante: É uma disposição estável e sobrenatural que aperfeiçoa a alma para torná-la capaz de viver com Deus, de atuar por seu amor. E esta é recebida no Batismo e quando a perdemos pelo pecado mortal a recuperamos no Sacramento da Confissão.

b) Graça Atual: São as intervenções de Deus em nossas vida para nos ajudar na conversão e no crescimento em santidade. Quer dizer, são aquelas graças que Deus derrama em momentos específicos de nossas vidas em que recebemos uma luz nova sobre a vida de Deus e a vida em Deus, ou em um momento de tentação para poder suportá-la e vencer, ou as graças que nos são dadas em um momento de sofrimento ou prova que nos ajudam a ter a fortaleza necessária para suportá-los. Estas graças são auxílios momentâneos da parte de Deus para nos ajudar em nossa vida diária.

A graça aumenta à medida que permitimos ao Espírito Santo atuar pela participação nos sacramentos, a oração e a vida virtuosa - tudo pelos méritos de Cristo. A graça nos assemelha à vida de Cristo: suas virtudes, forma de pensar e de agir.

O que são os dons?

Novamente voltando ao Catecismo, quando se fala de "dons" refere-se àqueles "presentes" que o Espírito Santo nos dá. Os Dons são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do Espírito Santo.

Os dons de santificação são aquelas disposições que nos fazem viver a vida cristã completando e levando a sua perfeição as virtudes em nossas vidas. Estes são sete e a Igreja se refere a eles como "os dons do Espírito Santo". Estes dons são recebidos no Batismo, mas estão como presentes sem abrir, logo na Confirmação voltamos a receber uma efusão do Espírito para desenvolvê-los.

Os carismas. Além dos dons de santificação, o Espírito Santo no dá carismas, dos quais São Paulo nos fala: "Há diversidade de carismas, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o Dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos." (1Cor 12, 4-7).

Os carismas são como ferramentas. A graça é dada a todos, mas a cada um carismas diferentes segundo nossa missão. Estes podem ser usados bem ou mal. Não são condição nem garantia de santidade. Já que Deus nos criou livres, os carismas podem ser bem ou mal utilizados. Pode ser o caso de alguém que tenha grandes dons - como o dom da palavra, cura, línguas, etc. mas não viva em graça, como foi o caso do filho pródigo que partiu da casa paterna e malgastou os bens entregues a ele.

Concluindo: enquanto a graça é participação da vida divina, os dons são presentes para ajudar-nos a viver esta vida da graça e para edificar a Igreja.

Todos os fiéis devem invocar ao Espírito Santo e pedir-lhe que renove em nós as graças e dons que recebemos para que nossa vida cristã seja testemunho fiel de nosso Senhor Jesus Cristo e possamos levar ao mundo inteiro a Luz de Cristo.

O Espírito Santo e a Igreja

A Igreja, comunhão vivente na fé dos apóstolos que ela transmite, é o lugar de nosso conhecimento do Espírito Santo:

Nas Escrituras que Ele inspirou;

Na Tradição, da qual os Padres da Igreja são testemunhas sempre atuais;

No Magistério da Igreja, ao que Ele assiste;

Na liturgia sacramental, através de suas palavras e seus símbolos, onde o Espírito Santo nos põe em comunhão com Cristo;

Na oração na qual Ele intercede por nós;

Nos carismas e ministérios mediante os quais a Igreja é edificada;

Nos sinais de vida apostólica e missionária;

No testemunho dos santos, onde Ele manifesta sua santidade e contínua obra da salvação;

A Igreja reconhece ao Espírito Santo como santificador. O Espírito Santo é força que santifica porque Ele mesmo é "espírito de santidade". A Igreja nascida com a Ressurreição de Cristo, se manifesta ao mundo pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes. Por isso aquele episódio de que "começaram a falar em línguas diferentes", para que todo o mundo conheça e entenda a Verdade anunciada por Cristo em seu Evangelho.

A Igreja não é uma sociedade como outra qualquer; não nasce porque os apóstolos estavam de acordo; nem porque tenham convivido juntos por três anos; nem sequer pelo seu desejo de continuar a obra de Jesus. O que faz e constitui como Igreja a todos aqueles que "estavam juntos no mesmo lugar" (Atos, 2,1), é que "todos ficaram repletos do Espírito Santo" (Atos, 2,4).

Tudo o que a Igreja anuncia, testemunha e celebra é sempre graças ao Espírito Santo. São dois mil anos de trabalho apostólico, com tropeços e avanços, erros e acertos, toda uma história de luta para fazer presente o Reino de Deus entre os homens, que não terminará até o fim do mundo, pois Jesus antes de partir no-lo prometeu: "...eu estarei convosco, todos os dias até o fim do mundo" (Mt, 28,20).

O Espírito Santo na vida do cristão

João Paulo II, Audiência geral, 13 setembro 2000

1. No Cenáculo, na última noite de sua vida terrena, Jesus promete cinco vezes o Dom do Espírito Santo (cf. Jo 14, 16-17; 14, 26; 15, 26-27; 16, 7-11; 16, 12-15). no mesmo lugar, na tarde de Páscoa, o Ressuscitado se apresenta aos apóstolos e infunde o Espírito prometido, com o gesto simbólico do hálito e com as palavras: "¡Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20, 22). Cinqüenta dias depois, outra vez no Cenáculo, o Espírito Santo irrompe com sua potência transformando os corações e a vida dos primeiros testemunhas do Evangelho.

Desde então, toda a história da Igreja, em suas dinâmicas mais profundas, está impregnada pela presença da ação do Espírito, "entregue sem medida" aos que crêem em Cristo (cf. Jo 3, 34). O encontro com Cristo comporta o dom do Espírito Santo que, como dizia o grande padre da igreja, Basílio, "se difunde em todos sem que experimente diminuição alguma, está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo como se fossem os únicos, e em todos difunde a graça suficiente e completa" ("De Spiritu Sancto", IX, 22). Desde os primeiros instantes de vida cristã.

2. O apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Gálatas que acabamos de escutar (cf. 5, 16-18. 22-25), delineia "o fruto do Espírito" (5, 22) fazendo a lista de una gama de virtudes que faz florescer na existência do fiel. O Espírito Santo se encontra na raiz da experiência de fé. De fato, no Batismo, nos convertemos em filhos de Deus graças precisamente ao Espírito: "A proba de que sois filhos é que Deus enviou a nossos corações o Espírito de seu Filho que clama: ¡Abbá, Pai!" (Gl 4, 6).

No próprio manancial da existência cristã, quando nascemos como criaturas novas, encontra-se o sopro do Espírito, que nos faz filhos no Filho e nos faz "caminhar" pelos caminhos de justiça e salvação (cf. Gl 5, 16).

O Espírito na prova

3. Toda a aventura do cristão terá que desenvolver-se, portanto, sob a influência do Espírito. Quando Ele nos volta a apresentar a Palavra de Cristo, resplandece em nosso interior a luz da verdade, como tinha prometido Jesus: "o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse" (João 14, 26; cf. 16,12-15).

O Espírito está junto de nós no momento da prova, convertendo-se em nosso defensor e apoio: "Quando vos entregares, não vos preocupeis de como ou o que deveis falar. O que tendes que falar vos será comunicado naquele momento. Porque não sereis vós que falareis, mas o Espírito de vosso Pai que falará em vós" (Mt 10, 19-20). O Espírito se encontra nas raízes da liberdade cristã, que liberta do jugo do pecado. O diz claramente o apóstolo Paulo: "A lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus te libertou a lei do pecado e da morte" (Romanos 8, 2). A vida moral --como nos lembra São Paulo-pelo fato de ser irradiada pelo Espírito produz frutos de "amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si" (Gálatas 5, 22).

O Espírito e a comunidade

4. O Espírito anima a toda a comunidade dos fiéis em Cristo. Esse mesmo apóstolo celebra através da imagem do corpo a multiplicidade e a riqueza, assim como a unidade da Igreja, como obra do Espírito Santo. Por um lado, Paulo faz uma lista da variedade de carismas, quer dizer, dos dons particulares oferecidos aos membros da Igreja (cf. 1Cor 12, 1-10); por outro, confirma que "todas estas coisas são obra de um mesmo e único Espírito, distribuindo-as a cada um em particular segundo sua vontade" (1Cor 12, 11). De fato, "em um só Espírito fomos todos batizados, para não formar mais que um corpo, judeus e gregos, escravos e livres. E todos bebemos de um só Espírito" (1Cor 12, 13). O Espírito e nosso destino Por último, devemos ao Espírito o poder alcançar nosso destino de glória. São Paulo utiliza neste sentido a imagem do "selo" e o "penhor": "fostes selados com o Espírito Santo da Promessa, que é penhor de nossa herança, para redenção do Povo de sua possessão, para louvor de sua glória"
(Ef 1, 13-14; cf. 2Cor 1, 22; 5,5). Em síntese: toda a vida do cristão, desde as origens até sua última meta, está sob a bandeira e a obra do Espírito Santo.

Mensagem do Jubileu

5. Gosto de lembrar, no transcurso deste ano jubilar, o que afirmava na encíclica dedicada ao Espírito Santo: "O grande Jubileu do ano dos mil contém, portanto, uma mensagem de libertação por obra do Espírito, que é o único que pode ajudar as pessoas e as comunidades a libertar-se dos velhos e novos determinismos, guiando-os com a "lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus", descobrindo e realizando a plena dimensão da verdadeira liberdade do homem. Com efeito --como escreve São Paulo-- "onde está o Espírito do Senhor, ali está a liberdade"" (Dominum et vivificantem, n. 60). Ponhamo-nos, portanto, nas mãos da ação libertadora do Espírito, fazendo nossa a surpresa de Simeão o Novo Teólogo, que se dirige à terceira pessoa divina nestes termos": "Vejo a beleza de tua graça, contemplo seu fulgor e o reflexo de sua luz; me arrebata seu esplendor indescritível; sou empurrado fora de mim enquanto penso em mim mesmo; vejo como era e o que sou agora. Ó prodígio! Estou atento, cheio de respeito para mim mesmo, de reverência e de temor, como se estivesse diante de ti; não sei o que fazer porque a timidez me domina; não sei onde sentar-me, aonde aproximar-me, onde reclinar estes membros que são teus; em que obras ocupar estas surpreendentes maravilhas divinas" (Hinos II, 19-27; cf. Exortação apostólica pos-sinodal "Vita consecrata", n. 20).

terça-feira, 7 de abril de 2009

Com Ele ressuscitaremos

Num mundo repleto de “ossos ressequidos” (cf. Ez 37, 1-14), infestado de corrupção, violência, ódio, morte e falta de segurança (cf Texto Base – CF-2009); num mundo refugiado no túmulo de seu egoísmo e individualismo; num mundo enterrado no túmulo de sua agressividade e intolerância, de sua indiferença social, moral e religiosa, de sua insensibilidade diante de crianças nascidas e não-nascidas, diante de menores e anciãos abandonados, diante dos doentes mal amparados, dos desempregados, dos que passam fome de pão e têm sede de justiça, dos encarcerados e massacrados nas prisões, diante dos mais desprotegidos, menosprezados e dos mais pequeninos...

A este mundo tão sombrio e desolador, em que vemos seres humanos sem alento de vida, de ideais, de esperança e de amor, prolongando seu passado sem perspectivas de futuro, a este mundo somos enviados a proclamar o Senhor da Vida e da Esperança. A este mundo em pânico e cheio de morte física e moral por todos os lados, somos convidados a anunciar apressadamente que o “túmulo está vazio” (cf. Jo 20, 18), que Cristo ressuscitado derrotou o pecado, a causa de todos esses males...

Cristo é a Porta da Vida e da Libertação de todos os pecados e de todas as drogas que anestesiam e matam o coração humano.

Páscoa é a vitória da Vida sobre a morte. “Sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre Ele” (Rm 6, 9). A vida e a morte enfrentaram-se, e a Vida triunfou para sempre.

A imagem do “homem novo” que resplandece sobre o rosto de Cristo glorioso leve a todos a reconhecer o valor intocável da vida humana. Assim, estaremos dando respostas concretas às exigências inadiáveis da justiça e da paz, onde o ser humano não é respeitado em seus direitos fundamentais...

Para nós, a Páscoa é o encontro feliz com o Ressuscitado, é a alegria de vê-Lo no meio dos discípulos repartindo o pão nosso de cada dia e o Pão da Vida. Nada e ninguém é capaz de causar maior alegria ao nosso coração do que a presença de Cristo ressuscitado. Ele continua vivo, Deus-conosco, acompanhando nosso peregrinar na fé, fazendo nosso coração arder de amor e de esperança.

Cabe a nós agora sermos mensageiros da Ressurreição do Senhor Jesus. Antes, porém, precisamos passar pela mesma experiência das testemunhas designadas de antemão por Deus (cf. At 10, 41). Precisamos percorrer o mesmo caminho percorrido por Maria Madalena e fazer a mesma corrida de Pedro e do discípulo amado (cf. Jo 20, 1-8). Só quem fizer a experiência de fé em Cristo vivo e ressuscitado terá olhos e ouvidos pascais para ver e ouvir o clamor dos que ainda são impedidos de ressurgir para uma Vida Nova. A Páscoa terá sabor de vida nova, se tivermos um coração para amar, para ser solidário e para repartir misericórdia com os últimos da sociedade.

O encontro pessoal com Jesus Cristo ressuscitado renove nossa missão de testemunhar que Ele está no meio de nós e que com Ele ressuscitaremos.

A todos/as os queridos/as leitores/as de “A Boa Notícia*”, votos de uma santa e feliz Páscoa.


Dom Nelson Westrupp, scj
Bispo Diocesano de Santo André
*A Boa Notícia” - Jornal de Notícias da Diocese de Santo André

domingo, 15 de fevereiro de 2009

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2009

Na Mensagem para a Quaresma o Papa convida a que nos privemos de algo para ajudar os outros

Jejuar para ser amigos de Deus
e estar atentos aos necessitados

"Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente". Escreveu o Papa na Mensagem para a Quaresma de 2009, apresentada a 3 de Fevereiro, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Bento XVI exorta em particular as paróquias a redescobrir a prática de doar aos pobres os frutos das renúncias dos fiéis.

Queridos irmãos e irmãs!
No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã a oração, a esmola, o jejum a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, "derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz" (Hino pascal). Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: "O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome" (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.
Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: "Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás" (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que "o jejum foi ordenado no Paraíso", e "o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão". Portanto, ele conclui: "O "não comas" é, portanto, a lei do jejum e da abstinência" (cf. Sermo de jejunio: pg 31, 163, 98). Dado que todos estamos entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar "para nos humilhar diz diante do nosso Deus" (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção. O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: "Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?" (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.
No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual "vê no oculto, recompensar-te-á" (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a Satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que "nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4, 4). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o "verdadeiro alimento", que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor "de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal", com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.
Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do "velho Adão", e de abrir no coração do crente o caminho para Deus. O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: "O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica" (Sermo 43; pg 52, 320.332).
Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma "terapia" para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus. Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo vi reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a "não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos" (cf. Cap. i). A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).
A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia "nó complicado e emaranhado" (Confissões, ii, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: "Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura" (Sermo 400, 3, 3: pg 40, 708). Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.
Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos nossos irmãos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: "Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?" (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., v, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.
De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: "Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes".
Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo ii, a fazer dom total de si a Deus (cf. Veritatis splendor, 21). A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma. Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais "tabernáculo vivo de Deus". Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.



Vaticano, 11 de dezembro de 2008
BENEDICTUS PP. XVI
Publicada: CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Fonte: www.vatican.va

Continuação... QUARESMA - Etimologia Quaresmal, Terço Sobre a Quaresma e Orações

INCENSO

O incenso vem de "incendere", "incender", é uma das resinas que produz um agradável aroma ao arder. Esta palavra latina dá também origem ao termo "incensário" (instrumento metálico para incensar), enquanto a raíz grega "tus", que também significa incenso, explica a palavra "turíbulo" (incensário) e "turiferário"(o que carrega o turíbulo).

O incenso é encontrado principalmente no Oriente, e desde antigamente no Egito, antes de os israelitas chegarem era usado em cerimônias religiosas, por seu fácil simbolismo de perfume e festa, de sinal de honra e respeito ou de sacrifício aos deuses. Já antes em torno da Arca da Aliança, mas sobretudo no templo de Jerusalém era clássico o rito do incenso (Ex. 30). A rainha de Sabá trouxe entre outros presentes grande quantidade de aromas a Salomão (1Rs.10). Os cristãos no século IV introduziram o incenso na linguagem simbólica de suas celebrações, quando se considerou superado o perigo anterior de confusão com os ritos idolátricos do culto romano.

Atualmente, o incenso é usado na missa, quando se quer ressaltar a festividade do dia, o altar, as imagens da Cruz ou da Virgem, o livro do evangelho, as oferendas sobre o altar, os ministros e o povo cristão no ofertório, o Santíssimo depois da consagração ou nas celebrações de culto eucarístico. Com isso quer significar às vezes um gesto de honra (ao Santíssimo, ao corpo do defunto nas exéquias), ou símbolo de oferenda sacrificial (no ofertório, tanto o pão e o vinho como as pessoas).

JEJUM

Chamamos "jejum" (latim "ieunium") à privação voluntária de comida durante algum tempo por motivo religioso, como ato de culto perante Deus.

Na Bíblia no jejum pode ser sinal de penitênica, expiação dos pecados, oração intensa ou vontade firme de conseguir algo.

Outras vezes, como nos quarenta dias de Moisés no monte ou de Elias no deserto ou de Jesus antes de começar sua missão, marca a preparação intensa para um acontecimento importante.

O jejum Eucarístico tem uma tradição milenar; como preparação para este sacramento, o cristão se abstém antes de outros alimentos.

É na Quaresma, desde o século IV, que sempre teve mais sentido aos cristãos o jejum como privação voluntária da que existem em outras culturas religiosas ou por motivos religiosos.

O jejum junto com a oração e a caridade, tem sido desde muito tempo uma "prática quaresmal" como sinal de conversão interior aos valores fundamentais do evangelho de Cristo. Atualmente nos abstemos de carne todas as sextas-feiras de Quaresma que não coincidem com alguma solenidade; fazemos abstinência e além do jejum (uma só refeição ao dia) na quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa.

CÍRIO PASCAL

A palavra "círio" vem do latim "cereus", de cera, o produto das abelhas. Ao falar das "candeias" , aludíamos ao uso humano e ao sentido simbólico da luz que os círios produzem.

O círio mais importante é o que se acende na Vigília Pascal como símbolo de Cristo - Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro adornado.

O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita à noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende o Círio, que tem uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras alfa e Ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego, para indicar que a posição de Cristo, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos.

O Círio estará aceso em todas as celebrações durante cinqüenta dias, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o Tempo Pascal, convém que o Círio seja conservado dignamente no batistério, e não no presbitério.

QUINTA - FEIRA SANTA

A quinta - feira santa é o último dia da Quaresma e por sua vez, a partir da missa vespertina, a inauguração do Tríduo Pascal. Em latim seu nome clássico é "feria V in Coena Domini". É um dia íntimo para o povo cristão, certamente a quinta - feira mais importante do ano, principamente desde que a da Ascensão e do Corpus Christi são celebrados no domingo.

É o dia em que Cristo, em sua ceia de despedida antes da morte, instituiu a Eucaristia, deu a grande lição de humilde serviço lavando os pés dos seus apóstolos, e os constituiu sacerdotes mediadores de sua Palavra, de seus sacramentos e de sua salvação.

CEIA DO SENHOR

O nome que, junto ao de "fração do pão", o dá por exemplo São Paulo em 1Cor 11,20 ao que logo se chamou "Eucaristia" ou "Missa": "Kyriakon deipnon", ceia senhoril, do Senhor Jesus. É também o nome que se dá a Missa atual: "Missa ou Ceia do Senhor" (IGMR 2 e 7)

Na Quinta-feira Santa a Eucaristia com que se dá início ao Tríduo Pascal é a "Missa in Coena Domini", porque é a que mais intimamente recorda a instituição desde sacramento por Jesus em sua última ceia, adiantando assim sacramentalmente sua entrega na Cruz.

TERÇO SOBRE A QUARESMA

Indicações: Selecionar os coros e os cantos antes do início do terço.

Todos: Pelo Sinal da Santa Cruz, livra-nos Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos.

Rezam-se as orações tradicionais.

Quaresma é um tempo de especial graça, é tempo favorável para nos convertermos. Nós, como Igreja, nos preparamos para viver e celebrar o Mistério da Renconciliação, cada vez com um coração mais convertido. Este é o sentido: converter nosso coração ao Senhor.
Meditemos neste terço sobre alguns meios que a Igreja nos propõe para poder nos prepararmos adequadamente para a celebração dos mistérios centrais da nossa fé.

PRIMEIRA MEDITAÇÃO: A iniciativa sempre é de Deus

Há dois meios que a Igreja nos propõe para este tempo litúrgico da Quaresma, que nos manifestam claramente que a ininciativa parte de Deus-Amor. Por um lado, nos propõe a ter uma escuta atenta e reverente da Palabra de Deus. Devemos ter durante esta Quaresma um constante contato com a Palavra Divina. Deus mesmo sai a nosso encontro e nos convida a nos preparar nutrindo-nos de sua própria Palavra. Esta leitura da Palavra de Deus, nos leva a uma oração mais intensa, e este é o segundo meio. Devemos nos nutrir da oração durante esta Quaresma, para não sucumbir e sair fortalecidos diante das tentações de Satanás. Esta oração deve mostrar nossa reconciliação com Deus que nos convida ao amor.
Pai nosso...

SEGUNDA MEDITAÇÃO: Cooperar com a graça de Deus

Outro meio que nos é proposto durante a Quaresma é receber os sacramenteos da reconciliação e da Eucaristia. É necessário recorrer à misericórdia do Senhor. Para nos convertermos devemos deixar todo pecado. Mas sozinhos não podemos. Confiemos no perdão que o Senhor nos oferece. Não há pecado que Ele não possa nos perdoar. E vamos também ao encontro do Filho de Santa Maria, realmente presente na Eucaristia. Ele mesmo se oferece por nós e se entrega no altar da reconciliação.

Pai nosso...

TERCEIRA MEDITAÇÃO: O jejum e a abstinência

Dois meios que nos ajudam a ir preparando melhor nosso coração. Devemos tomar consciência da bênção que o Senhor nos dá. Muitos não se dão contam da importância disto. Quantos de nós sabemos do jejum e abstinência de todas as sexta-feira de Quaresma, como preparação. E quantos de nós realmente o vivemos?
Muito importante é também a mortificação e a renúncia em algumas circunstâncias ordinárias de nossa vida, ocasiões para nos aproximarmos da luz do Senhor e conformarmos com Ele, purificando nossos corações.
Nesta meditação vamos cantar o primeiro Ave Maria.

Pai nosso...

QUARTA MEDITAÇÃO: Chamado à conversão

O Senhor nos convida a nos convertermos a Ele. Devemos chegar ao fundo de nós mesmos, pois se trata de morrer a todo o que é morte para ressuscitar a uma vida nova no Senhor.
Confiemos na misericórdia de Deus. Escutemos o que Ele mesmo nos diz na Escritura: (fazer uma pausa)
«E vos darei um coração novo, infundirei em vossos corações um espírito novo, tirarei de vossa carne o o coração de pedra e vos darei um coração de carne»

Pai nosso...

QUINTA MEDITAÇÃO: Em companhia de Maria

E todo este caminho que empreendemos, o fazemos na companhia terna e amorosa de nossa Santa Mãe. Ela é guia segura em nosso peregrinar à plena configuração com seu Filho, o Senhor Jesus. É Ela quem com sua intercessão nos ajuda a trocar nosso coração de pedra por um coração de carne.
Acolhamos a sua intercessão e confiemos a ela nosso esforços para viver intensamente este tempo de conversão.

Pai nosso...

Convertamos nosso coração, trabalhemos por nossa própria reconciliação pessoal, sempre guiados pela mão amorosa de nossa Mãe.

Terminemos nossa oração cantando a SALVE RAINHA.

Em nome Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
ORAÇÕES:
Oração da Quaresma

Pai nosso, que estais no Céu,
durante esta época de arrependimento,
tende misericórdia de nós.
Com nossa oração, nosso jejum e nossas boas obras,
transformai nosso egoísmo em generosidade.
Abri nossos corações à vossa Palavra,
curai nossas feridas do pecado,
ajudai-nos a fazer o bem neste mundo.
Que transformemos a escuridão
e a dor em vida e alegria.
Concedei-nos estas coisas por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Amém.

Oração do Fiat
Santa Maria, ajuda-me a esforçar-me
segundo o máximo de minha capacidade
e o máximo das minhas possibilidades
para assim responder ao Plano de Deus
em todas as circunstâncias concretas da minha vida.
Amém.

Para ser Melhor
Auxílio dos pecadores,
sempre disposta ao perdão
e a intercessão,
obtém-me as graças
que me sejam necessárias
para encaminhar retamente minha vida,
rejeitar energicamente o pecado,
fugir de suas ocasiões
e colocar os melhores meios
para purificar-me
segundo o desígnio divino
e assim encaminhar-me
em direção daquele que é
a própria Vida
Amém.

Diante as Tentações
Mãe querida acolhe-me em teu regaço,
cobre-me com teu manto protetor
e, com esse doce carinho
que tens por teus filhos
afasta de mim
as ciladas do inimigo,
e intercede intensamente
para impedir que
suas astúcias me façam cair.
A ti me confio
e em tua intercessão espero.
Amém.

Para Viver o Perdão
Diante das dúvidas sobre ti
respondeste com o perdão.
Diante da perseguição
e das muitas murmurações
respondeste com o perdão.
Diante da insídia e da ímpia ofensa,
respondeste com o perdão.
Diante da infâmia da conspiração
contra o Justo,
respondeste com o perdão.
Diante da traição
e da dor que esta traz,
respondeste com o perdão.
Mãe de Misericórdia,
teu coração bondoso
transborda de clemência,
por isso te imploro que me obtenhas o perdão
pelos muitos males que fiz,
e também,
ó Mãe,
ensina-me a perdoar como Tu,
que, diante de tantos males
que te fizeram,
inclusive arrebatar do teu lado
teu divino Filho
sempre respondeste
com o mais magnânimo perdão.
Amém.

continua...

Continuação... QUARESMA - Reconciliação 2.

Breve história do Sacramento da Penitência

* No Evangelho vemos Jesus como "Aquele que salvará seu povo de seus pecados" (MT. 1,21). É o próprio Jesus quem perdoa o paralítico e a pecadora.

* Jesus comunica seu poder de perdoar a seus Apóstolos. Assim como Deus Pai deu tudo a Jesus, assim também Jesus comunica à Igreja, esse poder de perdoar que Ele emanava para regenerar os homens. "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados" afirma textualmente o Evangelho, (Jo 20, 23).

* A Igreja por meio de seus ministros em nome de Jesus outorga o perdão tal como fazia Jesus.

* Na Igreja primitiva, a Penitência se tornou uma tábua de salvação para o pecador batizado. Mas se propagou a prática de limitar o freqüente acesso ao sacramento para evitar abusos. São João Crisóstomo se via reprovado por seus adversários por outorgar sem descanso penitência e o perdão dos pecados aos fiéis que vinham arrependidos.

* No século III, o rigor de que falávamos dá lugar a excessos e heresia. Propaga-se a heresia de Montano, que pregava que o final do mundo estava próximo e dizia: "A Igreja pode perdoar os pecados, mas eu não o farei para que outros não pequem mais". Tertuliano e muitos outros se aderem ao "montanismo".

* Com grandes dificuldades, a Igreja superou esta heresia, esclarecendo o estatuto do penitente e a forma pública e solene em que devia desenvolver a disciplina sacramental da penitência.

* Depois que a Igreja impôs a penitência, os pecadores se constituíam em um grupo penitencial ou "ordem dos penitentes". Os pecados não se proclamavam em público, mas se era pública a entrada do grupo já que se fazia diante do bispo e dos fiéis.

* O "ordem dos penitentes" mantinha um longo tempo de renúncia ao mundo, semelhante ao dos monges mais austeros. Segundo a região, os penitentes levavam um hábito especial ou a cabeça raspada.

* O bispo fixava a medida da penitência. "a cada pecado corresponde sua penitência adequada, plena e justa". Fixavam-se as obrigações penitenciais por meio de concílios locais, ex. Elvira, na Espanha ou Arlés, na França. As obrigações penitenciais eram de tipo geral, litúrgicas e as estritamente penitenciais, como a vida mortificada, jejuns, esmolas e outras formas de virtude exterior.

* Na prática ocorria que as pessoas iam pospondo o tempo de penitência até a hora da morte, fazendo da penitência, um exercício de preparação para bem morrer, porque só podia ser exercitada uma vez.

* O processo penitencial equivalia a um verdadeiro estado de excomunhão. Até que o penitente não fora reconciliado, não podia aproximar-se da Eucaristia. O término do processo penitencial era a reconciliação com a Igreja, sinal da reconciliação com Deus.

* A partir do século V se realizava a reconciliação Na quinta-feira Santa, ao término de uma quaresma que, de por si, já é um exercício penitencial.

* O bispo acolhia e impunha as mãos aos penitentes, em sinal de bênção. A prece dos fiéis era o eco comunitário desta reconciliação.

* Enquanto, nas Ilhas Britânicas, especialmente na Irlanda, ia abrindo passo a um novo procedimento de reconciliação com penitência privada com um sacerdote e utilizando os famosos manuais de pecados (penitenciais), confeccionados por alguns Padres da Igreja, como Santo Agostinho ou Cesáreo de Arlés. Das Igrejas Celtas, esta forma de penitência se propaga pela Europa.

* Os manuais penitenciais estabeleciam a penitência segundo o pecado cometido e foram muito importantes para evitar o "barateamento do perdão" e o relaxamento do compromisso cristão. Ajudaram também a desmascarar as heresias dos séculos III ao VII. Delimitavam o que que é pecado grave, fruto da malícia e o que é pecado leve, cometido por debilidade ou imprudência.

* Renuncia-se ao princípio de outorgar a reconciliação uma só vez na vida.

Concílio de Trento reiterou a fé da Igreja: a confissão dos pecados diante dos sacerdotes, é necessária para os que caíram (gravemente) depois do Batismo.
A confissão íntegra, por parte do penitente, e a absolvição, por parte do sacerdote que preside o Sacramento e que faz de mediador do julgamento benévolo e regenerador de Deus sobre o pecador, vêm sendo as duas colunas da disciplina do Concílio de Trento até nossos dias, (Código de Direitos Canônicos, Cânon 960).

Exame de consciência


Precisamente por sermos pecadores, ficamos cegos diante de nossos pecados. Satanás quer nos fazer ver que não há mal no que fazemos. Então o coração se endurece, torna-se insensível às exigências do amor. Por isso é tão importante a conversão do coração.
"Por isso, como diz o Espírito Santo: "Se escutardes hoje MINHA voz, não endureceis o coração... Atenção irmãos! Que nenhum de vós tenhais um coração mau e incrédulo..." Hb 3.
Deus é um Pai amoroso que nos faz ver o pecado para nos dar a graça do arrependimento e nos perdoar. O nos quer livres. O demônio não quer que vejamos nosso pecado. Mas se procurarmos o caminho de Deus tratará de nos acusar com nossos pecados para que nós desanimemos e voltemos atrás. Podemos discernir então a diferença. Deus mostra o pecado para libertar e perdoar; o demônio o esconde mas quando o mostra é para que nos desesperemos. Devemos rejeitar energicamente estes pensamentos e ir à confissão com toda confiança no perdão de Deus. Deus SEMPRE perdoa quando há arrependimento.
É muito proveitoso fazer exame de consciência diário e também, com toda humildade, nos abrir a que pessoas próximas de nós nos corrijam. "Se examinássemos a nós mesmos, não seríamos condenados." (1 Cor. 11, 31)
O exame se faz diante de Deus, escutando sua voz na consciência.


Preparação para a confissão
Preparação remota: Educamo-nos na fé pelo estudo da Palavra, o Catecismo, leitura dos Santos, participação nos ensinamentos... A prática séria do que aprendemos. O exame diário de consciência.
Preparação imediata: O exame de consciência antes de confessar. Vamos a um lugar tranqüilo, preferivelmente diante do sacrário, para orar. Só Deus pode iluminar sobre nossa realidade e nos dar os meios para responder à graça.
Contemplamos a vida de Jesus e seu amor manifesto em Sua Cruz. "Contemplai ao que transpassaram" Jo 19:37. Como respondi a tanto amor, a tantas graças?. Examinamos nossa vida diante da lei de Deus. Por isso ajuda ter um exame escrito que nos recorde o que esquecemos. Recordamos que não se trata de sugestões, Deus nos deu MANDAMENTOS. Quebrá-los é quebrar nossa aliança com Deus e cair em pecado.
Não se trata tão somente de enumerar pecados mas sim de descobrir a atitude do coração e com DOR POR NOSSOS PECADOS, FAZER O FIRME PROPÓSITO DE NÃO VOLTAR A COMETÊ-LOS.
Sempre há áreas nas quais somos mais fracos e requerem atenção especial mas se compreendermos que Cristo -não a cultura- é a medida, veremos que em tudo temos muito que crescer.
A confissão só pode ser feita diante de um sacerdote.

Catequese de João Paulo II sobre o Sacramento da Reconciliação

1. O caminho para o Pai, motivo de reflexão neste ano de preparação ao grande Jubileu, implica também o redescobrimento do sacramento da Penitência em seu significado profundo de encontro com Ele, que perdoa mediante Cristo no Espírito (cf. Tertio Millennio Adveniente, 50).
São numerosos os motivos pelos que é urgente fazer uma séria reflexão na Igreja sobre este sacramento. Exige-o, acima de tudo, o anúncio do amor do Pai, como fundamento da vida e da ação do cristão, no contexto da sociedade atual, onde com freqüência se ofusca a visão ética da existência humana. Muitos perderam a dimensão do bem e do mal porque perderam o sentido de Deus, interpretando a culpa unicamente segundo perspectivas psicológicas ou sociológicas. Em segundo lugar, a pastoral deve dar um novo impulso a um itinerário de crescimento na fé, que sublinhe o valor do espírito e da prática penitencial em toda a vida cristã.

2. A mensagem bíblica apresenta esta dimensão "penitencial" como compromisso permanente de conversão. Fazer obras de penitência supõe uma transformação da consciência, que é fruto da graça de Deus. Sobretudo, no Novo Testamento, exige-se a conversão como decisão fundamental àqueles a quem se dirige a pregação do reino de Deus: "Convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1,15; cf. MT 4,17). Com estas palavras Jesus inicia seu ministério, anuncia o cumprimento dos tempos e a iminência do reino. Este "convertei-vos" (em grego: "metanoéite") é um chamado a mudar de modo de pensar e de se comportar.

3. Este convite à conversão constitui a conclusão vital do anúncio feito pelos apóstolos depois de Pentecostes. Nele, o objeto do anúncio fica totalmente explícito: já não é genericamente o "reino", mas sim a obra mesma de Jesus, integrada no plano divino predito pelos profetas. Ao anúncio do que teve lugar com o Jesus Cristo morto, ressuscitado e vivo na glória do Pai, segue-lhe o premente convite à "conversão", a que está ligada o perdão dos pecados. Tudo isto aparece claramente no discurso que Pedro pronuncia no pórtico de Salomão: "Deus deu cumprimento deste modo ao que tinha anunciado por boca de todos os profetas: que seu Cristo padeceria. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam apagados" (At 3,18-19). Este perdão dos pecados, no Antigo Testamento, foi prometido por Deus no contexto da "nova aliança", que Ele estabelecerá com seu povo (cf Jr 31,31-34). Deus escreverá a lei no coração. Nesta perspectiva, a conversão é um requisito da aliança definitiva com Deus e ao mesmo tempo uma atitude permanente daquele que, acolhendo as palavras do anúncio evangélico, passa a formar parte do reino de Deus em seu dinamismo histórico e escatológico.

4. O sacramento da Reconciliação transmite e torna visível de maneira misteriosa estes valores fundamentais anunciados pela Palavra de Deus. Reintegra o homem no contexto salvífico da aliança e os torna a abrir à vida trinitária, que é diálogo de graça, circulação de amor, dom e acolhida do Espírito Santo.
Uma releitura atenta do "Ordo Paenitentiae" ajudará muito a aprofundar, com motivo do Jubileu, nas dimensões essenciais deste sacramento. A maturidade da vida eclesiástica depende em grande parte de seu redescobrimento. O sacramento da Reconciliação, de fato, não se circunscreve ao momento litúrgico-celebrativo, mas sim leva a viver a atitude penitencia assim que dimensão permanente da experiência cristã. É "uma aproximação à santidade de Deus, um novo encontro com a própria verdade interior, turvada e transtornada pelo pecado, uma liberação no mais profundo de si mesmo e, com isso, uma recuperação da alegria perdida, a alegria de ser salvos, que a maioria dos homens de nosso tempo deixou de experimentar" ("Reconciliatio et paenitentia", 31,III).

5. Por isso se refere aos conteúdos doutrinais deste sacramento, remeto-me à exortação apostólica "Reconciliatio et paenitentia" (cf. nn.28-34) e ao "Catecismo da Igreja Católica" (cf. nn.1420-1484), assim como às demais intervenções do Magistério eclesiástico. Nestes momentos desejo recordar a importância da atenção pastoral necessária para valorar este sacramento no povo de Deus, para que o anúncio da reconciliação, o caminho de conversão e a mesma celebração do sacramento possam tocar ainda mais os corações dos homens e das mulheres de nosso tempo.

Em particular, desejo lembrar aos pastores que para ser bons confessores terão que ser autênticos penitentes. Os sacerdotes sabem que são depositários de uma potestade que vem do alto: de fato, o perdão que transmitem é "sinal eficaz da intervenção do Pai" ("Reconciliatio et paenitentia", 31,III) que faz ressuscitar da morte espiritual. Por isso, vivendo com humildade e simplicidade evangélica uma dimensão tão essencial de seu ministério, os confessores não devem descuidar sua própria perfeição e atualização em sua formação para que não desfaleçam nessas qualidades humanas e espirituais que são tão necessárias para a relação com as consciências.

Mas, junto aos pastores, toda a comunidade cristã deve ficar envolvida na renovação pastoral da Reconciliação. Isto o impõe o caráter eclesiástico próprio do sacramento. A comunidade eclesiástica é o seio que acolhe ao pecador arrependido e perdoado e, antes ainda, cria o ambiente adaptado para o caminho de volta ao Pai. Em uma comunidade reconciliada e reconcialiante os pecadores podem voltar a encontrar o caminho perdido e a ajuda dos irmãos. E, por último, através da comunidade cristã pode voltar para traçar um sólido caminho de caridade, que faça visível através das boas obras o perdão recebido, o mal reparado, a esperança de poder encontrar ainda os braços misericordiosos do Pai.

João Paulo II

Vaticano, 15 setembro de 1999

Parábolas de conversão e perdão

- O fariseu e o publicano (reconhecer nosso pecado) Lc.19, 10-14
- Os dois filhos (conversão) Mt.21, 28-31
- A figueira estéril (um Deu paciente e premiante) Lc.13,6-9
- Os dois devedores (amor com amor se paga) Lc.7, 36-50
- O servo sem coração (perdão com perdão se paga) Mt.18, 23-35
- A ovelha desgarrada (Iniciativa amorosa do Pai) Lc.15, 4-7
- O Filho pródigo (Voltar ao Pai misericordioso) Lc.15, 11-32

continua...

Fonte: http://www.acidigital.com/

continuação... QUARESMA - Reconciliação.

Exame de consciência

Precisamente por sermos pecadores, ficamos cegos diante de nossos pecados. Satanás quer nos fazer ver que não há mal no que fazemos. Então o coração se endurece, torna-se insensível às exigências do amor. Por isso é tão importante a conversão do coração.

"Por isso, como diz o Espírito Santo: "Se escutardes hoje MINHA voz, não endureceis o coração... Atenção irmãos! Que nenhum de vós tenhais um coração mau e incrédulo..." Hb 3.

Deus é um Pai amoroso que nos faz ver o pecado para nos dar a graça do arrependimento e nos perdoar. O nos quer livres. O demônio não quer que vejamos nosso pecado. Mas se procurarmos o caminho de Deus tratará de nos acusar com nossos pecados para que nós desanimemos e voltemos atrás. Podemos discernir então a diferença. Deus mostra o pecado para libertar e perdoar; o demônio o esconde mas quando o mostra é para que nos desesperemos. Devemos rejeitar energicamente estes pensamentos e ir à confissão com toda confiança no perdão de Deus. Deus SEMPRE perdoa quando há arrependimento.

É muito proveitoso fazer exame de consciência diário e também, com toda humildade, nos abrir a que pessoas próximas de nós nos corrijam. "Se examinássemos a nós mesmos, não seríamos condenados." (1 Cor. 11, 31)

O exame se faz diante de Deus, escutando sua voz na consciência.

Preparação para a confissão

Preparação remota: Educamo-nos na fé pelo estudo da Palavra, o Catecismo, leitura dos Santos, participação nos ensinamentos... A prática séria do que aprendemos. O exame diário de consciência.

Preparação imediata: O exame de consciência antes de confessar. Vamos a um lugar tranqüilo, preferivelmente diante do sacrário, para orar. Só Deus pode iluminar sobre nossa realidade e nos dar os meios para responder à graça.

Contemplamos a vida de Jesus e seu amor manifesto em Sua Cruz. "Contemplai ao que transpassaram" Jo 19:37. Como respondi a tanto amor, a tantas graças?. Examinamos nossa vida diante da lei de Deus. Por isso ajuda ter um exame escrito que nos recorde o que esquecemos. Recordamos que não se trata de sugestões, Deus nos deu MANDAMENTOS. Quebrá-los é quebrar nossa aliança com Deus e cair em pecado.

Não se trata tão somente de enumerar pecados mas sim de descobrir a atitude do coração e com DOR POR NOSSOS PECADOS, FAZER O FIRME PROPÓSITO DE NÃO VOLTAR A COMETÊ-LOS.

Sempre há áreas nas quais somos mais fracos e requerem atenção especial mas se compreendermos que Cristo -não a cultura- é a medida, veremos que em tudo temos muito que crescer.

A confissão só pode ser feita diante de um sacerdote.

Exame de conciência com base nas quatro rupturas

Examine-se - ajudado por estas perguntas - quais pecados você cometeu desde sua última confissão? Trate de não ficar no exterior, mas sim nas atitudes do coração e as omissões.

Ruptura com Deus:

Amo na verdade a Deus com todo meu coração ou vivo mais apegado às coisas materiais?
Preocupei-me por renovar minha fé cristã através da oração, a participação ativa e atenta da missa dominical, a leitura da Palavra de Deus, etc.? Guardo os domingos e dias de festa da Igreja? cumpri com o preceito anual da confissão e a comunhão pascal?

Tenho uma relação de confiança e amizade com Deus, ou cumpro somente com ritos externos?
Professei sempre, com vigor e sem temores minha fé em Deus? manifestei minha condição de cristão na vida pública e privada?

Ofereço ao Senhor meus trabalhos e alegrias? Recorro a Ele constantemente, ou só o busco quando o necessito?

Tenho reverência e amor para o nome de Deus ou lhe ofendo com blasfêmias, falsos juramentos ou usando seu nome em vão?

Ruptura comigo mesmo:

Sou soberbo e vaidoso? Considero-me superior a outros?

Procuro aparentar algo que não sou para ser valorizado por outros? Aceito a mim mesmo, ou vivo na mentira e no engano? Sou escravo de meus complexos?

Que uso tenho feito do tempo e dos talentos que Deus me deu? Me esforço por superar os vícios e inclinações más como a preguiça, a avareza, a gula, a bebida, a droga?

Caí na luxúria com palavra e pensamentos impuros, com desejos ou ações impuras?
Realizei leituras ou assisti a espetáculos que reduzem a sexualidade a um mero objeto de prazer?

Caí na masturbação ou a fornicação? cometi adultério?

Recorri a métodos artificiais para o controle da natalidade?

Ruptura com os irmãos e com a criação:

Amo de coração o meu próximo como a mim mesmo e como o Senhor Jesus me pede que o ame?

Em minha família colaboro em criar um clima de reconciliação com paciência e espírito de serviço?

Foram os filhos obedientes a seus pais, prestando-lhes respeito e ajuda em todo momento

Preocupam-se os pais em educar na vida cristã seus filhos e de respirá-los em seu compromisso de vida com o Senhor Jesus?

Abusei que meus irmãos mais fracos, usando-os para meus fins?

Insultei meu próximo? Escandalizei-o gravemente com palavras ou com ações?

Se me ofenderam, sei perdoar, ou guardo rancor e desejo de vingança?

Compartilho meus bens e meu tempo com os mais pobres, ou sou egoísta e indiferente à dor de outros? Participo das obras de evangelização e promoção humana da Igreja?

Me Preocupo pelo bem e a prosperidade da comunidade humana em que vivo ou passo a vida preocupado tão somente comigo mesmo? cumpri com meus deveres cívicos? paguei meus tributos?

Sou invejoso? Sou fofoqueiro e enganador? Difamei ou caluniei alguém? Violei segredos? Fiz julgamentos temerários sobre outros?

Sou mentiroso?

Causei algum dano físico ou moral a outros? Inimizei-me com ódios, ofensas ou brigas com meu próximo? fui violento?

Procurei ou induzi ao aborto?

Fui honesto em meu trabalho? Usei corretamente a criação ou abusei dela com fins egoístas? Roubei? Fui justo na relação com meus subordinados tratando-os como eu gostaria de ser tratado por eles? Participei do negócio ou consumo de droga? Caí na fraude ou estelionato?

Recebi dinheiro ilícito?

Exame de consciência a partir dos 10 Mandamentos

Este exame é para aqueles que, amando a Cristo, não se conformam evitando pecados graves, mas sim desejam amá-lo com todo o coração.

Amará a Deus sobre todas as coisas (Primeiro mandamento).
Não tomará o nome de Deus em vão. (Segundo Mandamento).

amei a Deus acima de tudo?
-A quem (ou o que) dei a maior atenção?
-Fiz da minha família, trabalho, apostolados, programas, idéias ou outras coisas boas meu primeiro amor?
-Sei na prática o que é confiar no amor e o poder de Deus?
-Confio tudo a Deus ou quero fazer tudo eu sozinho?
-Confio em Deus quando tudo parece ir mal?
-Caí na superstição ou outra prática religiosa alheia ao cristianismo?

Oração Diária
Como foi diariamente minha vida de oração?:
-Tempo pessoal com Deus; liturgia das horas; oração familiar?
-Louvei a Deus; dei-lhe graças ou me queixei?
-Intercedo por minha família, grupo, Igreja, pelo mundo?
-Orei com o coração, aberto ao Espírito Santo?
-Tomo tempo para discernir?
-Sei o que é esperar no Senhor, escutá-lo? -Tenho feito isso?
-Quando me dá algum ensinamento eu o guardo em meu coração e procuro aprofundá-lo?
-Incluo meu esposo/a (ou outra pessoa formada e prudente) em meu discernimento ou só lhes informo de minhas decisões?; -Escuto, obedeço e respeito aos que têm legitima autoridade sobre mim (leis justas, chefes, etc.)?.
-Que critérios tenho para determinar se algo que quero fazer é do Espírito Santo ou é meu?,-Parece-me importante ter e seguir sempre esses critérios?
-Uso os dons que Deus me deu para sua glória?
-Estou aberto a receber novos dons segundo Deus disponha?
-Fui legalista (fazendo sozinho o necessário para cumprir) ou vivo minha fé no Espírito
me entregando com todo o coração?

Obediência
-Procuro conhecer na oração a vontade de Deus para minha vida?
-Obedeço o ensino do magistério ou interpreto à minha maneira?
-O que motiva minha vida, a vontade de Deus ou meus próprios "bons" planos (minha vontade).
-Permito que Deus me guie ou lhe "entrego" os planos já feitos para que os abençoe?.
-Meus gostos, critérios, dúvidas, confusões, pensamentos, atitudes e valores -em que instâncias não estiveram sob o Senhor?
-Em meus gostos, meus critérios, medos, dúvidas, confusões...

Estudo
-Estudo minha fé católica (Bíblia, magistério, livros sólidos) ou me contento com meu próprio modo de entender a Deus?, Estou avançando em minha formação como devo?.
-Que passos práticos dou para me formar na fé?

Ordem e Prioridades
-Meu tempo responde às prioridades de Deus ou às pressões de qualquer pessoa ou ocasião para `ficar bem'?); Interpreto o que faço na perspectiva da vida eterna?; Reflito sobre minha morte; sobre o julgamento final?
-Tenho prioridades claras e sou firme para vivê-las? Perco o tempo (revistas, programas, etc.) que não edificam?
-Tenho um horário e organizo o dia com disciplina, dando tempo a cada área com sabedoria: oração, família, trabalho...?; Em que me desordenei? Fico em algo que eu gosto sabendo que é hora de fazer outra coisa?
-Respeito o tempo e necessidades dos outros: quando procuro ajuda, ao telefone, etc..?
-Cuido da saúde; tenho algum vício, falta de exercício, descanso, alimentação... Cuido-me muito?

Santificará o dia do Senhor. (Terceiro Mandamento)

Guardo o dia do Senhor para o Senhor ou trabalho desnecessariamente nesse dia?
-Vou à missa todos os domingos?;adorei e pus todo meu coração em Cristo Eucarístico que me espera no sacrário?
-Eu o amei e consolei pelo tanto que é ofendido?
-Vou a missa diária se puder?; recebi com preparação o Senhor?

A Cruz
-meditei diante da cruz?; procuro seu poder transformador e sua sabedoria?; como se manifesta em minha vida?
-Peço a Deus a graça de amar a cruz?
-Saí da vontade de Deus para evitar a cruz?
-Uno minha cruz à de Cristo?: problemas, doenças, responsabilidades, pessoas, minha idade, minha vocação...
-Procuro a satisfação de todas minhas necessidades físicas e emocionais ou sei me mortificar por amor a Jesus?.
-Me uno à cruz de quem sofre?; Sacrifico-me para amar?.

Confissão
-Rejeito o pecado embora este seja aceitável segundo a cultura?; pensei ou atuei levianamente como se a retidão dos Santos é "exagero"?
-Evitei a ocasião de pecado: ambientes, programas, más amizades...?
-Procuro que Deus me mostre meu pecado (também pecados velhos e esquecidos)?.
-Reconheço e reparo com responsabilidade meus pecados e faltas ou me justifico?
-Quando me corrigem, fico agradecido?.
-Quando foi minha última confissão?, Minimizei o pecado por pena?; houve mudanças?.
-Fiz uma confissão completa ou escondi algo?
-Há algo (hábito, ferida, complexo) que o inimigo usa para seu proveito?; o que faço para permitir que Deus me liberte?
-Devo me reconciliar com alguém e não o tenho feito?

Maria
-Consagrei a Ela e, se o tiver feito, vivo minha consagração plenamente? -Como?
-Aceito seu cuidado maternal?; Deixo-me formar por ela? -Como?.
-Recorro a ela em oração, medito sua vida?.

Relacionamento com outros
-Estão todas minhas relações à luz do Senhor: amorosas, castas, sões e sinceras?
-Guardo ódios ou inimizades?
-Brigas, rivalidades, violências, ambições, discórdias, sectarismo, dissensões, invejas, embriaguezes
-Fui fiel aos compromissos com meus irmãos e com outros?; Estou crescendo nestes compromissos?
-Sou confiável no lar, grupo, trabalho...?; -Cumpro minhas promessas, compromissos, guardo confidencialidade?
-Procuro a unidade no Senhor? (Fl. 2, 1-11, 1 Cor. 10,17)
-Sou serviçal?
-Sou atento sem ser curioso?
-Sou prudente no que falo e como atuo?
-Sou agradecido pelo serviço de rotina que recebo?

Honrará a teu pai e tua mãe (Quarto mandamento).

No Lar
-Obedeço, cuido e honro meus pais segundo minha idade e suas necessidades?
-Fico de cara feia?
-Dou tempo à família?; Jantar juntos?; Diversões?
-Hospitalidade?
-Relação com irmãos?
-Responsabilidade nos estudos?
-Ajuda econômica no lar segundo a necessidade?
Casados: (além do mencionado)
-Protejo minha casa e os meus das más influências do ambiente? Como?
-Manipulei com meus estados de ânimo e aborrecimentos para que se faça o que quero?
-Permito que outros (pais, amigos) manipulem ou se anteponham ao matrimônio? .
-Honro e respeito a meu esposo/a em todo momento?
-Compartilhei com meu esposo/a a visão para a família?; O escuto com interesse?;
-Expresso amor, carinho e respeito a meu esposo/a?;
-E a meus filhos?
-Detecto os problemas e os enfrento com sabedoria?
-Que medidas tomo para que minha casa seja um lar?
-Sou responsável e ordenado com a economia?; Ajudo-lhes para que possam orar, estudar, descansar, ir a seu grupo, cumprir suas responsabilidades?
Formação: dos filhos: compartilho com eles, ensino e guio?, escuto?, Ensino e dou disciplina com sabedoria?; dou-lhes boa educação para que sejam bons cristãos?

Não matarás. (Quinto Mandamento).

De algum modo matei ou atentei contra a vida? (ex.: apoio ou participação em aborto, suicídio, dirigir sem cuidado, atos irresponsáveis que põem uma vida em perigo, agressão, violência, etc.? atentei contra a dignidade de alguém?.

Não cometerás atos impuros. (não adultério, não fornicação) (Sexto Mandamento).

-Procurei afetividade fora da ordem do Senhor?
-Como distingo entre sentimentalismo e uma autêntica relação de amor entre irmãos?; Me relaciono segundo meu estado de ânimo ou o que edifica no amor?
-Fantasias ou atos impuros, comigo mesmo ou com outros?
-Piadas, programas, atitude sedutora, indecência em vestir?
-Obedeço o plano de Deus para a sexualidade em meu estado de vida?

Não roubarás (Sétimo mandamento).

-De algum modo roubei?
Descuidando ou não devolvendo propriedade alheia ou comum)?
Aproveito-me do meu de posto para benefício pessoal?

Não levantarás falsos testemunhos nem mentirás (Oitavo Mandamento).

-Quem inspira minhas palavras: Deus ou meu ego?quis dar minha opinião em tudo?
-Digo a verdade?; revelei segredos; julguei ou fiz fofocas?
-Queixei-me procurando comiseração ou desafogo?
-Pus minha atenção ao indevido
-Falei o que não edifica: piadas grosseiras, que ferem a alguma raça, nacionalidade, etc.?

Não consentirás pensamentos nem desejos impuros (Nono Mandamento).

- Cobicei a mulher ou o marido de meu próximo?
- Olhei a um homem a uma mulher de maneira impura?

Não cobiçarás os bens alheios (Décimo Mandamento).

- Desejei os bens alheios?
- Fui invejoso?
- Fui avaro?
- Comi mais do que necessito?
- Fui orgulhoso?

Obras de Misericórdia

-Corporais: solidariedade com doentes/famintos/sedentos/presos/nus/forasteiros Enterrar os mortos. Vejo estes como irmãos pelos quais me entrego?.
-Espirituais: dar bom conselho/ corrigir/ perdoar (guardo algum ressentimento?)/ consolar/ sofrer com paciência as moléstias do próximo/ rezar pelos vivos e os mortos.
-Estou atento à dor alheia?; Faço a acepção de pessoas segundo sua aparência?
-Vivo em simplicidade?; -Imito a Cristo que foi pobre?, sou livre de apegos materiais?
-Isto se reflete em minha atitude nas compras?; deixo-me levar por desejos?; quais?
-Coopero com as obras da Igreja com verdadeiro sacrifício e amor ou dou de minhas sobras?
Evangelização
-Sou testemunho?; Sou sal da terra e luz do mundo?
-Me esforço de todo coração para que Cristo seja conhecido e amado por todos?
-Estou em comunhão com o espírito missionário da Igreja?
-Levo a minhas amizades ao Senhor ou deixo que elas me arrastem ao mundo?
-Quando evangelizo, faço com segurança ou como se fosse uma opinião qualquer?; Respondo ao Espírito ou me paralisa pensar no `que dirão'?
Domínio das Emoções: Ressentimentos, caprichos, impulsos, medos....
-Quais são minhas emoções mais salientes?; Submeto-as ao Senhor para as processar para o bem? de que forma estão afetando meu comportamento?
-Procuro primeiro meu interesse e comodidade ou servir com amor?

Exame de consciência com base nos pecados capitais e as virtudes contrárias

Soberba / Humildade

-Fui humilde ao pensar, comparei-me com outros, tratei de chamar a atenção com minha sabedoria', meu físico, etc.?; Reconheço-me pequeno?; Desprezo os outros em meu coração?
-Me ressenti pelo trato ou posto recebido?; Qual é a motivação de minhas aspirações?.
-Distingo entre o que é doutrina e o que é minha opinião?; -Sou prudente ao dar minha opinião; acredito que é a única; acredito que sem minha presença as coisas não vão bem?
-Sei distinguir o que é minha missão ou me intrometo no que não me corresponde?
-Reconheço que não tenho razão de me glorificar mas sim em Cristo?; De que forma minhas ações estão misturadas com orgulho, vaidade, egoísmo?
-Reconheço meus enganos e peço perdão?
-Posso ajudar sem mandar?

Avareza / Generosidade

-Estou apegado às coisas, Sacrifico tempo, dinheiro, para servir segundo o plano de Deus?.
-Jogo com o dinheiro?

Luxúria / Castidade (já examinado acima)

Ira / Paciência

-Sei lidar com as cruzes, doenças, problemas com relações, trabalho, etc.?
-Perco a paz; manifesto mau humor quando as coisas não são como eu espero?
-Jogo a culpa nas circunstâncias?.

Gula / Moderação

-Como mais do necessário?, Faço jejum?
-Estou viciado em álcool, drogas, pílulas?

Inveja / Caridade

-Sinto ciúmes por posições, talentos... outros grupos da Igreja? ou me alegro quando outros melhoram. Que casos posso pensar em que não me alegre?

Preguiça / Diligência

-Fiquei adormecido como os discípulos diante do que Jesus me pedia?
-Sou atento a cumprir meus deveres?
-O que faço para edificar minha família e grupo?
-Sou rápido em servir mesmo que não tenho vontade?
-`Descanso' mas do que necessário?
-Deixo as coisas para mais tarde

Bem-aventuranças (Mateus 5, 1-2)

-Fui pobre de espírito, livre de apegos?,
-Fui manso, paciente, edificando com os meios Santos?
-Chorei diante dos pecados que ofendem a Deus?
-Ttive fome e sede de justiça?
-Fui misericordioso?
-Fui limpo de coração, puro de pensamento?
-Trabalho pela paz, em minha pessoa, lar, grupo, mundo?
-Sofro com alegria ao ser perseguido por causa da justiça (como reajo diante das critica "injustas" ou incompreensões?

Depois do exame se devem fazer resoluções por escrito, segundo o estado atual para trabalhar nele e revisá-lo mas tarde.
SACRAMENTOS
Sacramento da Reconciliação
Jesus comunica seu poder de perdoar a seus Apóstolos.Assim como Deus Pai deu tudo a Jesus, assim também Jesuscomunica à Igreja, esse poder de perdoar que dEle emanava para regenerar os homens."Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados" (Jo 20, 23).
Perguntas e respostas sobre o Sacramento da Penitência

1. O que é o sacramento da Penitência?
O sacramento da Penitência, ou Reconciliação, ou Confissão, é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para apagar os pecados cometidos depois do Batismo. É, por conseguinte, o sacramento de nossa cura espiritual, chamado também sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente nosso retorno aos braços do pai depois de que nos afastamos com o pecado.

2. É possível obter o perdão dos pecados mortais sem a confissão?
Depois do Batismo não é possível obter o perdão dos pecados mortais sem a Confissão, embora seja possível antecipar o perdão com a contrição perfeita acompanhada do propósito de confessar-se.

3. E se depois de feita a constrição a pessoa não se confessa?
Quem se comporta desta maneira comete uma falta grave. Pois todos os pecados mortais cometidos depois do batismo devem ser acusados na Confissão.

4. O que se requer para fazer uma boa confissão?
Para fazer uma boa confissão é necessário: fazer um cuidadoso exame de consciência, arrepender-se dos pecados cometidos e o firme propósito de não cometê-los mais (contrição), dizer os outros pecados ao sacerdote (confissão), e cumprir a penitência (satisfação).

5. O que é o exame de consciência?
O exame de consciência é a diligente busca dos pecados cometidos depois da última Confissão bem feita.

6. No exame de consciência é necessário ter exato o número dos pecados?
Dos pecados graves ou mortais é preciso acusar também o número, porque cada pecado mortal deve ser dito na confissão.

7. O que é a dor dos pecados?
A dor dos pecados é o sincero pesar e a repulsa dos pecados cometidos.

8. De quantos tipos é a dor?
A dor é de dois tipos: dor perfeita (ou contrição) e dor imperfeita (ou atrição).

9. Quando se tem dor perfeita ou contrição?
Tem-se a dor perfeita ou contrição quando se arrepende dos próprios pecados porque se ofendeu a Deus, imensamente bom e digno de ser amado: quando a dor nasce do amor desinteressado a Deus, quer dizer, da caridade.

10. Quando se tem a dor imperfeita ou atrição?
Tem-se a dor imperfeita ou atrição quando o arrependimento, assim que inspirado pela fé, tem motivações menos nobres: por exemplo, quando nasce da consideração da desordem causada pelo pecado, ou pelo temor da condenação eterna (Inferno) e das penas que o pecador pode receber.

11. Pela dor dos pecados obtém-se imediatamente o perdão?
A dor perfeita unida ao propósito de confessar-se obtém imediatamente o perdão; a dor imperfeita só se obtém, pelo contrário, na confissão sacramental.

12. É necessário arrepender-se de todos os pecados cometidos?
Para a validez da confissão é suficiente arrepender-se de todos os pecados mortais, mas para o progresso espiritual é necessário arrepender-se também dos pecados veniais.

13. Um verdadeiro arrependimento requer também o propósito de abandonar o pecado?
O arrependimento certamente olha para o passado, mas implica necessariamente um empenho para o futuro com a firme vontade de não cometer jamais o pecado.

14. Pode-se ter um verdadeiro arrependimento se a gente prevê que antes ou depois tornará a cair em pecado?
A previsão do pecado futuro não impede que se tenha o propósito sincero de não cometê-lo mais, porque o propósito depende só do conhecimento que nós temos de nossa fraqueza.

15. O que é a confissão?
A confissão é a manifestação humilde e sincera dos próprios pecados al sacerdote confessor.

16. Quais pecados são obrigatórios confessar?
Estamos obrigados a confessar todos e cada um dos pecados graves, ou mortais, cometidos depois da última confissão bem feita.

17. Quais são os pecados mortais mais freqüentes?
As faltas objetivamente mortais mais freqüentes são (seguindo a ordem dos mandamentos): praticar de qualquer modo a magia; blasfemar; perder a Missa dominical ou as festas de preceitos sem um motivo sério; tratar mau aos próprios pais ou superiores; matar ou ferir gravemente a uma pessoa inocente; procurar diretamente o aborto; procurar o prazer sexual e solitário ou com outras pessoas que não sejam o próprio cônjuge; para os cônjuges, impedir a concepção no ato conjugal; roubar alguma soma relevante, inclusive desviando ou subtraindo no trabalho; murmurar gravemente sobre o próximo ou caluniá-lo; cultivar voluntariamente pensamentos ou desejos impuros; faltar gravemente com o próprio dever; aproximar-se da Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal; omitir voluntariamente um pecado grave na confissão.

18. Se a pessoa esquece um pecado mortal, obtém igualmente o perdão na confissão?
Se a pessoa esquecer um pecado mortal, pode obter igualmente o perdão, mas na confissão seguinte deve confessar o pecado esquecido.
19. Se a pessoa omitir voluntariamente um pecado mortal obtém o perdão dos outros pecados?
Se uma pessoa, por vergonha ou por outros motivos, omite um pecado mortal, não só não obtém nenhum perdão, mas também comete um novo pecado de sacrilégio, o de profanação de uma coisa sagrada.
20. Há obrigação de confessar os pecados veniais?
A confissão dos pecados veniais não é necessária, mas é muito útil para o progresso da vida cristã.
21. O confessor deve dar sempre a absolvição?
O confessor deve dar sempre a absolvição se o penitente estiver bem disposto, quer dizer, se estiver sinceramente arrependido de todos seus pecados mortais. Se pelo contrário, o penitente não está bem disposto, não tendo a dor ou o propósito de emenda, então o confessor não pode e não deve dar a absolvição.
22. O que deve fazer o penitente depois da absolvição?
O penitente depois da absolvição deve cumprir a penitência que lhe foi imposta e reparar os danos que seus pecados eventualmente tiverem causado ao próximo (por exemplo, deve restituir o roubado).
23. Quais são os efeitos do sacramento da Penitência?
São a reconciliação com Deus e com a Igreja, a recuperação da graça santificante, o aumento das forças espirituais para caminhar para a perfeição, a paz e a serenidade da consciência com uma viva consolação do espírito.
24. Como se pode superar a dificuldade que se sente para confessar-se?
Que tem dificuldades para confessar-se deve considerar que o sacramento da Penitência é um dom maravilhosos que o Senhor nos deu. No "tribunal" da Penitência o culpado jamais é condenado, mas sempre absolvido. Pois quem se confessa não se encontra com um simples homem, mas com Jesus, o qual, presente em seu ministro, como fez um tempo com o leproso do Evangelho (Mc 1, 40ss.) também hoje nos toca ou nos cura; e, como fez com a menina que jazia morta nos toma pela mão repetindo aquelas palavras: "Talita kumi, menina, eu te digo, levante-te!" (Mc 5, 41).
25. A confissão nos ajuda também no caminho da virtude?
A confissão é um meio extraordinariamente eficaz para progredir no caminho da perfeição. Com efeito, além de nos dar a graça "medicinal" própria do sacramento, faz-nos exercitar as virtudes fundamentais de nossa vida cristã. A humildade acima de tudo, que é a base de todo o edifício espiritual, depois a fé em Jesus Salvador e em seus méritos infinitos, a esperança do perdão e da vida eterna, o amor para Deus e para o próximo, a abertura de nosso coração à reconciliação com quem nos ofendeu. Enfim, a sinceridade, a separação do pecado e o desejo sincero de progredir espiritualmente.
continua...

Fonte: www.acidigital.com