domingo, 15 de fevereiro de 2009

QUARESMA - Tempo de Oração, Jejum e Caridade

Quaresma, tempo "forte" de oração, jejum e atenção aos necessitados, oferece a todo cristão a possibilidade de se preparar para a Páscoa fazendo um sério discernimento da própria vida, confrontando-se de maneira especial com a Palavra de Deus, que ilumina o itinerário cotidiano dos fiéis.

O que é a quaresma

A quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender dos nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo.

A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esfoço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal.

Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus.

Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.

40 dias

A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

A prática da Quaresma data do século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

O Tempo da Quaresma


I. O TEMPO DE QUARESMA

1. Um tempo com características próprias.

A Quaresma é o tempo que precede e dispõe à celebração da Páscoa. Tempo de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memória do Batismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de recurso mais freqüente às “armas da penitência cristã”: a oração, o jejum e a esmola (ver MT 6,1-6.16-18).

De maneira semelhante como o antigo povo de Israel partiu durante quarenta anos pelo deserto para ingressar na terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.

A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, nos afastar de todo aquilo que nos separa do Plano de Deus, e por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.

A Quaresma é um dos quatro tempos fortes do ano litúrgico e isso deve ver-se refletido com intensidade em cada um dos detalhes de sua celebração. Quanto mais forem acentuadas suas particularidades, mais frutuosamente poderemos viver toda sua riqueza espiritual.

Portanto é preciso se esforçar, entre outras coisas:

- Para que se capte que neste tempo são distintos tanto o enfoque das leituras bíblicas (na Santa missa praticamente não há leitura contínua), como o dos textos eucológicos (próprios e determinados quase sempre de modo obrigatório para cada uma das celebrações).

- Para que os cantos, sejam totalmente distintos dos habituais e reflitam a espiritualidade penitencial, própria deste tempo.

- Por obter uma ambientação sóbria e austera que reflita o caráter de penitencia da Quaresma.

2. Sentido da Quaresma.

O primeiro que devemos dizer ao respeito é que a finalidade da Quaresma é ser um tempo de preparação à Páscoa. Por isso se está acostumado a definir à Quaresma, “como caminho para a Páscoa”. A Quaresma não é portanto um tempo fechado em si mesmo, ou um tempo “forte” ou importante em si mesmo.

É mas bem um tempo de preparação, e um tempo “forte”, assim que prepara para um tempo “mais forte” ainda, que é a Páscoa. O tempo de Quaresma como preparação à Páscoa se apóia em dois pilares: por uma parte, a contemplação da Páscoa de Jesus; e por outra parte, a participação pessoal na Páscoa do Senhor através da penitência e da celebração ou preparação dos sacramentos pascais –batismo, confirmação, reconciliação, eucaristia-, com os que incorporamos nossa vida à Páscoa do Senhor Jesus.

nos incorporar ao “mistério pascal” de Cristo supõe participar do mistério de sua morte e ressurreição. Não esqueçamos que o Batismo nos configura com a morte e ressurreição do Senhor. A Quaresma procura que essa dinâmica batismal (morte para a vida) seja vivida mais profundamente. trata-se então de morrer a nosso pecado para ressuscitar com Cristo à verdadeira vida: “Eu lhes asseguro que se o grão de trigo…morre dará fruto” (Jo 20,24).

A estes dois aspectos terá que acrescentar finalmente outro matiz mais eclesiástico: a Quaresma é tempo apropriado para cuidar a catequese e oração das crianças e jovens que se preparam à confirmação e à primeira comunhão; e para que toda a Igreja ore pela conversão dos pecadores.

3. Estruturas do tempo de Quaresma.

Para poder viver adequadamente a Quaresma é necessário esclarecer os diversos planos ou estruturas em que se move este tempo.

Em primeiro lugar, é preciso distinguir a “Quaresma dominical”, com seu dinamismo próprio e independente, da “Quaresma das feiras”.

A. A “Quaresma dominical”.

Nela se distinguem diversos blocos de leituras. Além disso o conjunto dos cinco primeiros domingos, que formam como uma unidade, contrapõem-se ao último domingo –Domingo de Ramos na Paixão do Senhor-, que forma mas bem um todo com as feiras da Semana Santa, e inclusive com o Tríduo Pascal.

B. A “Quaresma ferial”.

Cabe também assinalar nela dois blocos distintos:

- O das Feiras das quatro primeiras semanas, centradas sobre tudo na conversão e a penitência.

- E o das duas últimas semanas, no que, a ditos temas, sobrepõe-se, a contemplação da Paixão do Senhor, a qual se fará ainda mais intensa na Semana Santa.

Ao organizar, pois, as celebrações feriais, terá que distinguir estas duas etapas, sublinhando na primeira os aspectos de conversão (as orações, os prefácios, as preces e os cantos da missa ajudarão a isso).

E, a partir da segunda-feira da V Semana, mudando um pouco o matiz, quer dizer, centrando mais a atenção na cruz e na morte do Senhor (sobre tudo as orações da missa e o prefácio I da Paixão do Senhor, tomam este novo matiz).

No fundo, há aqui uma visão teologicamente muito interessante: a conversão pessoal, que consiste no passado do pecado à graça (santidade), incorpora-se com um “crescendo” cada vez mais intenso, à Páscoa do Senhor: é só na pessoa do Senhor Jesus, nossa cabeça, onde a Igreja, seu corpo místico, passa da morte à vida.

Digamos finalmente que seria muito bom sublinhar com maior intensidade as feiras da última semana de Quaresma –a Semana Santa- nas que a contemplação da cruz do Senhor se faz quase exclusivamente (Prefácio II da Paixão do Senhor). Para isso, seria muito conveniente que, nesta última semana ficassem alguns sinais extraordinários que recalcassem a importância destes últimos dias. Embora as rubricas assinalam alguns destes sinais, como por exemplo o fato que estes dias não se permite nenhuma celebração alheia (nem que se trate de solenidades); a estes sinais terá que somar alguns de mais fácil compreensão para os fiéis, para evidenciar assim o caráter de suma importância que têm estes dias: por exemplo o canto da aclamação do evangelho; a bênção solene diária ao final da missa (bênções solenes, formulário “Paixão do Senhor”); uso de vestimentas roxas mais vistosas, etc.

4. O lugar da celebração.

Deve-se procurar a maior austeridade possível, tanto para o altar, o presbitério, e outros lugares e elementos celebrativos. Unicamente se deve conservar o que for necessário para que o lugar seja acolhedor e ordenado. A austeridade dos elementos com que se apresenta nestes dias a igreja (o templo), contraposta à maneira festiva com que se celebrará a Páscoa e o tempo pascal, ajudará a captar o sentido de passagem” (páscoa = passagem) que têm as celebrações deste ciclo.

Durante a Quaresma há que suprimir as flores (as que podem ser substituídas por plantas ornamentais), os tapetes não necessários, a música instrumental, a não ser que seja de tudo imprescindível para um bom canto. Uma prática que em algumas Igrejas poderia ser expressiva é a de cobrir o altar, fora da celebração eucarística, com um pano de tecido roxo.

Finalmente é preciso lembrar que a mesma austeridade em flores e adornos deve também aplicar-se ao lugar da reserva eucarística e à bênção com o Santíssimo, pois deve haver uma grande coerência entre o culto que se dá ao Santíssimo e a celebração da missa. La mesma coerência deve manifestar-se entre a liturgia e as expressões da piedade popular. Assim, pois, tampouco cabem elementos festivos, durante os dias quaresmais e de Semana Santa, nem no altar da reserva nem na exposição do Santíssimo.

5. Solenidades, festas e memórias durante a Quaresma.

Outro ponto que deve cuidar-se é o das maneiras de celebrar as festas do Santoral durante a Quaresma. O fator fundamental consiste em procurar que a Quaresma não fique obscurecida por celebrações alheias à mesma. Precisamente para obter este fim, o Calendário romano procurou afastar deste tempo as celebrações dos Santos.

De fato durante todo o longo período quaresmal, só se celebram um máximo de quatro festividades (além de alguma solenidade ou festa dos calendários particulares): São Cirilo e São Metódio (14 de fevereiro); a Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro); São José, casto esposo da Virgem Maria (19 de março) e a Anunciação do Senhor (25 de março). Em todo caso na maneira de celebrar estas festas não deverá dar a impressão de que se “interrompe a Quaresma”, mas sim terá que inscrever estas festas na espiritualidade e a dinâmica deste tempo litúrgico.

Com respeito à memória dos Santos, terá que recordar que durante a Quaresma todas elas são livres e se se celebrarem, deve-se fazer com ornamentos roxos, e do modo como indicam as normas litúrgicas.

II. AS LEITURAS BÍBLICAS DA QUARESMA.

1. Visão de conjunto.

Desde o primeiro momento é bom assinalar o fato de que neste tempo a temática dos diversos sistemas de leituras é muito mais variada que nos outros ciclos litúrgicos. Embora todos os lecionários deste tempo tenham uma cortina de fundo comum, a renovação da vida cristã pela conversão, esta temática se presente desde ópticas muito diversas, cada uma das quais tem seus matizes próprios e distintos. Se esta diversidade de enfoques se esquecer, se se unificar e reduz o conjunto a uma temática única, muitas das leituras litúrgicas passarão, virtualmente, desapercebidas; fenômeno este que infelizmente ocorre mais de uma vez.

Devemos, pois, sublinhar em primeiro lugar que a característica principal das leituras de Quaresma não estriba tanto na “novidade” de umas leituras que se vão descobrindo graças aos lecionários conciliares, quanto na abundância de linhas concomitantes que é preciso unir espiritualmente, de modo que cada uma delas contribua sua contribuição à renovação quaresmal de quem usa os citados lecionários.

A atitude fundamental frente às leituras quaresmais deve ser, sobre tudo, a de uma escuta repousada e penetrante que ajude a que o espírito se vá impregnando progressivamente dos critérios da fé, há vezes suficientemente conhecidos, mas não suficientemente interiorizados e feitos vida.

Não se trata de “meditações” mais ou menos intelectualizantes, como de uma contemplação “gozosa”do Plano de Deus sobre a pessoa humana e sua história, e de uma escuta atenta frente ao chamado de Deus a uma conversão que nos leve a paz e à felicidade.

No conjunto dos Lecionários quaresmais emergem com facilidade algumas linhas de força nas que deve centrar a conversão quaresmal. Esta conversão esta muito longe de limitar-se a um mero melhoramento moral. É mas bem uma conversão radical a Cristo, o Homem novo, para existir nele (ver Col 2,7).

Está linhas de força são as seguintes:

A. A meditação na história da salvação: realizada Por Deus-Amor em favor da pessoa humana criada a sua imagem e semelhança. Devemos “nos converter” de uma vida egocêntrica, onde o ser humano vive encerrado em sua mentira existencial, a uma vida de comunhão com o Senhor, o Caminho, a Verdade e a Vida, que nos leva a Pai no Espírito Santo.

B. A vivência do mistério pascal como culminação desta história Santa: devemos “nos converter”da visão de um Deus comum a todo ser humano, à visão do Deus vivo e verdadeiro que se revelou plenamente em seu único Filho, Cristo Jesus e em sua vitória pascal presente nos sacramentos de sua Igreja: “Tanto amou Deus ao mundo que deu a seu Filho único, para que tudo o que nele crer não pereça, mas sim tenha vida eterna”(Jo 3,16).

C. O combate espiritual, que exige a cooperação ativa com a graça em ordem a morrer ao homem velho e ao próprio pecado para dar passo à realidade do homem novo em Cristo. Em outras palavras, a luta pela santidade, exigência que recebemos no santo Batismo.

Estas três linhas devem propor-se todas em simultâneo. A primeira linha de força –a meditação da História da Salvação- temo-la principalmente nas leituras do Antigo Testamento dos domingos e nas leituras da Vigília Pascal. A segunda –a vivência do mistério pascal como culminação da história Santa-, nos evangelhos dos domingos III, IV e V (os sacramentais pascais) e, pelo menos em certa maneira, nos evangelhos feriais a partir da segunda-feira da semana IV (oposição de Jesus ao mal –“os judeus”- que termina com a vitória pascal de Jesus sobre a morte, mal supremo). A terceira linha –o combate espiritual, a vida em Cristo, a vida virtuosa e Santa- aparece particularmente nas leituras apostólicas dos domingos e no conjunto das leituras feriais da missa das três primeiras semanas.

Vale a pena sublinhar que as três linhas de força de que vamos falando se acham, com maior ou menor intensidade, ao alcance de todos os fiéis: dos que só participam da missa dominical aos que tomam parte além na eucaristia dos dias feriais. Com intensidades diversas mas com um conteúdo fundamentalmente idêntico, todos os fiéis bebem, através da liturgia quaresmal, em uma fonte que lhes convida à conversão sob todos seus aspectos.

2. Missas dominicais.

As leituras dominicais de Quaresma têm uma organização unitária, que terá que ter presente na pregação.

As leituras do Antigo Testamento seguem sua própria linha, que não tem uma relação direta com os evangelhos, como o resto do ano. Uma linha importante para compreender a História da Salvação.

Os Evangelhos seguem também uma temática organizada e própria.

E as leituras que se fazem em segundo lugar, as apostólicas, estão pensadas como complementares das anteriores.

A. A primeira leitura tem neste tempo de Quaresma uma intenção clara: apresentar os grandes temas da História da Salvação, para preparar o grande acontecimento da Páscoa do Senhor:

- A criação e origem do mundo (primeiro domingo).

- Abraão, pai dos fiéis (segundo domingo).

- O Êxodo e Moisés (terceiro domingo).

- A história de Israel, centrada sobre tudo em Davi (quarto domingo).

- Os profetas e sua mensagem (quinto domingo).

- O Servo de Yahvé (domingo de Ramos).

Estas etapas se proclamam de modo mais direto no Ciclo A, em seus momentos culminantes.

No Ciclo B se centram sobre tudo no tema da Aliança (com o Noé, com o Abraão, com Israel, o exílio, o novo louvor anunciado por Jeremias).

No Ciclo C, as mesmas etapas se vêem mas bem do prisma do culto (oferendas de primícias, celebração da Páscoa, etc.).

No sexto domingo, ou domingo de Ramos na Paixão do Senhor, invariavelmente se proclama o canto do Servo de Yahvé, por Isaías.

Estas etapas representam uma volta à fonte: a história das atuações salvíficas de Deus, que preparam o acontecimento central: o mistério Pascal do Senhor Jesus. Na pregação terá que levar em conta esta progressão, para não perder de vista o caminho para a Páscoa.

B. A leitura Evangélica tem também sua coerência independente ao longo das seis semanas:

- primeiro domingo: o tema das tentações de Jesus no deserto, lidas em cada ciclo segundo seu evangelista; o tema dos quarenta dias, o tema do combate espiritual.

- segundo domingo: a Transfiguração, lida também em cada ciclo segundo o próprio evangelista; de novo o tema dos quarenta dias (Moisés, Elias, Cristo) e a preparação pascal; a luta e a tentação levam a vida.

- terceiro domingo, quarto e quinto: apresentação dos temas catequéticos da iniciação cristã: a água, a luz, a vida.

No Ciclo A: os grandes temas batismais de São João: a samaritana (água), o cego (luz), Lázaro (vida).

No Ciclo B: tema paralelos, também de São João: o Templo, a serpente e Jesus Servo.

No Ciclo C: temas de conversão e misericórdia: iniciação a outro Sacramento quaresmal-pascal: a Penitência.

Sexto domingo: a Paixão de Jesus, cada ano segundo seu evangelista (reservando a Paixão de São João para a Sexta-feira Santa).

O pregador deve levar em conta esta unidade e ajudar a que a comunidade vá desentranhando os diversos aspectos de sua marcha para a Páscoa, não ficando, por exemplo no tema da tentação ou da penitência, mas sim entrando também aos temas batismais: Cristo e sua Páscoa são para nós a chave da água viva, da luz verdadeira e da nova vida.

C. A segunda leitura está pensada como complemento dos grandes temas da História da Salvação e da preparação evangélica à Páscoa. Temas espirituais, relativos ao processo de fé e conversão e a concretização moral dos temas quaresmais: a fé, a esperança, o amor, a vida espiritual, filhos da luz, etc.

3. Missas feriais.

Este grupo de leituras tem grande influencia na vida espiritual daqueles cristãos que acostumam a participar ativamente na eucaristia diária. É bom assinalar que o lecionário ferial de Quaresma foi construindo-se ao longo de vários séculos e antes da reforma conciliar sempre foi o mais rico de todo o ano litúrgico. A reforma litúrgica o respeitou por sua antiga tradição e riqueza. Ao haver-se construído com os séculos, sua temática é bastante variada e muito longínqua, portanto, pelo que é uma leitura contínua ou um plano concebido de conjunto, que são as formas às que nos tem acostumados os lecionários saídos da reforma conciliar.

O atual lecionário ferial da missa divide a Quaresma em duas partes: por um lado, temos os dias que vão desde Quarta-feira de Cinzas até sábado da III semana; e por outro, as feiras que discorrem desde segunda-feira de IV semana até o começo do Tríduo Pascal.

1. Na primeira parte da Quaresma (Quarta-feira de Cinzas até na sábado de III semana), as leituras vão apresentando, positivamente, as atitudes fundamentais do viver cristão e, negativamente, a reforma dos defeitos que obscurecem nosso seguimento de Jesus.

Nestas feiras, ambas as leituras revistam ter unidade temática bastante marcada, que insiste em temas como a conversão, o sentido do tempo quaresmal, o amor ao próximo, a oração, a intercessão da Igreja pelos pecadores, o exame de conscientiza, etc.

Nas origens da organização da Quaresma, só havia missa (além disso do Domingo), os dias quarta-feira e sexta-feira. Por este motivo o lecionário de Quaresma privilegia as leituras destes dois dias com leituras de maior importância que as das restantes feiras. Tais leituras costumam ser relativas à paixão e à conversão.

2. Na segunda parte da Quaresma, (a partir da Segunda-feira da IV semana até o Tríduo Pascal), o lecionário mudar de perspectiva: oferece-se uma leitura contínua do evangelho segundo São João, escolhendo sobre tudo os fragmentos nos que se propõe a oposição crescente entre Jesus e os “judeus”.

Esta meditação do Senhor enfrentando-se com o mal, personalizado por São João nos “judeus”, está chamada a fortalecer a luta quaresmal não só em uma linha ascética, mas também principalmente no contexto da comunhão com Cristo, o único vencedor absoluto do mal.

Nestas feiras, as leituras não estão tão ligadas tematicamente uma em relação à outra, mas sim apresentam, de maneira independente, por um lado a figura do Servo do Senhor ou de outro personagem (Jeremias especialmente), que deve ser como imagem e profecia do Salvador crucificado; e, por outro, o desenvolvimento da trama que culminará na morte e vitória de Cristo.

Finalmente é bom indicar que a partir da segunda-feira da semana IV aparece um tema possivelmente não muito conhecido: o conjunto dinâmico que, partindo das “obras” e “palavras” do Senhor Jesus, chega até o acontecimento de sua “hora”. Para não poucos pode ser aconselhável fazer um esforço de meditação continuada nestes evangelhos em sua trama progressiva. Este tema pode resultar muito enriquecedor. Embora se conheçam às vezes os textos, poucas vezes se descoberto o significado dinâmico que une o conjunto destas leituras, conjunto que desemboca na “hora”de Jesus, quer dizer em sua glorificação através da morte que celebramos no Tríduo pascal.

III. NORMAS LITÚRGICAS.

1. Com respeito ao conjunto das celebrações.

Omite-se sempre o “Aleluia” em toda celebração.

Manda-se suprimir os adornos e flores da igreja, exceto o IV Domingo. (Domingo da alegria em nosso caminho para a Páscoa). Igualmente se suprime a música de instrumentos (exceto o IV Domingo), a não ser que sejam indispensáveis para acompanhar algum canto.

As mesmas expressões de austeridade em flores e música se terão no altar da reserva eucarística e nas celebrações extralitúrgicas, e nas manifestações de piedade popular.

2. Com respeito às celebrações da eucaristia.

Exceto nos domingos e nas solenidades e festas que têm prefácio próprio, cada dia se diz qualquer dos cinco prefácios de Quaresma.

Os domingos se omite o hino do “Glória”. Este hino, diz-se apenas nas solenidades e festas.

Antes da proclamação do evangelho, tanto nas missas do domingo como nas solenidades, festas e feiras, o canto do “Aleluia” se substitui por alguma outra aclamação a Cristo. Contudo, para sublinhar melhor a distinção entre as feiras e os dias festivos, acreditam melhor omitir sempre este canto nos dias feriais. Inclusive nos domingos, é melhor omitir esta aclamação que recitá-la sem canto.

Os domingos não se pode celebrar nenhuma outra missa que não seja a do dia. Nas feiras, assinalada-las no Calendário Litúrgico com a letra (D), existe a possibilidade de celebrar alguma missa distinta da do dia. Se nas feiras quer fazer a memória de algum santo, se substitui a coleta ferial pela do santo. Outros elementos devem ser feriais (inclusive a oração sobre as ofertas e depois da comunhão).

IV. RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES.

1. Textos eucológicos.

A Quaresma é o tempo do ano que possui maior riqueza de textos eucológicos (conjunto de orações de um livro litúrgico ou de uma celebração). A missa não só tem própria a primeira oração de cada dia, mas também inclusive a oração sobre as ofertas e a oração depois da comunhão. Mas, além destes textos obrigatórios, sublinharíamos a importância de outros formulários que podem usar-se livremente:

A. O ato penitencial da missa.

Seria recomendável destacar, durante este tempo, esta parte da celebração. Poderiam, por exemplo, variar-se cada dia da semana as invocações (a nova edição do Missal Romano oferece para isso uma variedade de possibilidades), e cantar diariamente –não limitar-se a rezar- o “Senhor tenha piedade”. É uma maneira singela de sublinhar o caráter penitencial destes dias.

B. Oração dos fiéis.

Conviria empregar alguns formulários nos quais se atendesse o significado próprio deste tempo, e nos que se incluíram algumas solicite pelos pecadores, a teor do que se diz a respeito no Concílio Vaticano II (ver Sacrosanctum Concilium, N. 109). Do mesmo modo, e seguindo o pedido do Papa, podem-se incluir petições pela paz do mundo, pela família, pela defesa da vida, e pelas vocações.

C. Prefácios.

No ano A, todos os domingos têm um prefácio próprio que glosa o evangelho do dia. Nos anos B e C, têm prefácio próprio os domingos I e II e no domingo de Ramos. Os restantes domingos, usa-se um dos prefácios comuns de Quaresma. O mais apropriado para no domingo IV é o prefácio I, por suas alusões à Páscoa que se aproxima. Em troca o prefácio IV por suas alusões ao jejum, não é apropriado para no domingo.

Para as feiras há cinco prefácios. Todos estes prefácios terá que distribui-los de maneira que nenhum deles fique esquecido. Por seu caráter penitencial, o IV está especialmente indicado para as sextas-feiras.

C. 1 O espírito da Quaresma em seus Prefácios.

A última edição de Missal Romano (1988), traz cinco Prefácios de Quaresma, destinados às quatro primeiras semanas deste tempo.

A semana V e VI, como se recorda, dispõem de dois Prefácios da Paixão do Senhor. Os cinco prefácios quaresmais são estes:

Prefácio I: Significação espiritual da Quaresma.

A usar-se sobre tudo no domingo, quando não assinalou prefácio próprio.

Este prefácio apresenta quatro linhas de força:

Em primeiro lugar define a atitude do cristão na quaresma: “desejar ano após ano a solenidade da páscoa”. Este prefácio apresenta a meta positiva do processo quaresmal e da vida cristã: participar de plenitude do mistério pascal do Senhor Jesus. O que desejamos e celebramos é o mistério de Cristo renovado em nossa vida: a Igreja, que se incorpora à Páscoa de seu Senhor.

Em segundo lugar a tarefa quaresmal se descreve com três pinceladas: nos libertar do pecado e nos purificar interiormente; nos dedicar com maior empenho ao louvor divino (vida de oração); e finalmente viver mais intensamente o amor fraterno (a caridade).

Em terceiro lugar sublinha que a meta última a que tende o processo quaresmal é “chegar a ser com plenitude filhos de Deus”, em Cristo, o Filho por excelência, em quem fomos enxertados pelo Batismo.

Finalmente, em quarto lugar, o prefácio sublinha que tudo é iniciativa divina, a que a pessoa humana deve corresponder segundo o máximo de suas possibilidades ou capacidades: “por Ele concede a seus filhos desejar, ano após ano...” A Palavra de Deus e os Sacramentos nos ajudam em nosso caminho para a santidade.

Prefácio II: A penitência espiritual.

A ser usado sobre tudo no domingo, quando não assinalou um prefácio próprio.

Este prefácio sublinha o sentido da penitência quaresmal. A Quaresma é apresentada como um tempo de graça (tempo de misericórdia), que Deus nos oferece para conseguir a purificação interior do espírito. nos ver livres do pecado, de nossos vícios e escravidões, reordenando adequadamente nossas potências e paixões, aprendendo a usar os bens materiais como médios e não como fins, compreendendo sua natureza perecível e portanto não nos apegando a eles desordenadamente. Este é o sentido da penitência quaresmal: mudança de mentalidade (metanóia), despojar do homem velho para revestir do homem novo.

Prefácio III: Os frutos das privações voluntárias.

A usar-se durante as feiras e os dias de abstinência e jejum.

Este prefácio concreta ainda mais esta “penitência” e assinala o por que da abstinência e o jejum. O jejum tem uma dupla finalidade: por uma parte mitigar nossos apetites desordenados, e por outra parte aliviar as necessidades do próximo com o fruto de nossa renúncia. Com isso damos graças a Deus e nos fazemos discípulos e instrumentos de seu amor.

Prefácio IV: Os frutos do jejum.

A usar-se durante as feiras e os dias de abstinência e jejum.

É o mais antigo dos prefácios quaresmais. limita-se a destacar o jejum como elemento central da Quaresma, nos apresentando o aspecto “ascético” deste tempo litúrgico.

Prefácio V: O caminho do êxodo quaresmal.

A usar-se durante as feiras deste tempo.

Este prefácio foi incorporado na última edição do Missal Romano (1988). Tem um título dinâmico e sugestivo. Apresenta a Deus como Pai rico em misericórdia, quem toma a iniciativa de nossa salvação porque “pelo grande amor com que nos amou, estando mortos por causa de nossos delitos, vivificou-nos junto com Cristo –por graça fostes salvos- e com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos céus em Cristo Jesus” (Ef 2,4-6). O prefácio apresenta o caminho da Igreja na Quaresma como um “novo êxodo”, onde a Igreja está chamada a fazer penitência e renovar sua vocação de povo da aliança nova e eterna, chamado a bendizer o nome de Deus, a escutar sua Palavra e a experimentar com gozo suas maravilhas.

Além destes cinco prefácios numerados, há outros vários, virtualmente para cada domingo, sobre tudo no Ciclo A.

Primeiro no domingo, centra-se nas tentações de Jesus no deserto.

Segundo no domingo, sobre a Transfiguração do Senhor.

Os terceiro, quarto e quinto domingos, têm prefácios claramente batismais, respondendo às leituras evangélicas, que apresentam os grandes temas quaresmais da água (a samaritana), a luz (o cego de nascimento) e a vida (Lázaro).

Como já indicamos há outros dois prefácios de Paixão, para os últimos dias da Quaresma e Semana Santa.

São onze prefácios em total. Podemos tirar proveito deles para nossa pregação e nossa catequese. Neles estão as idéias-força do mistério de salvação que sucede em nosso caminho quaresmal-pascal.

d. Preces Eucarísticas.

Podem ser usadas duas preces eucarísticas sobre a reconciliação, sobre tudo quarta-feira e sexta-feira, que são os dias mais penitenciais da Quaresma.

E. Introdução ao Pai Nosso.

Durante o tempo de Quaresma, pode ser sugestivo destacar na introdução ao Pai Nosso o pedido: “nos perdoe nossas ofensas”, ou “Livrai-nos do mal”.

F. Bênção Solene e Orações sobre o povo.

A nova edição do Missal Romano (1988), incorporou uma bênção solene para este tempo, que na edição anterior do Missal não existia. Por isso será oportuno usá-la sobre tudo Na Quarta-feira de Cinza e os domingos de Quaresma.

Também se podem usar para os domingos as “orações sobre o povo” que traz o Missal Romano ao final do elenco das Bênçãos Solenes, e que são as antigas bênçãos romanas. Para os domingos as mais aconselháveis são as dos números 4, 11, 18, 20 e 21. Não deve-se esquecer no domingo VI de Quaresma ou de Paixão tem bênção própria.

Se para as feiras quer empregar alguma das “orações sobre o povo”, as mais apropriadas são as dos números, 6, 10, 12, 15, 17 e 24. A 17 são muito apropriada para as sextas-feira.

2. Programa de cantos.

a) Canto de entrada da missa.

Este canto tem que dar a cor quaresmal ao conjunto da celebração eucarística. Deve ser penitencial ou, nos dias sexta-feira e nas duas últimas semanas, alusivos à cruz do Senhor. portanto terá que pôr muito cuidado em sua escolha.

b) Salmo responsorial.

Deve-se respeitar sempre na liturgia da Missa e não ser alegremente substituído por qualquer canto. Não nos cansaremos de dizer que o Salmo forma parte integral da Liturgia da Palavra; que é Palavra de Deus, e que a palavra divina nunca pode ser substituída pela palavra humana.

Na medida do possível se deve cantar. Mas se a assembléia não pode cantar a antífona própria do salmo da missa, podem-se procurar algumas antífonas aplicáveis a todas as missas, sempre e quanto estas antífonas respeitem o sentido do salmo.

Assim por exemplo se podem selecionar antífonas penitenciais, quando o salmo for penitencial (por exemplo, “Perdão, Senhor, Perdão”; ou “Sim me levantarei”); ou aclamações que aludam à paixão do Senhor, quando o salmo sugira a oração de Cristo na cruz (por exemplo “me Proteja meu Deus”).

Em caso que isto tampouco se possa fazer é preferível ler o salmo, e a assembléia responder com a antífona indicada, a cantar uma resposta que não tenha o mesmo sentido do salmo.

c) Aclamação antes do evangelho.

Podem fazer-se estas indicações:

- É melhor reservá-la unicamente para os dias mais solenes (domingos e três primeiras feiras de Semana Santa), e omiti-la nas feiras.

- Nunca a deve cantar um solista (não é um segundo salmo responsorial), mas sim a assembléia ou um coro. O melhor é que seja um canto vibrante e aclamação a Cristo que falará no santo evangelho.

d) Cantos de comunhão.

Deverão ser evitados os que tiverem um matiz penitencial, pois a comunhão é sempre um momento festivo. No momento de comungar não se trata de criar um ambiente quaresmal, mas sim acompanhar festivamente a procissão eucarística. Por isso é bom para este momento da Santa Missa escolher cantos alusivos ao convite eucarístico.

e) Preparação dos cantos da Vigília e do Tempo pascal.

Terá que dedicar durante a Quaresma um tempo cada semana para ensaiar cantos pascais. Isto não se situa somente na linha de uma necessidade prática com vistas às festas e ao tempo litúrgico que se aproximam, mas sim além disso contribuirá a viver a Quaresma como um caminho para a páscoa, criando o desejo de desejar sua celebração.

Nesta linha, tem tanta importância os ensaios em si como a explicação de alguns textos cantados. Nestes ensaios quaresmais deveria procurar-se que o repertório pascal progredisse de ano em ano, e, assim, os cantos pascais superassem os dos outros ciclos, como a Páscoa supera em solenidade as outras festas.

Como cantos mais importantes poderiam ser:

Um “Aleluia” vibrante (e possivelmente novo) que, bem ensaiado desde o começo da Quaresma, poderia-o saber bem toda a assembléia.

Um “Glória” solene e extraordinário, que poderia estrear-se na Noite Santa de Páscoa e converter-se no “Glória” próprio da cinquentena, ou pelo menos da Oitava de Páscoa. É bom recordar que o “Glória” que se escolha deve recolher em sua totalidade o texto litúrgico do Missal Romano.

Aquele que cantará o “Pregão Pascal” na Vigília Pascal, deverá praticá-lo com a suficiente antecipação e nunca deixar seu ensaio para o último momento.

3. Preparação do círio pascal.

O círio pascal é talvez o sinal mais próprio e expressivo das celebrações pascais. Por isso, não é suficiente comprá-lo (seria imperdoável usar o círio de outros anos, pois a Páscoa é a renovação de tudo), mas sim é necessário ambientar sua futura presença, e, obter que os fiéis o desejem, pois o representa ao Senhor glorificado.

Por isso sugerimos que se organize o IV Domingo de Quaresma uma coleta entre os fiéis para adquiri-lo. O IV Domingo de Quaresma, é no domingo da alegria no caminho penitencial para a Páscoa, e nos convida a pensar na Páscoa como uma celebração já muito próxima.

Com isso resultaria mais verdadeira a expressão que se cantará no pregão pascal: “Em esta noite de graça, aceita, Pai santo, este sacrifício vespertino de louvor que a Santa Igreja te oferece por meio de seus ministros na solene oferenda deste círio”. É evidente que esta expressão perde todo seu sentido se se usar um círio que já foi, por dizê-lo assim, “devotado” anteriormente.

4. Oração, mortificação e caridade.

São as três grandes práticas quaresmais ou meios da penitência cristã (ver MT 6,1-6.16-18).

Acima de tudo, está a vida de oração, condição indispensável para o encontro com Deus. Na oração, o cristão ingressa no diálogo íntimo com o Senhor, deixa que a graça entre em seu coração e, a semelhança de Santa Maria, abre-se à oração do Espírito cooperando a ela com sua resposta livre e generosa (ver Lc 1,38). portanto devemos neste tempo animar a nossos fiéis a uma vida de oração mais intensa.

Para isso poderia ser aconselhável introduzir a reza de Alaúdes ou Vésperas, na forma que resulte mais adequada: os domingos ou nos dias de trabalho, como uma celebração independente ou unidos à Missa; convidar a nossos fiéis a formar algum grupo de oração que se reúna estavelmente sob nosso guia, uma vez por semana durante meia hora. Desta maneira além de rezar podemos lhes ensinar a fazer oração; incentivar a oração pela conversão dos pecadores, oração própria deste tempo; etc. Além disso, não se pode esquecer que a Quaresma é tempo propício para ler e meditar diariamente a Palavra de Deus.

Por isso seria muito bom oferecer a nossos fiéis a relação das leituras bíblicas da liturgia da Igreja de cada dia com a confiança de que sua meditação seja de grande ajuda para a conversão pessoal que nos exige este tempo litúrgico.

A mortificação e a renúncia, nas circunstâncias ordinárias de nossa vida, também constituem um meio concreto para viver o espírito da Quaresma. Não se trata tanto de criar ocasiões extraordinárias, mas sim mas bem oferecer aquelas circunstâncias cotidianas que nos são molestas; de aceitar com humildade, gozo e alegria, os distintos contratempos que nos apresenta o ritmo da vida diária, fazendo ocasião deles para nos unir à cruz do Senhor. Da mesma maneira, o renunciar a certas coisas legítimas ajuda a viver o desapego e o desprendimento. Inclusive o fruto dessas renúncias e desprendimentos o podemos traduzir em alguma esmola para os pobres. Dentro desta praxe quaresmal estão o jejum e a abstinência, dos que nos ocuparemos mais adiante em um parágrafo especial.

A caridade. De entre as distintas práticas quaresmais que nos propõe a Igreja, a vivência da caridade ocupa um lugar especial. Assim nos lembra São Leão Magno: “estes dias quaresmais nos convidam de maneira premente ao exercício da caridade; se desejamos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos pôr um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si às demais e cobre multidão de pecados”. Esta vivência da caridade devemos viver a de maneira especial com aquele a quem temos mais perto, no ambiente concreto no que nos movemos. Desta maneira, vamos construindo no outro “o bem mais precioso e efetivo, que é o da coerência com a própria vocação cristã” (João Paulo II).

“Há maior felicidade em dar que em receber” (At 20,35). Segundo João Paulo II, o chamado a dar “não se trata de um simples chamado moral, nem de um mandato que chega ao homem de fora” mas sim “está radicado no mais fundo do coração humano: toda pessoa sente o desejo de ficar em contato com os outros, e se realiza plenamente quando se dá livremente a outros”. “Como não ver na Quaresma a ocasião propícia para fazer opções decididas de altruísmo e generosidade? Como médios para combater o desmedido apego ao dinheiro, este tempo propõe a prática eficaz do jejum e a esmola. Privar-se não só do supérfluo, mas também também de algo mais, para distribui-lo a quem vive em necessidade, contribui à negação de si mesmo, sem a qual não há autêntica praxe de vida cristã. Nutrindo-se com uma oração incessante, o batizado demonstra, além disso, a prioridade efetiva que Deus tem na própria vida”.

Por isso será oportuno discernir, conforme à realidade de nossas comunidades, que campanhas a favor dos pobres podem organizar durante a Quaresma, e como devemos animar a nossos fiéis à caridade pessoal.

A oração, a mortificação e a caridade, ajudam-nos a viver a conversão pascal: do fechamento do egoísmo (pecado), estas três práticas da quaresma nos ajuda a viver a dinâmica da abertura a Deus, a nós mesmos e a outros.

5. A abstinência e o jejum.

A prática do jejum, tão característica da antigüidade neste tempo litúrgico, é um “exercício” que libera voluntariamente das necessidades da vida terrena para redescobrir a necessidade da vida que vem do céu: “Não só de pão vive o homem, mas também de toda palavra que sai da boca de Deus” (MT 4,4; ver Dt 8,3; Lc 4,4; antífona de comunhão do I Domingo de Quaresma)

O que exigem a Abstinência e o Jejum?

A abstinência proíbe o uso de carnes, mas não de ovos, laticínios e qualquer condimento a base de gordura de animais. São dias de abstinência todas as sextas-feiras.

O jejum exige fazer uma só refeição durante o dia, mas não proíbe tomar um pouco de alimento pela manhã e de noite, atendo-se, no que respeita à qualidade e quantidade, aos costumes locais passados (Constituição Apostólica poenitemi, sobre doutrina e normas da penitência, III, 1,2). São dias de jejum e abstinência a Quarta-feira de Cinza e a Sexta-feira Santa.

Quem está chamados à abstinência e ao jejum?

À Abstinência de carne: os maiores de 14 anos.

Ao Jejum: os maiores de idade (18 anos) até os 59 anos.

por que o Jejum? Fala-nos o Santo Padre:

“É necessário dar uma resposta profunda a esta pergunta, para que fique clara a relação entre o jejum e a conversão, isto é, a transformação espiritual que aproxima o homem a Deus.

“O abster-se da comida e a bebida tem como fim introduzir em à existência do homem não só o equilíbrio necessário, mas também também o desprendimento do que se poderia definir como “atitude consumista.

“Tal atitude veio a ser em nosso tempo uma das características da civilização ocidental. A atitude consumista! O homem, orientado para os bens materiais, muito freqüentemente abusa deles. A civilização se mede então segundo a quantidade e a qualidade das coisas que estão em condições de prover ao homem e não se mede com o metro adequado ao homem.

“Esta civilização de consumo ministra os bens materiais não só para que sirvam ao homem em ordem a desenvolver as atividades criativas e úteis, mas sim cada vez mais para satisfazer os sentidos, a excitação que se deriva deles, o prazer momentâneo, uma multiplicação de sensações cada vez maior.

“O homem de hoje deve jejuar, quer dizer, abster-se de muitos meios de consumo, de estímulos, de satisfação dos sentidos: jejuar significa abster-se de algo. O homem é ele mesmo solo quando consegue dizer-se a si mesmo: Não. Não é a renúncia pela renúncia: mas sim para o melhor e mais equilibrado desenvolvimento de si mesmo, para viver melhor os valores superiores, para o domínio de si mesmo”.

6. A Confissão.

A Quaresma é tempo penitencial por excelência e portanto se apresenta como tempo propício para impulsionar a pastoral este de sacramento conforme ao que nos pediu recentemente o Santo Pai e nosso Arcebispo Primaz, já que a confissão sacramental é a via ordinária para alcançar o perdão e a remissão dos pecados graves cometidos depois do Batismo.

Não terá que esquecer que nossos fiéis sabem, por uma larga tradição eclesiástica, que o tempo de Quaresma-Páscoa está em relação com o preceito da Igreja de confessar o próprios pecados graves, ao menos uma vez ao ano. Por tudo isso, terá que oferecer horários abundantes de confissões.

7. A Quaresma e a Piedade Popular.

A Quaresma é tempo propício para uma interação fecunda entre liturgia e piedade popular. Entre as devoções de piedade popular mais freqüentes durante a Quaresma, que podemos animar estão:

A Veneração a Cristo Crucificado.

No Tríduo pascal, na sexta-feira Santa, dedicado a celebrar a Paixão do Senhor, é o dia por excelência para a “Adoração da Santa Cruz”. Entretanto, a piedade popular deseja antecipar a veneração cultual da Cruz. De fato, ao longo de todo o tempo quaresmal, na sexta-feira, que por uma antiqüíssima tradição cristã é o dia comemorativo da Paixão de Cristo, os fiéis dirigem com gosto sua piedade para o mistério da Cruz.

Contemplando ao Salvador crucificado captam mais facilmente o significado da dor imensa e injusta que Jesus, o Santo, o Inocente, padeceu pela salvação do homem, e compreendem também o valor de seu amor solidário e a eficácia de seu sacrifício redentor.

Nas manifestações de devoção a Cristo crucificado, os elementos acostumados da piedade popular como cantos e orações, gestos como a ostensão e o beijo da cruz, a procissão e a bênção com a cruz, combinam-se de diversas maneiras, dando lugar a exercícios de piedade que às vezes resultam preciosos por seu conteúdo e por sua forma.

Não obstante, a piedade em relação à Cruz, com freqüência, tem necessidade de ser iluminada. deve-se mostrar aos fiéis a referência essencial da Cruz ao acontecimento da Ressurreição: a Cruz e o sepulcro vazio, a Morte e a Ressurreição de Cristo, são inseparáveis na narração evangélica e no intuito salvífico de Deus.

A Leitura da Paixão do Senhor.

Durante o tempo de Quaresma, o amor a Cristo crucificado deverá levar a comunidade cristã a preferir na quarta-feira e na sexta-feira, sobre tudo, para a leitura da Paixão do Senhor.

Esta leitura, de grande sentido doutrinal, atrai a atenção dos fiéis tanto pelo conteúdo como pela estrutura narrativa, e suscita neles sentimentos de autêntica piedade: arrependimento das culpas cometidas, porque os fiéis percebem que a Morte de Cristo aconteceu para remissão dos pecados de todo o gênero humano e também dos próprios; compaixão e solidariedade com o Inocente injustamente açoitado; gratidão pelo amor infinito que Jesus, o Irmão primogênito, demonstrou em sua Paixão para com todos os homens, seus irmãos; decisão de seguir os exemplos de mansidão, paciência, misericórdia, perdão das ofensas e abandono crédulo nas mãos do Pai, que Jesus deu de modo abundante e eficaz durante sua Paixão.

Via Sacra.

Entre os exercícios de piedade com os que os fiéis veneram a Paixão do Senhor, há poucos que sejam tão estimados como a Via Sacra. Através deste exercício de piedade os fiéis percorrem, participando com seu afeto, a última parte do caminho percorrido pelo Jesus durante sua vida terrena: do Monte das Oliveiras, onde no “horto chamado Getsemani” (Mc 14,32) o Senhor foi “presa da angústia” (Lc 22,44), até o Monte Calvário, onde foi crucificado entre dois malfeitores (ver Lc 23,33), ao jardim onde foi sepultado em um sepulcro novo, escavado na rocha (ver Jo 19,40-42).

Um testemunho do amor do povo cristão por este exercício de piedade são os inumeráveis Via Sacras nas Igrejas, nos santuários, nos claustros e inclusive ao ar livre, no campo, ou na ascensão a uma colina, a qual as diversas estações lhe conferem uma fisionomia sugestiva. No exercício de piedade da Via Sacra confluem também diversas expressões características da espiritualidade cristã: a compreensão da vida como caminho ou peregrinação; como passo, através do mistério da Cruz, do exílio terreno à pátria celeste; o desejo de conformar-se profundamente com a Paixão de Cristo; as exigências do seguimento de Cristo, segundo a qual o discípulo deve caminhar atrás do Mestre, levando cada dia sua própria cruz (ver Lc 9,23) portanto devemos motivar sua oração nas quartas-feiras e/ou sexta-feira de quaresma.

8. A Virgem Maria na Quaresma.

No plano salvífico de Deus (ver Lc 2,34-35) estão associados Cristo crucificado e a Virgem dolorosa. Como Cristo é o “homem de dores” (Is 53,3), por meio do qual se agradou Deus em “reconciliar consigo todos os seres: os do céu e os da terra, fazendo a paz pelo sangue de sua cruz” (Col 1,20), assim Maria é a “mulher da dor”, que Deus quis associar a seu Filho, como mãe e partícipe de sua Paixão. Dos dias da infância de Cristo, toda a vida da Virgem, participando do rechaço de que era objeto seu Filho, transcorreu sob o sinal da espada (ver Lc 2,35).

Por isso a Quaresma é também tempo oportuno para crescer em nosso amor filial Àquela que ao pé da Cruz entregou a seu Filho, e se entregou Ela mesma com Ele, por nossa salvação. Este amor filial podemos expressar durante a Quaresma impulsionando certas devoções marianas próprias deste tempo: “As sete dores de Santa Maria Virgem”; a devoção a “Nossa Senhora, a Virgem das Dores” (cuja memória litúrgico se pode celebrar na sexta-feira da V semana de Quaresma; e a reza do Santo Rosário, especialmente os mistérios de dor.

Também podemos impulsionar o culto da Virgem Maria através de Missas da Bem-aventurada Virgem Maria, cujos formulários de Quaresma podem ser usados no sábado.

V. NORMAS LITÚRGICAS COMPLEMENTARES.

1. Quarta-feira de Cinza.

A bênção e imposição da cinza se faz depois do evangelho e da homilia. Com motivo deste rito penitencial, ao começar a missa deste dia se suprime o ato penitencial acostumado. Por isso, depois que o celebrante beijou o altar, saúda o povo e, continuando, podem-se dizer as invocações, “Senhor tenha piedade”, (sem antepor outras frases, pois hoje não são o ato penitencial), e a oração coleta, e acontece com a liturgia da palavra.

Depois da homilia se faz a bênção e imposição da cinza; acabada esta, o celebrante lava as mãos e continua a celebração com a oração dos fiéis.

2. Domingo IV de Quaresma.

Por ser no domingo da alegria no caminho quaresmal para a Páscoa, durante todo no domingo IV, dos I Vésperas que se celebram na sábado anterior, é conveniente pôr flores no altar e tocar música durante as celebrações. Desta maneira se sublinha a quão fiéis esta perto a grande festa da Páscoa e que o fruto de nosso esforço quaresmal, será ressuscitar com o Senhor à vida verdadeira.

3. Feiras da V Semana de Quaresma.

As feiras da V Semana de Quaresma –antiga semana de Paixão- têm umas pequenas características próprias: sem deixar de ser tempo de Quaresma, já tomam algo da cor própria de na próxima Semana Santa e com isso inauguram, em certa maneira, a preparação do Tríduo Pascal, nos levando a contemplação da glória da cruz de Jesus Cristo.

É conveniente não esquecer que na missa, diz-se todos os dias o prefácio I da Paixão do Senhor

Vivendo a Quaresma

Durante este tempo especial de purificação, contamos com uma série de meios concretos que a Igreja nos propõe e que nos ajudam a viver a dinâmica quaresmal.

Antes de tudo, a vida de oração, condição indispensável para o encontro com Deus. Na oração, se o cristão inicia um diálogo íntimo com o Senhor, deixa que a graça divina penetre em seu coração e, a semelhança de Santa Maria, se abra à ação do Espírito cooperando com ela com sua resposta livre e generosa (ver Lc. 1,38).

Como também devemos intensificar a escuta e a meditação atenta à Palavra de Deus, a assistência freqüente ao Sacramento da Reconciliação e a Eucaristia, e mesmo a prática do jejum, segundo as possibilidades de cada um.

A mortificação e a renúncia nas circunstâncias ordinárias de nossa vida também constituem um meio concreto para viver o espírito de Quaresma. Não se trata tanto de criar ocasiões extraordinárias, mas bem, de saber oferecer aquelas circunstâncias cotidianas que nos são incômodas, de aceitar com alegria os diferentes contratempos que nos apresenta o dia a dia. Da mesma maneira, o saber renunciar a certas coisas legítimas nos ajuda a viver o desapego e o desprendimento. Dentre as diversas práticas quaresmais que a Igreja nos propõe, a vivência da caridade ocupa um lugar especial. Assim nos recorda São Leão Magno: "estes dias de quaresma nos convidam de maneira apremiante ao exercício da caridade; se desejamos chegar à Pascoa santificados em nosso ser, devemos por um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si as demais e cobre multidão de pecados".

Esta vivência da caridade deve ser vivida de maneira especial com aqueles a quem temos mais próximos, no ambiente concreto em que nos movemos. Assim, vamos construindo no outro "o bem mais precioso e efetivo, que é o da coerência com a própria vocação cristã" (João Paulo II)

Como viver a Quaresma

1. Arrependendo-me de meus pecados e confessando-me.

Pensar em quê ofendi a Deus, Nosso Senhor, se me dói tê-lo ofendido, se estou realmente arrependido. Este é um bom momento do ano para realizar uma confissão preparada e de coração. Revise os mandamentos de Deus e da Igreja para poder fazer uma boa confissão. Sirva-se de um livro para estruturar sua confissão. Busque tempo para realizá-la.

2. Lutando para mudar:

Analise sua conduta para conhecer em quê esta falhando. Faça propósitos para cumprir dia a dia e revise à noite se os alcançou. Lembre-se de não colocar muitos propósitos porque será muito difícil cumpri-los todos . Deve-se subir as escadas de degrau em degrau, não se pode subir toda ela de uma só vez. Conheça qual é o seu defeito dominante e faça um plano para lutar contra ele. Teu plano deve ser realista, prático e concreto para poder cumpri-lo.

3. Fazendo sacrificios:

A palavra sacrifício vem do latim sacrum-facere, significa "fazer sagrado". Então, fazer um sacrifício é fazer alguma coisa sagrada, quer dizer, oferecê-la por amor a Deus, porque o ama, coisas que dão trabalho. Por exemplo, ser amável com um vizinho com quem você não simpatiza ou ajudar alguém em seu trabalho. A cada um de nós há algo que nos custa fazer na vida de todos os dias. Se oferecemos isto a Deus por amor, estamo fazendo sacrifício.

4. Oração:

Aproveite estes dias para rezar, para conversar com Deus, para dizê-lo que o ama e que quer estar com Ele. Pode ser útil um bom livro de meditação para Quaresma. Você pode ler na Bíblia passagens relacionadas com a quaresma.

Jejum e abstinência

O jejum consiste em fazer uma só refeição forte ao dia. A abstinênica consiste em não comer carne. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de abstinência e jejum. A abstinência é obrigatória a partir dos quatorze anos e o jejum dos dezoito aos cinqüenta e nove anos de idade.

Com estes sacrifícios, trata-se de que todo nosso ser (alma e corpo) participe em um ato onde reoconheça a necessidade de fazer obras com as quais reparemos o dano causado com nossos pecados e para o bem da Igreja.

O jejum e a abstinênica podem ser trocados por outro sacrifício, dependendo do que ditem as Conferências Episcopais de cada país, pois elas têm autoridade para determinar as diversas formas de penitência cristã.

Por que o Jejum?

É necessário dar uma profunda resposta a esta pergunta, para que fique clara a relação entre o jejum e a conversão, isto é, a transformação espiritual que aproxima o homem a Deus.

O abster-se de comida e bebida tem com como fim introduzir na existência do homem não somente o eqüilíbrio necessário, mas também o desprendimento do que se poderia definir como "atitude consumística".

Tal atitude veio a ser em nosso tempo uma das características da civilização ocidental. O homem, orientado aos bens materiais, muito freqüentemente abusa deles. A civilização se mede então segundo quantidade e a qualidade das coisas que estão em condições de prover ao homem e não se mede com a medida adequada ao homem.

Esta civilização de comumo fornece os bens materiais não somente para que sirvam ao homem em ordem a desenvolver as atividades criativas e úteis, mas cada vez mais para satisfazer os sentidos, a excitação que deriva deles, o prazer, uma multiplicação de sensações cada vez maior.

O homem de hoje deve abster-se de muitos meios de consumo, de estímulos, de satisfação dos sentidos, jejuar significa abster-se de algo. O homem é ele mesmo quando consegue dizer a si mesmo: Não.

Não é uma renúncia pela renúncia: mas para melhor e mais equilibrado desenvolvimento de si mesmo, para viver melhor os valores superiores, para o domínio de si mesmo.

Jejum e abstinência

O jejum consiste em fazer uma só refeição forte ao dia. A abstinênica consiste em não comer carne. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de abstinência e jejum. A abstinência é obrigatória a partir dos quatorze anos e o jejum dos dezoito aos cinqüenta e nove anos de idade.

Com estes sacrifícios, trata-se de que todo nosso ser (alma e corpo) participe em um ato onde reoconheça a necessidade de fazer obras com as quais reparemos o dano causado com nossos pecados e para o bem da Igreja.

O jejum e a abstinênica podem ser trocados por outro sacrifício, dependendo do que ditem as Conferências Episcopais de cada país, pois elas têm autoridade para determinar as diversas formas de penitência cristã.

Por que o Jejum?

É necessário dar uma profunda resposta a esta pergunta, para que fique clara a relação entre o jejum e a conversão, isto é, a transformação espiritual que aproxima o homem a Deus.

O abster-se de comida e bebida tem com como fim introduzir na existência do homem não somente o eqüilíbrio necessário, mas também o desprendimento do que se poderia definir como "atitude consumística".

Tal atitude veio a ser em nosso tempo uma das características da civilização ocidental. O homem, orientado aos bens materiais, muito freqüentemente abusa deles. A civilização se mede então segundo quantidade e a qualidade das coisas que estão em condições de prover ao homem e não se mede com a medida adequada ao homem.

Esta civilização de comumo fornece os bens materiais não somente para que sirvam ao homem em ordem a desenvolver as atividades criativas e úteis, mas cada vez mais para satisfazer os sentidos, a excitação que deriva deles, o prazer, uma multiplicação de sensações cada vez maior.

O homem de hoje deve abster-se de muitos meios de consumo, de estímulos, de satisfação dos sentidos, jejuar significa abster-se de algo. O homem é ele mesmo quando consegue dizer a si mesmo: Não.

Não é uma renúncia pela renúncia: mas para melhor e mais equilibrado desenvolvimento de si mesmo, para viver melhor os valores superiores, para o domínio de si mesmo.

Jejum e abstinência

O jejum consiste em fazer uma só refeição forte ao dia. A abstinênica consiste em não comer carne. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de abstinência e jejum. A abstinência é obrigatória a partir dos quatorze anos e o jejum dos dezoito aos cinqüenta e nove anos de idade.

Com estes sacrifícios, trata-se de que todo nosso ser (alma e corpo) participe em um ato onde reoconheça a necessidade de fazer obras com as quais reparemos o dano causado com nossos pecados e para o bem da Igreja.

O jejum e a abstinênica podem ser trocados por outro sacrifício, dependendo do que ditem as Conferências Episcopais de cada país, pois elas têm autoridade para determinar as diversas formas de penitência cristã.

Por que o Jejum?

É necessário dar uma profunda resposta a esta pergunta, para que fique clara a relação entre o jejum e a conversão, isto é, a transformação espiritual que aproxima o homem a Deus.

O abster-se de comida e bebida tem com como fim introduzir na existência do homem não somente o eqüilíbrio necessário, mas também o desprendimento do que se poderia definir como "atitude consumística".

Tal atitude veio a ser em nosso tempo uma das características da civilização ocidental. O homem, orientado aos bens materiais, muito freqüentemente abusa deles. A civilização se mede então segundo quantidade e a qualidade das coisas que estão em condições de prover ao homem e não se mede com a medida adequada ao homem.

Esta civilização de comumo fornece os bens materiais não somente para que sirvam ao homem em ordem a desenvolver as atividades criativas e úteis, mas cada vez mais para satisfazer os sentidos, a excitação que deriva deles, o prazer, uma multiplicação de sensações cada vez maior.

O homem de hoje deve abster-se de muitos meios de consumo, de estímulos, de satisfação dos sentidos, jejuar significa abster-se de algo. O homem é ele mesmo quando consegue dizer a si mesmo: Não.

Não é uma renúncia pela renúncia: mas para melhor e mais equilibrado desenvolvimento de si mesmo, para viver melhor os valores superiores, para o domínio de si mesmo.

continua...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tempo Comum

Podemos descrevê-lo, mais precisamente, da seguinte maneira:

CICLO DE NATAL

Inicia-se com o Advento, que é um período de preparação - e não de penitência - e esperança, recordando a chegada do Natal e o
eminente retorno de Cristo. A seguir vem o Natal, que lembra o nascimento humano do Verbo divino. Depois vem a Epifania, que
mostra Jesus se manifestando às nações como o Filho de Deus. Por fim, vem o Batismo do Senhor, que marca o início da missão de
Jesus que culminará com a Páscoa.

PRIMEIRA PARTE DO TEMPO COMUM

Inicia-se após o Batismo do Senhor e vai até a terça-feira anterior à Quarta-Feira de Cinzas. É um tempo destinado ao acolhimento do
Reino de Deus pregado por Jesus.

CICLO DA PÁSCOA

Começa na Quarta-Feira de Cinzas, quando se inicia a Quaresma; esta dura quarenta dias, os quais são destinados à penitência,
oração, jejum e, principalmente, conversão. Durante a Quaresma não proferimos "aleluias" e nem enfeitamos as igrejas com flores.
Ao final da Quaresma, inicia-se a Semana Santa, que é formada pelo Domingo de Ramos (que mostra a entrada triunfal de Jesus em
Jerusalém, anunciando a proximidade da Páscoa) e o Tríduo Pascal (que tem, na Ressurreição do Senhor o seu ponto máximo no Ano
Litúrgico e que ocorre durante a vigília do Domingo da Páscoa). Cinqüenta dias depois da Páscoa, temos o Pentecostes, que assinala
o nascimento da Igreja iluminada pela presença vivificadora do Espírito Santo.

SEGUNDA PARTE DO TEMPO COMUM

Começa na segunda-feira após o Domingo de Pentecostes e termina no sábado anterior ao Primeiro Domingo do Advento (ver Ciclo de
Natal). Possui a mesma finalidade da primeira parte do Tempo Comum.

A LITURGIA DA IGREJA CATÓLICA

As Cores Litúrgicas

Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos
com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se
acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa
forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida para toda
a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia - indicada pelo calendário - fica estabelecida
determinada cor. Mas o que simbolizam essas cores?
VERDE
Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.
BRANCO
Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída
pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
VERMELHO
Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada no Domingo de Ramos, na sexta-feira santa, na missa de Pentecostes e
dos santos mártires.
ROXO
Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento, dia de finados e eventualmente na
missa Exéquias.
ROSA
Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve "pausa" na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento.
PRETO
Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa.

Fonte: www.missaocefas.org

O Tempo Comum (TC) é o período mais extenso do ano litúrgico: 33 - 34 semanas distribuídas entre a festa do Batismo de Jesus até o começo da Quaresma e as outras semanas entre a segunda-feira depois de Pentecostes ao início do Advento.

Este tempo existe não para celebrar algum aspecto particular do Mistério de Cristo, mas para celebrá-lo em sua globalidade, especialmente em cada Domingo (cf. Nalc 43: Norma gerais para a organização do ano litúrgico e do calendário); durante este tempo se aprofunda e se assimila o Mistério de Cristo que se insere na vida do povo de Deus para torná-la plenamente pascal.

O TC possui um dia forte, muito forte: O Domingo que surgiu antes mesmo da celebração anual da Páscoa. Era o único elemento celebrativo no correr do ano: a grande celebração semanal da Páscoa.

É um tempo marcadamente caracterizado pelo domingo, quer pela teologia, quer pela espiritualidade. A celebração anual da Páscoa é posterior à semanal. Constitui como que a espinha dorsal do ano litúrgico do qual é fundamento e núcleo.

Não se podem contrapor os chamados “tempos fortes” ao Tempo Comum como se este tempo fosse um tempo fraco ou inferior. É o tecido concreto da vida normal do cristão, fora das festas, ou seja, não há uma desvalorização do TC por causa dos outros tempos.

Duas fontes são importantes para a espiritualidade e força do TC: Os Domingos e os tempos fortes. O Tempo Comum é vivido como prolongamento do respectivo tempo forte. Vejamos: a primeira parte do TC, iniciada após a Epifania e o Batismo de Jesus, constitui tempo de crescimento da vida nascida no Natal e manifestada na Epifania, representada pela cor verde.

Esta vida para crescer e manifestar-se em plenitude e produzir frutos, necessita da ação do Espírito Santo na Igreja: fecundada pelo Espírito ela produz frutos de boas obras. que age no Batismo do Senhor. A partir daqui Jesus começa a exercer seu poder messiânico. Também a

A composição dos anos em "A", centrado em Mateus; "B", centrado em Marcos; "C", centrado em Lucas, com inserções de João presente nos diversos ciclos especiais, ajuda enormemente a magnitude do TC.

No TC temos algo semelhante ao recomeçar por volta do 9º Domingo imediatamente depois de Pentecostes: a vida renasce na Páscoa e desenvolve-se através do TC depois de fecundado pelo Espírito em Pentecostes. A força do Mistério Pascal é vivida pela Igreja através dos Domingos durante o ano que amadurece os frutos de boas obras, preparando a vinda do Senhor.

Durante o Ano Litúrgico o culto à Nossa Senhora e aos Santos é integrado à Liturgia enriquecendo a participação dos fiéis. É claro que toda ação litúrgica é dirigida ao Pai, por Cristo, que é o centro. É sempre o Mistério Pascal que se conta e evidencia. Deus fez maravilhas através dos Santos e de Maria que depois do Senhor ocupa um especial lugar na vida da Igreja e em seu culto.

Maria revela o mistério de Cristo e da Igreja de maneira forte e eficaz. Seu culto não é algo paralelo e independente; está integrado ao Mistério Pascal; em Maria a Igreja vive o mistério de Cristo.

Algumas solenidades são celebradas no Domingo, por exemplo: São Pedro e São Paulo, Assunção de Nossa Senhora, Todos os Santos. As festas referentes à pessoa de Jesus são celebradas no Domingo e também a comemoração dos mortos (finados) (2 de novembro).

Os meses temáticos do Ano Litúrgico não fazem parte do calendário e nunca suas celebrações sobrepõem àquelas contidas no Domingo. Os meses Vocacional, da Bíblia, das Missões, a Campanha da Fraternidade e outras comemorações ajudam na madura adaptação e criatividade nas celebrações, mas nunca são superiores à mística da liturgia dominical.

Fonte: www.docemaededesu.com

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Livro dos Provérbios, 3,3-4

Que a bondade e a fidelidade não se afastem de ti! Ata-as ao teu pescoço. Escreve-as na tábua do teu coração. E acharás graça e reputação aos olhos de Deus e dos homens.

FESTAS MÓVEIS E TEMPOS DO ANO LITÚRGICO 2009

Ano 2008
Tempo do Advento - de 29/11 (*) a 24/12 (**)
Primeiro Domingo - 30/11
Segundo Domingo - 7/12
Terceiro Domingo - 14/12
Quarto Domingo - 21/12
(*) A partir das Primeiras Vésperas
(**) Até antes das Primeiras Vésperas

Tempo do Natal - de 24/12 (*) a 11/1
Natal do Senhor - 25/12
Oitava de Natal - de 25/12 a 1/1
Sagrada Família de Jesus, Maria e José - 28/12

Ano 2009
Epifania do Senhor - 4/1
Batismo do Senhor - 11/1
(*) A partir das Primeiras Vésperas

Tempo Comum I - de 12/1 a 24/2

Tempo da Quaresma - de 25/2 a 9/4 (*)
Quarta-feira de Cinzas - 25/2
Primeiro Domingo - 1/3
Segundo Domingo - 8/3
Terceiro Domingo - 15/3
Quarto Domingo - 22/3
Quinto Domingo - 29/3
Semana Santa - inicia em 5/4
Domingo de Ramos da Paixão do Senhor - 5/4
(*) Até antes da Ceia do Senhor

Tríduo Pascal - de 9/4 (*) a 11/4
Ceia do Senhor - 9/4
Paixão do Senhor - 10/4
Vigília Pascal - 11/4
Semana Santa - encerra em 11/4
(*) A partir da Ceia do Senhor

Tempo da Páscoa - de 12/4 a 31/5
Páscoa da Ressurreição - 12/4
Oitava da Páscoa - de 12/4 a 19/4
Segundo Domingo - 19/4
Terceiro Domingo - 26/4
Quarto Domingo - 3/5
Quinto Domingo - 10/5
Sexto Domingo - 17/5
Ascensão do Senhor - 24/5
Pentecostes - 31/5

Tempo Comum II - de 1/6 a 28/11 (*)
Santíssima Trindade - 7/6
SS Sacramento do Sangue e Corpo de Cristo - 11/6
Sagrado Coração de Jesus - 19/6
Imaculado Coração da Virgem Maria - 20/6
N.S. Jesus Cristo, Rei do Universo - 22/11
(*) Até antes das Primeiras Vésperas

Início das Semanas do Tempo Comum
1ª - 12/1
2ª - 18/1

3ª - 25/1
4ª - 1/2
5ª - 8/2
6ª - 15/2
7ª - 22/2
9ª - 1/6
10ª - 7/6
11ª - 14/6
12ª - 21/6
13ª - 28/6
14ª - 5/7
15ª - 12/7
16ª - 19/7
17ª - 26/7
18ª - 2/8
19ª - 9/8
20ª - 16/8
21ª - 23/8
22ª - 30/8
23ª - 6/9
24ª - 13/9
25ª - 20/9
26ª - 27/9
27ª - 4/10
28ª - 11/10
29ª - 18/10
30ª - 25/10
31ª - 1/11
32ª - 8/11
33ª - 15/11
34ª - 22/11

Fonte : www.santamissa.com.br

Celebrações do Calendário Litúrgico do Ano 2009

As Celebrações são identificadas pelo tipo de COR utilizada:SOLENIDADE FESTA Memória Obrigatória Memória facultativa Aos domingos, e de 25 de fevereiro a 9 de abril (dias de semana da Quaresma), não se celebra nenhuma das memórias registradas, ainda que obrigatória.

JANEIRO
01 - qui SANTA MARIA, MÃE DE DEUS
02 - sex São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno bispos e doutores da Igreja
03 - sáb Santíssimo Nome de Jesus
04 - dom EPIFANIA
07 - qua São Raimundo de Penyafort, presbítero
11 - dom BATISMO DO SENHOR
13 - ter Santo Hilário, bispo e doutor da Igreja
17 - sáb Santo Antão, abade
20 - ter São Fabiano, papa e mártir
20 - ter São Sebastião, mártir
21 - qua Santa Inês, virgem e mártir
22 - qui São Vicente, diácono e mártir
24 - sáb São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja
25 - dom CONVERSÃO DE PAULO, APÓSTOLO
26 - seg São Timóteo e São Tito, bispos
27 - ter Santa Ângela Merici, virgem
28 - qua Santo Tomás de Aquino, presbítero e doutor da Igreja
31 - sáb São João Bosco, presbítero

FEVEREIRO
02 - seg APRESENTAÇÃO DO SENHOR
03 - ter São Brás, bispo e mártir
03 - ter Santo Oscar, bispo
05 - qui Santa Águeda, virgem e mártir
06 - sex São Paulo Miki e seus companheiros, mártires
08 - dom São Jerônimo Emiliani, presbítero
08 - dom Santa Josefina Bakhita
10 - ter Santa Escolástica, virgem
11 - qua Nossa Senhora de Lourdes
14 - sáb São Cirilo, monge e São Metódio, bispo
17 - ter Os Sete Santos Fundadores dos Servitas
21 - sáb São Pedro Damião, bispo e doutor da Igreja
22 - dom CÁTEDRA DE SÃO PEDRO, APÓSTOLO
23 - seg São Policarpo, bispo e mártir

MARÇO
04 - qua São Casimiro
07 - sáb Santas Perpétua e Felicidade, mártires
08 - dom São João de Deus, religioso
09 - seg Santa Francisca Romana, religiosa
17 - ter São Patrício, bispo
18 - qua São Cirilo de Jerusalém, bispo e doutor da Igreja
19 - qui SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
23 - seg São Turíbio de Mogrovejo, bispo
25 - qua ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

ABRIL
02 - qui São Francisco de Paula, eremita
04 - sáb Santo Isidoro, bispo e doutor da Igreja
05 - dom São Vicente Ferrer, presbítero
07 - ter São João Batista de la Salle, presbítero
11 - sáb Santo Estanislau, bispo e mártir
13 - seg São Martinho I, papa e mártir
21 - ter Santo Anselmo, bispo e doutor da Igreja
23 - qui São Jorge, mártir
23 - qui Santo Adalberto, bispo e mártir
24 - sex São Fidélis de Sigmaringa, presbítero e mártir
25 - sáb SÃO MARCOS, EVANGELISTA
28 - ter São Pedro Chanel, presbítero e mártir
28 - ter São Luís Grignon de Mantfort, presbítero
29 - qua Santa Catarina de Sena, virgem e doutora da Igreja
30 - qui São Pio V, papa

MAIO
01 - sex São José Operário
02 - sáb Santo Atanásio, bispo e doutor da Igreja
03 - dom SÃO FELIPE E SÃO TIAGO, APÓSTOLOS
12 - ter São Nereu e Santo Aquiles, mártires
12 - ter São Pancrácio, mártir
13 - qua Nossa Senhora de Fátima
14 - qui SÃO MATIAS, APÓSTOLO
18 - seg São João I, papa e mártir
20 - qua São Bernardino de Sena, presbítero
21 - qui São Cristófaro Magalhães e Companheiros
22 - sex Santa Rita de Cássia
25 - seg São Beda, o Venerável, presbítero e doutor da Igreja
25 - seg São Gregório VII, papa
25 - seg Santa Maria Madalena de Pazzi, virgem
26 - ter São Felipe Néri, presbítero
27 - qua Santo Agostinho de Cantuária, bispo
31 - dom VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA

JUNHO
01 - seg São Justino, mártir
02 - ter Santos Marcelino e Pedro, mártires
03 - qua São Carlos Lwanga e seus companheiros, mártires
05 - sex São Bonifácio, bispo e mártir
06 - sáb São Norberto, bispo
07 - dom SANTÍSSIMA TRINDADE
08 - seg Santo Efrém, diácono e doutor da Igreja
09 - ter Bem-aventurado José de Anchieta, presbítero
11 - qui SS SACRAMENTO DO SANGUE E CORPO DE CRISTO
11 - qui São Barnabé, apóstolo
13 - sáb Santo Antônio de Pádua (de Lisboa), presbítero e doutor da Igreja
19 - sex SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
19 - sex São Romualdo, abade
20 - sáb Imaculado Coração da Virgem Maria
21 - dom São Luiz Gonzaga, religioso
22 - seg São Paulino de Nola, bispo
22 - seg São João Fischer e São Tomás More, mártires
24 - qua NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA
27 - sáb São Cirilo de Alexandria, bispo e doutor da Igreja
28 - dom São Irineu, bispo e mártir
30 - ter Santos Protomártires da Igreja de Roma

JULHO
03 - sex SÃO TOMÉ, APÓSTOLO
04 - sáb Santa Isabel de Portugal
05 - dom SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS
05 - dom Santo Antônio Maria Zaccaria, presbítero
06 - seg Santa Maria Goretti, virgem e mártir
09 - qui Santo Agostinho Zhao Rong e Companheiros
11 - sáb São Bento, abade
13 - seg Santo Henrique
14 - ter São Camilo de Lellis, presbítero
15 - qua São Boaventura, bispo e doutor da Igreja
16 - qui NOSSA SENHORA DO CARMO
17 - sex Bem-aventurado Inácio de Azevedo, presbítero, e companheiros, mártires
20 - seg Santo Apolinário
21 - ter São Lourenço de Brindisi, presbítero e doutor da Igreja
22 - qua Santa Maria Madalena
23 - qui Santa Brígida, religiosa
24 - sex São Sarbélio Makhluf
25 - sáb SÃO TIAGO, APÓSTOLO
26 - dom São Joaquim e Sant’Ana, pais de Nossa Senhora
29 - qua Santa Marta
30 - qui São Pedro Crisólogo, bispo e doutor da Igreja
31 - sex Santo Inácio de Loiola, presbítero

AGOSTO
01 - sáb Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja
02 - dom São Pedro Juliano Eymard, presbítero
02 - dom Santo Eusébio de Vercelli, bispo
04 - ter São João Maria Vianney, presbítero
05 - qua Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior
06 - qui TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR
07 - sex São Sisto II, papa, e seus companheiros, mártires
07 - sex São Caetano, presbítero
08 - sáb São Domingos, presbítero
09 - dom Santa Teresa Benedita da Cruz
10 - seg SÃO LOURENÇO, DIÁCONO E MÁRTIR
11 - ter Santa Clara, virgem
13 - qui São Ponciano, papa, e santo Hipólito, presbítero, mártires
14 - sex São Maximiliano Maria Kolbe, presbítero e mártir
16 - dom ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
16 - dom Santo Estêvão da Hungria
19 - qua São João Eudes, presbítero
20 - qui São Bernardo, abade e doutor da Igreja
21 - sex São Pio X, papa
22 - sáb Nossa Senhora, Rainha
23 - dom SANTA ROSA DE LIMA, VIRGEM
24 - seg SÃO BARTOLOMEU, APÓSTOLO
25 - ter São Luís de França
25 - ter São José de Calasanz, presbítero
27 - qui Santa Mônica
28 - sex Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja
29 - sáb Martírio de São João Batista

SETEMBRO
03 - qui São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja
08 - ter NATIVIDADE DE N. SENHORA
09 - qua São Pedro Claver, presbítero
12 - sáb Santíssimo Nome de Maria
13 - dom São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja
14 - seg EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
15 - ter Nossa Senhora das Dores
16 - qua São Cornélio, papa, e São Cipriano, bispo, mártires
17 - qui São Roberto Belarmino, bispo e doutor da Igreja
19 - sáb São Januário, bispo e mártir
20 - dom Santo André Kim Taegón, presbítero, e Paulo Chóng Hasang e companheiros, mártires
21 - seg SÃO MATEUS, APÓSTOLO E EVANGELISTA
26 - sáb São Cosme e São Damião, mártires
27 - dom São Vicente de Paulo, presbítero
28 - seg São Venceslau, mártir
28 - seg São Lourenço Ruiz e seus companheiros, mártires
29 - ter S MIGUEL, SÃO GABRIEL E SÃO RAFAEL, ARCANJOS
30 - qua São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja

OUTUBRO
01 - qui Santa Terezinha do Menino Jesus, virgem
02 - sex Santos Anjos da Guarda
03 - sáb André de Soveral, Ambrósio Francisco e companheiros, protomártires do Brasil
04 - dom São Francisco de Assis
05 - seg São Benedito, o Negro, religioso
06 - ter São Bruno, presbítero
07 - qua Nossa Senhora do Rosário
09 - sex São Dionísio, bispo, e seus companheiros, mártires
09 - sex São João Leonardi, presbítero
12 - seg NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA
14 - qua São Calixto I, papa e mártir
15 - qui Santa Tereza de Jesus, virgem e doutora da Igreja
16 - sex Santa Edviges, religiosa
16 - sex Santa Margarida Maria Alacoque, virgem
17 - sáb Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir
18 - dom SÃO LUCAS, EVANGELISTA
19 - seg São João de Brébeuf e Santo Isaac Jogues, presbíteros, e seus companheiros, mártires
19 - seg São Paulo da Cruz, presbítero
23 - sex São João de Capistrano, presbítero
24 - sáb Santo Antônio Maria Claret, bispo
25 - dom Bem-aventurado Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, presbítero
28 - qua SÃO SIMÃO E SÃO JUDAS, APÓSTOLOS

NOVEMBRO
01 - dom TODOS OS SANTOS
02 - seg COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS
03 - ter São Martinho de Lima, religioso
04 - qua São Carlos Borromeu, bispo
09 - seg DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO
10 - ter São Leão Magno, papa e doutor da Igreja
11 - qua São Martinho de Tours, bispo
12 - qui São Josafá, bispo e mártir
15 - dom Santo Alberto Magno, bispo e doutor da Igreja
16 - seg Santa Margarida da Escócia
16 - seg Santa Gertrudes, virgem
17 - ter Santa Isabel da Hungria
18 - qua Dedicação das Basílicas de São Pedro e de São Paulo, Apóstolos
19 - qui São Roque González, Santo Afonso Rodriguez e São João de Castillo, presbíteros, mártires
21 - sáb Apresentação de Nossa Senhora
22 - dom N.S. JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
22 - dom Santa Cecília, virgem e mártir
23 - seg São Clemente I, papa e mártir
23 - seg São Columbano, abade
24 - ter Santo André Dung-Lac, presbítero, e seus companheiros, mártires
25 - qua Santa Catarina de Alexandria
30 - seg SANTO ANDRÉ, APÓSTOLO

DEZEMBRO
03 - qui São Francisco Xavier, presbítero
04 - sex São João Damasceno, presbítero e doutor da Igreja
06 - dom São Nicolau, bispo
07 - seg Santo Ambrósio, bispo e doutor da Igreja
08 - ter IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA
10 - qui Santa Joana Francisca de Chantal, religiosa
11 - sex São Dámaso I, papa
12 - sáb NOSSA SENHORA DE GUADALUPE
13 - dom Santa Luzia, virgem e mártir
14 - seg São João da Cruz, presbítero e doutor da Igreja
21 - seg São Pedro Canísio, presbítero e doutor da Igreja
22 - ter Santo Apolinário
23 - qua São João Câncio, presbítero
25 - sex NATAL DO SENHOR
26 - sáb SANTO ESTÊVÃO, PRIMEIRO MÁRTIR
27 - dom SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ
27 - dom SÃO JOÃO, APÓSTOLO E EVANGELISTA
28 - seg OS SANTOS INOCENTES, MÁRTIRES
29 - ter São Tomás Becket, bispo e mártir
31 - qui São Silvestre I, papa


Fonte: www.santamissa.com.br

domingo, 21 de dezembro de 2008



O que é o Natal
O Natal

A Igreja em sua missão de ir pelo mundo levando a Boa Nova quis dedicar um tempo para aprofundar, contemplar e assimilar o Mistério da Encarnação do Filho de Deus; conhecemos este tempo como o Natal. Perto da antiga festa judaica das luzes e buscando dar um sentido cristão às celebrações pagãs do solstício de inverno, a Igreja aproveitou o momento para celebrar o Natal.
Nesse tempo os cristãos por meio do Advento se preparam para receber o Cristo, luz do mundo" (Jo 8, 12) em suas almas, retificando suas vidas e renovando o compromisso de segui-lo. Durante o Tempo de Natal assim como no Tríduo Pascal da semana Santa celebramos a redenção do homem graças à presença e entrega de Deus; mas diferentemente do Tríduo Pascal em que recordamos a paixão e morte do Salvador, no Natal recordamos que Deus se fez homem e habitou entre nós.
Assim como o sol afasta a trevas durante a alvorada, a presença de Cristo irrompe nas trevas do pecado, do mundo, do demônio e da carne para mostrar-nos que é o caminho a se seguir. Com sua luz nos mostra a verdade de nossa existência. Cristo é a vida que renova a natureza caída do homem e da natureza. O Natal celebra essa presença renovadora de Cristo que vem salvar o mundo.
A Igreja em seu papel de mãe e mestre por meio de uma série de festas busca conscientizar o homem deste fato tão importante para a salvação de seus filhos. Por isso, é necessário que todos os fiéis vivamos com reto sentido a riqueza da vivência real e profunda do Natal.
Por último, é necessário recordar que durante o Natal celebramos em três dias consecutivos, 26, 27 e 28 de dezembro, três festas que nos fazem presente a entrega total ao Senhor:
. Santo Estevão, mártir que representa aqueles que morreram por Cristo voluntariamente.. São João Evangelista, que representa aqueles que estiveram dispostos a morrer por Cristo mas não foi morto. São João foi o único Apóstolo que se arriscou a estar com a Virgem aos pés da cruz.. Os Santos Inocentes que representam aqueles que morreram por Cristo sem sabê-lo.

Árvore de Natal
Além do "presépio" ou é costume utilizar no tempo de natal a "Árvore de Natal". Vejamos alguns de seus elementos que podem nos ajudar a aprofundar no mistério do Natal – Encarnação.
A ÁRVORE nos traz à memória a árvore do Paraíso (cf. Gn 2, 9 – 17) de cujo fruto comeram Adão e Eva desobedecendo a Deus. A árvore então nos lembra a origem de nossa desgraça: o pecado. E nos recorda que o menino vai nascer de Santa Maria é o Messias prometido que vem a nos trazer o dom da reconciliação.

AS LUZES nos recordam que o Senhor Jesus é a luz do mundo que ilumina nossas vidas, nos tirando das trevas do pecado e nos guiando em nosso peregrinar para a Casa do Pai.

A ESTRELA. Assim como no Presépio há dois mil um anos uma estrela se deteve sobre o lugar onde estava o menino Jesus, com a Maria sua Mãe, causando este acontecimento uma grande alegria nos Reis Magos (ver MT 2, 9 – 10). Hoje uma estrela coroa nossa árvore nos recordando que o acontecimento do nascimento de Jesus trouxe a verdadeira alegria a nossas vidas.

OS PRESENTES colocados aos pés da árvore simbolizam aqueles dons com os que os reis magos adoraram ao Menino Deus. Além disso nos recordam que tanto amou Deus Pai ao mundo que entregou (como um presente) seu único filho para que todo o que nele crer tenha eterna.
BÊNÇÃO DA ÁRVORE NATALINA
Todos os presentes, persignando-se dizem:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

O pai da família diz:
Bendito seja Deus,
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Que nos abençôou com toda sorte de bênçãos espirituais.
Nos céus, em Cristo.

Todos respondem:
Bendito seja o Senhor pelos séculos. Amém

LEITURA
Um dos presentes, lê o seguinte texto da Sagrada Escritura:
Escutemos com atenção a leitura do profeta Isaías:
"Virá a ti, Jerusalém, o orgulho do Líbano, com o cipreste e o abeto e o pinheiro, para adornar o lugar de meu santuário e enobrecer meu estado".

ORAÇÃO DE BÊNÇÃO
Em seguida o pai da família, com as mãos juntas, diz a oração de bênção:
Oremos.
Bendito seja, Senhor e nosso Pai,
Que nos concede recordar com fé
Nestes dias de Natal
Os mistérios do nascimento do Senhor Jesus,
nos conceda, a quem adornamos esta árvore
E o enfeitamos com luzes,
Com a alegria de celebrar
O natal do novo milênio
Que podemos viver também à luz dos exemplos
Da vida plena de seu Filho
E ser enriquecidos com as virtudes
Que resplandecem em sua Santa infância.
A Ele a glória pelos séculos dos séculos.

Todos respondem:
Amém.

Ao final, todos os presentes, persignando-se dizem:
Em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo.
Amém.

Liturgia e Tradições
No tema principal desenvolvido pela liturgia de Natal encontramos os elementos básicos da teologia e da pastoral da festa. O Natal não é só uma recordação de algo que sucedeu na história. Constantemente a liturgia enfatiza que o fato do nascimento de Jesus Cristo está ordenado à Redenção, à Páscoa, à Parusia. Segundo a terminologia dos antigos, o Natal é uma mcmoria (mistério), cujo centro é a morte e ressurreição de Jesus Cristo, sempre presente e operante, como alma de toda celebração litúrgica.
Ao redor da liturgia de Natal formou-se, no decurso dos séculos, uma série de costumes folclóricos que contribuíram para criar um ambiente festivo na intimidade das famílias e nas ruas das aldeias e cidades. Já no século V foram compostos cantos populares sobre o mistério da Encarnação, inspirados na teologia e na liturgia de Natal. Quando, no século XIII, São Francisco de Assis e seus discípulos propagam a devota prática de construir presépios nas igrejas e nas casas, se estendem as cantigas de Natal, caracterizados pelo tom simples e ingênuo de suas letras e de suas melodias que se referem preferentemente aos sentimentos da Virgem e dos pastores ante a pobreza que Deus escolheu ao tomar um corpo humano.
Como para expressar visivelmente o significado da "iluminação" obtida pelo nascimento de Jesus Cristo, há muito tempo se introduziu o hábito de acender fogos durante a noite de Natal, substituindo tradições pré-cristãs. A iluminação extraordinária dos lugares públicos durante o tempo de Natal se inspirou nesses usos.
Desde o século XVI, nos países nórdicos, começa o hábito de reunir-se em torno de uma árvore ? a árvore de Natal ?, símbolo da graça alcançada pela Encarnação e pela morte na árvore da cruz de Jesus Cristo, em contraposição ao pecado que se originou na árvore do paraíso.
Também, se destinou para o dia de Natal a prática de trocar presentes e felicitações; prática sugerida pela que existia em Roma no primeiro dia do ano, chamada estréia. No início, simbolizava-se que era o menino Jesus quem oferecia os presentes; e mais adiante, seriam os Reis Magos quem distribuíam os dons, e não tanto pelo Natal como pela Epifania, em que se comemora o fato da entrega de seus obséquios a Jesus Cristo.
Por último, durante a oitava de Natal se celebram as "memórias" dos Santos Estevão, João Evangelista e Inocentes, como as mais antigas, às que o Oriente acrescentava a dos Santos Pedro e Paulo.

Tradições e Costumes
As tradições e costumes são uma maneira de fazer presente o que ocorreu ou o que se costumava fazer nos tempos passados. São os fatos ou obras que se transmitem de uma geração a outra de forma oral ou escrita. A palavra tradição vem do latim "traditio" que vem do verbo "tradere" que significa entregar. Poder-se-ía dizer que tradição é o que nossos antepassados nos entregaram.
No caso da Natal, o mais importante das tradições e costumes não é só o aspecto exterior mas seu significado interior. Deve-se conhecer por quê e para quê se levam a cabo as tradições e costumes para assim poder vivê-las intensamente. Este é um modo de evangelizar.
Existem muitas tradições e costumes tanto do Advento como do Natal, os quais nos ajudam a viver o espírito natalino; contudo, devemos recordar que este espírito encontra-se na meditação do mistério que se celebra.

O calendário
Ao fixar-se esta data, também ficaram fixadas à da Circuncisão e da Apresentação; a da Expectação (Nossa Senhora da Esperança) e, quiçá, a da Anunciação da Santíssima Virgem Maria; também a do Nascimento e Concepção do Batista. Até o século décimo o Natal era considerado, nos documentos pontifícios, o inicio do ano eclesiástico, como continua sendo nas Bulas; Bonifácio VIII (1294-1303) restaurou temporalmente este costume, o qual a Alemanha sustentou durante algum tempo mais.

As três Missas
As três missas assinaladas para esta data no Missal de Gelasio e no Gregoriano, com um martirológio especial e sublime, e com a dispensa, se for necessário, da abstinência, ainda hoje são guardadas. Embora Roma indique somente três Missas para o Natal, Ildefonso, um Bispo espanhol de 845, alude a uma tripla Missa no Natal: Páscoa, Pentecostes, e a Transfiguração. Estas Missas, de meia noite, ao alvorecer, e in die, estão misticamente relacionadas com a distribuição judia e cristã, ou ao triplo "nascimento" de Cristo: na Eternidade, no Tempo, e na Alma. As cores litúrgicas variavam: negro, branco, vermelho; e o Glória era só entoado ao princípio da primeira Missa desse dia.

Os presépios
No ano 1223 São Francisco de Assis deu origem aos presépios que atualmente conhecemos, popularizando entre os leigos um costume que até esse momento era do clero, fazendo-o extra-litúrgico e popular. A presença do boi e do burro deve-se a uma errônea interpretação de Isaías 1, 3 e de Habacuc 3, 2 (versão "Italiana"), apesar de aparecerem no magnífico "Presépio" do século quarto, descoberto nas catacumbas de São Sebastião no ano de 1877.

Os hinos e cantigas de natal
As primeiras cantigas de natal que se conhecem foram compostos pelos evangelizadores no século V com a finalidade de levar a Boa Nova aos aldeãos e camponeses que não sabiam ler. Suas letras falavam em linguagem popular sobre o mistério da encarnação e estavam inspiradas na liturgia da Natal. Chamavam-se "villanus" ao aldeão e com o tempo o nome mudou para vilancicos (do Espanhol "villancicos"). Estas falam em um tom simples e engenhoso dos sentimentos da Virgem Maria e dos pastores ante o Nascimento de Cristo. No século XIII estendem-se por todo o mundo junto com os presépios de São Francisco de Assis.
O famoso "Stabat Mater Speciosa" é atribuído a Jacopone Todi (1230-1306); "Adeste Fideles" data do século decimo sétimo. Mas, estes ares populares, e inclusive palavras, devem ter existido muito tempo antes que fossem postos por escrito.
Os vilancicos, ou cantigas de Natal, favoreciam a participação na liturgia de Advento e de Natal. Cantar cantigas de Natal é um modo de demostrar nossa alegria e gratidão a Jesus e escutá-los durante o Advento ajuda à preparação do coração para o acontecimento do Natal.

Os cartões de Natal
O costume de enviar mensagens natalinas se originou nas escolas inglesas, onde se pedia aos estudantes que escrevessem algo que tivesse a ver com a temporada natalina antes de sair de férias de inverno e o enviassem pelo correio à sua casa, com a finalidade de que enviassem a seus pais uma mensagem de Natal.
Em 1843, W.E. Dobson e Sir Henry Cole fizeram os primeiros cartões de Natal impressos, com a única intenção de por ao alcance do povo inglês as obras de arte que representavam o Nascimento de Jesus.
Em 1860, Thomas Nast, criador da imagem de Papai Noel, organizou a primeira grande venda de cartões de Natal em que aparecia impressa a frase "Feliz Natal".

A Árvore De Natal
Os antigos germânicos criam que o mundo e todos os astros estavam sustentados pendendo dos ramos de uma árvore gigantesca chamada o "divino Idrasil" ou o "deus Odim", a quem rendiam culto a cada ano, no solstício de inverno, quando se supunha que se renovava a vida. A celebração desse dia consistia em adornar um pinheiro com tochas que representavam as estrelas, a lua e o sol. Em torno desta árvore bailavam e cantavam adorando ao seu deus.
Contam que São Bonifácio, evangelizador da Alemanha, derrubou a árvore que representava o deus Odim, e no mesmo lugar plantou outro pinheiro, símbolo do amor perene de Deus e o adornou com maçãs e velas, dando-lhe um simbolismo cristão: as maçãs representavam as tentações, o pecado original e os pecados dos homens; as velas representavam Cristo, a luz do mundo e a graça que recebem os homens que aceitam Jesus como Salvador. Este costume se difundiu por toda a Europa na Idade Média e com as conquistas e migrações chegou à América.
Pouco a pouco, a tradição foi evoluindo: trocaram as maçãs por bolas e as velas por luzes que representam a alegria e a luz que Jesus Cristo trouxe ao mundo.
As bolas atualmente simbolizam as orações que fazemos durante o período de Advento. As bolas azuis são orações de arrependimento, as prateadas de agradecimento, as douradas de louvor e as vermelhas de preces.
Costuma-se colocar uma estrela na ponta do pinheiro, que representa a fé que deve guiar nossas vidas.Também costuma-se pôr adornos de diversas figuras na árvore de Natal. Estes representam as boas ações e sacrifícios, os "presentes" que daremos a Jesus no Natal.
Para aproveitar a tradição: Adornar a árvore de Natal ao longo de todo o advento, explicando às crianças o simbolismo. As crianças elaborarão suas próprias bolas (24 a 28 dependendo dos dias que tenha o Advento) com uma oração ou um propósito em cada uma, e conforme passem os dias as irão colocando na árvore de Natal até o dia do nascimento de Jesus.

Papai Noel (Santa Claus) ou São Nicolau
A imagem de Papai Noel, velhinho gorducho e sorridente que traz presentes às crianças boas no dia do Natal teve sua origem na historia de São Nicolau.
Existem várias lendas que falam acerca da vida deste santo:
Em certa ocasião, o chefe da guarda romana daquela época, chamado Marco, queria vender como escravo um menino muito pequeno chamado Adrian e Nicolau o impediu. Em outra ocasião, Marco queria apoderar-se de umas jovenzinhas se seu pai não lhe pagasse uma dívida. Nicolau se inteirou do problema e decidiu ajudá-las. Tomou três sacos cheios de ouro e na Noite de Natal, em plena escuridão, chegou até a casa e colocou os sacos pela chaminé, salvando, assim, as meninas.
Marco, que queria acabar com a fé cristã, mandou queimar todas as igrejas e prender todos os cristãos que não quisessem renegar sua fé. Assim foi como Nicolau foi capturado e preso. Quando o imperador Constantino se converteu e mandou liberar todos os cristãos, Nicolau havia envelhecido. Quando saiu do cárcere, tinha a barba crescida e branca e tinha as roupas vermelhas que o distinguiam como bispo; contudo, os longos anos de cárcere não conseguiram tirar sua bondade e seu bom humor.
Os cristãos da Alemanha tomaram a história dos três sacos de ouro deixados pela chaminé no dia de Natal e a imagem de Nicolau ao sair do cárcere, para tecer a história de Papai Noel, velhinho sorridente vestido de vermelho, que entra pela chaminé no dia de Natal para deixar presentes para as crianças boas.O Nome "Santa Claus" vem da evolução paulatina do nome de São Nicolau: St. Nicklauss, St. Nick, St. Klauss, Santa Claus, Santa Clos.
Não obstante, o exemplo de São Nicolau nos ensina a ser generosos, a dar aos que não têm e a fazê-lo com discrição, com um profundo amor ao próximo. Nos ensina além disso, a estar atentos às necessidades dos demais, a sair de nosso egoísmo, a ser generosos não só com nossas coisas mas também com nossa pessoa e nosso tempo.
Por isso, o Natal é um tempo propício para imitar São Nicolau em suas virtudes.


Relato de São Boa-ventura(LM 10,7)
Três anos antes de sua morte se dispôs Francisco a celebrar no Castro de Greccio, com a maior solenidade possível, a memória do nascimento do menino Jesus, a fim de aumentar a devoção dos fiéis.
Mas para que dita celebração não pudesse ser tachada de estranha novidade, pediu antes licença ao Sumo Pontífice; e, tendo-a obtido, fez preparar um presépio com o feno correspondente e mandou trazer para o lugar um boi e um asno.
São convocados os irmãos, chegam as pessoas, o bosque se enche de vozes, e naquela noite bendita, esmaltada profusamente de claras luzes e com sonoros concertos de vozes de louvor, converte-se em esplendorosa e solene.
O homem de Deus estava cheio de piedade diante do presépio, com os olhos rasos de lágrimas e o coração cheio de gozo. Celebra-se sobre o mesmo presépio a missa solene, em que Francisco, levita de Cristo, canta o santo evangelho. Prega depois ao povo ali presente sobre o nascimento do Rei pobre, e quando quer nomeá-lo -cheio de ternura e amor-, chama-o «Menino de Belém».
Tudo isto o presenciou um cavaleiro virtuoso e amante da verdade: o senhor João de Greccio, que por seu amor a Cristo tinha abandonado a tropa terrena e professava ao homem de Deus uma íntima amizade. Assegurou este cavaleiro ter visto dormindo no presépio um menino extraordinariamente belo, ao que, apertado entre seus braços o bem-aventurado padre Francisco, parecia querer despertá-lo do sono.
Dita visão do devoto cavaleiro é digna de crédito não só pela santidade da testemunha, mas também porque foi comprovada e confirmada sua veracidade pelos milagres que se seguiram. Porque o exemplo de Francisco, contemplado pelas gentes do mundo, é como um despertador dos corações adormecidos na fé de Cristo, e o feno do presépio, guardado pelo povo, converteu-se em milagrosa medicina para os animais doentes e em eficaz remédio para afastar outras classes de pestes. Assim, o Senhor glorificava em tudo a seu servo e com evidentes e admiráveis prodígios demonstrava a eficácia de sua Santa oração.

"Oração para ser rezada em família em volta do Presépio na Noite de Natal"
Queremos oferecer esta oração para ser rezada em família, na Véspera de natal ou no dia de Natal.
Jesus nasceu na humildade de um estábulo, de uma família pobre (ver Lc 2, 6-7); uns singelos pastores são as primeiras testemunhas do acontecimento. Nesta pobreza se manifesta a glória do céu (ver Lc 2, 8-20). A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite:
A Virgem dá hoje à luz o Eterno.
E a terra oferece uma gruta ao Inacessível.
Os anjos e os pastores o louvam,
e os magos avançam com a estrela.
Porque Tu nasceste para nós,
Menino, Deus eterno!
Hoje só será Natal se em ti e em tua família nasce de Maria o
Senhor Jesus.

INÍCIO DA ORAÇÃO
Todos se persignando dizem:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

O pai de família, ao começar a celebração, diz:
Louvemos e demos graças ao Senhor,que tanto amou ao mundo que entregou seu Filho.

Todos respondem:
Bendito seja Deus para sempre.

Em seguida o pai de família dispõe os presentes para a bênção, com as seguintes palavras:
O Senhor Jesus nasceu de Santa Maria. O presépio que enfeita nosso lar nos lembra o grande amor do Filho de Deus, que quis habitar entre nós. Aquilo que ocorreu há dois mil anos, vamos reviver nesta noite Santa (dia santo) no mistério. O Senhor Jesus é o mesmo, ontem, hoje e sempre. Que este Natal fortaleça nossos passos no terceiro milênio cristão.

Um dos membros da família lê o seguinte texto da Sagrada Escritura:
LEITURA
Lc. 2, 4-7a: Maria deu à luz a seu filho primogênito.
Escutemos, agora, irmãos, a palavra do Santo Evangelho segundo São Lucas:
Naqueles dias, José, que era da casa e família de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, à cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para inscrever-se com sua esposa Maria, que estava grávida. E enquanto estavam ali chegou-lhe o tempo do parto, e deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e o deitou em um presépio.
Palavra do Senhor

Todos respondem:
Graças a Deus.

Depois da leitura se canta "NOITE FELIZ", enquanto o mais novo da família coloca o Menino no Presépio.

Noite feliz
Noite feliz
Oh, Senhor
Deus de amor
Pobrezinho, nasceu em Belém
Eis na lapa Jesus, nosso bem
Dorme em paz
Oh, Jesus
Dorme em paz
Oh, Jesus

Noite feliz
Noite feliz
Oh, Jesus
Deus da luz
Quão afável é teu coração
Que quiseste nascer
Nosso irmão
E a nós todos salvar
E a nós todos salvar

Noite Feliz
Noite Feliz
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores
Seus anjos no céu
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus Salvador

Preces
Outros dois membros da família dirigem as preces:
Neste momento em que reunimos toda a família para iniciar as festas de Natal, dirijamos nossa oração ao Senhor Jesus, Filho de Deus vivo e de Santa Maria, que quis ser também filho de uma família humana; digamos:

POR SEU NASCIMENTO, SENHOR, PROTEGE A NOSSA FAMÍLIA.

1. Senhor Jesus, Palavra Eterna, que ao vir ao mundo, anunciou a alegria à terra, alegra nossos corações com a alegria de sua visita.

POR SEU NASCIMENTO, SENHOR, PROTEGE A NOSSA FAMÍLIA.

2. Reconciliador do mundo, que com seu nascimento nos revelaste a fidelidade de Deus-Pai a suas promessas, faz com que sejamos também fiéis às promessas de nosso batismo.

POR SEU NASCIMENTO, SENHOR, PROTEGE A NOSSA FAMÍLIA.

3. Rei do céu e da terra, que por seus anjos anunciou a paz aos homens, conserva em sua paz nossas vidas e que haja paz em nosso país e em todo mundo.

POR SEU NASCIMENTO, SENHOR, PROTEGE A NOSSA FAMÍLIA.

4. Filho de Santa Maria, que quiseste ser Filho de Mulher, nos conceda descobrir que Maria é também nossa Mãe e nos ajude a amá-la com a ternura filial de seu coração.

POR SEU NASCIMENTO, SENHOR, PROTEGE A NOSSA FAMÍLIA.

5. Deus-conosco, que quiseste nascer no seio de uma família, abençoai nosso lar para que nele sempre reine o amor de maneira especial lembra-te das famílias que nestas festas de natal vivem em solidão e dor e faz que sintam o consolo de se descobrirem filhos da grande família de Deus.

POR SEU NASCIMENTO, SENHOR, PROTEGE A NOSSA FAMÍLIA.

podem acrescentar outras preces livres

Terminemos nossas pedidos rezando a oração dos filhos de Deus:
Pai Nosso…

ORAÇÃO DE BÊNÇÃO
Em seguida o pai de família diz:
Senhor Deus, Nosso pai,
que tanto amou ao mundo
que entregou seu Filho único
nascido de Maria a Virgem,
dignai abençoar este nascimento
e à família cristã
que está aqui presente,
para que as imagens deste Presépio
nos ajudem a aprofundar na fé.
Pedimos isso por Jesus, teu Filho amado,
que vive e reina pelos séculos dos séculos.
Amém.

Concluída a bênção do presépio toda a família reza junta a seguinte oração:

Salve, Rainha dos Céus
e Senhora dos anjos;
salve raiz, salve porta,
que deu passou a nossa luz.

Alegra-te, Virgem gloriosa,
entre todas a mais bela;
salve, agraciada donzela,
rogai a Cristo por nós.

O pai de família diz:
Que com o auxílio de tão doce intercessora.

Todos respondem:
Sejamos sempre fiéis no terreno caminhar.

Todos fazendo o sinal da cruz dizem:
Em nome do pai, do filho e do Espírito Santo. Amém.

Podemos oferecer ao Senhor Jesus uma resposta de fé concreta, neste natal e Novo Ano.
Especialmente podemos nos propor expressar-lhe nosso amor em algo prático e efetivo, em relação a nossos irmãos mais pobres, através de alguma obra de caridade.

BÊNÇÃO DA CEIA DE VÉSPERA DE NATAL
No centro da mesa se colocará uma vela apagada.
Toda a família, de pé, se reúne ao redor da mesa. Fazendo o sinal da cruz dizem:
Em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo. Amém

A mãe de família diz:
Hoje nos encontramos reunidos celebrando o nascimento do Senhor Jesus da Virgem Maria. Deus, em mostra de seu imenso amor, enviou a seu filho para que a comunhão perdida pelo pecado fosse restabelecida. Ele nos reúne nesta noite e, unidos da mesma forma que a família de Nazaré, mostra-nos que nossa espera não foi em vão.

Um dos filhos lê:
Leitura do Evangelho de São Lucas (Lc. 2, 8-14)

E todos respondem:
Glória a Ti, Senhor Jesus, que hoje nasceste da Virgem Maria.

Enquanto um dos filhos acende o círio colocado em meio da mesa, todos entoam o seguinte canto:

BATE O SINO

Bate o sino pequenino
Sino de Belém
Já nasceu Deus menino
Para o nosso bem

Paz na Terra, pede o sino
Alegre a cantar
Abençoe Deus menino
Este nosso lar

Hoje a noite é bela
Vamos à capela
Sob a luz da vela
Felizes a rezar

Ao soar o sino
Sino pequenino
Vai o Deus menino
Nos abençoar

Bate o sino pequenino
Sino de Belém
Já nasceu
Deus menino
Para o nosso bem

Paz na Terra, pede o sino
Alegre a cantar
Abençoe Deus menino.

Para finalizar; o pai de família reza a seguinte oração de bênção:
Oremos.
Deus Pai,
que enviou seu Filho muito amado,
derrama sua bênção sobre estes alimentos
e também sobre os membros deste lar
,para que assim, como agora acolhemos,
ontentes, seu Filho Reconciliador,
recebamo-lo também confiados
quando vier no final dos
empos.
Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

Todos respondem:
Amém.

Em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo. Amém.

Liturgia de Natal
Depois da missa do Galo, onde se celebra o nascimento de Jesus Cristo, algumas famílias em suas casas se reúnem para recordar este acontecimento. Alguns momentos antes da ceia de Natal e de abrir os presentes, a família se reúne para meditar a razão pela qual estão reunidos. Abaixo se encontra um esquema para fazer esta reflexão. Em geral quem dirige esta reflexão é a cabeça da família; a Coroa de Advento deve estar com as quatro velas acesas e no centro da coroa deve ter uma quinta vela de cor branca (apagada). O esquema abaixo pode variar; o importante é recordar a todos presentes que Cristo nasceu.

1. INÍCIO
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.(pode ser cantado por todos um canto de Natal antes das Boas-Vindas)

2. BOAS-VINDAS
Irmãos, hoje nos reunimos aqui para manifestar alegremente que Jesus, nosso Deus e Salvador, nasceu. Alegremo-nos porque com a chegada de Jesus nossos pecados serão perdoados e a morte vencida. Que o amor do Pai, o nascimento do Filho e a graça do Espírito Santo estejam convosco,
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo

3. PERDÃO
Ao aprofundar no nascimento do Menino Jesus, contemplamos com espanto o imenso amor que Deus tem por nós, fazendo com que seu próprio Filho venha ao mundo fazendo-se homem como nós no seio de Maria Santíssima. Este milagre de amor de levar-nos a olhar nosso interior e perguntarmo-nos: como respondemos a Deus frente a tudo o que Ele fez por nós?; o Senhor ocupa um lugar importante em nossas vidas?; vivemos a caridade com as pessoas a nossa volta?; vivemos a caridade com os mais necessitados? Com verdadeira esperança peçamos perdão a Deus.

(Faz-se um momento de silêncio)

Todos:
Confesso a Deus todo-poderoso
E a vós, irmãos (e irmãs),
Que pequei muitas vezes
Por pensamentos e palavras,
Atos e omissões
Por minha culpa, minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
Aos anjos e santos,
E a vós, irmãos (e irmãs),
Que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

4. LITURGIA DO EVANGELHO
Escutemos agora a palavra de Deus:
Leitura do Evangelho segundo São Lucas 2,1-4

Ao terminar todos dizem: Glória a Vós Senhor

Senhor assim como acendemos esta luz para recordar que estás no meio de nós, o Senhor que é a Luz do mundo incendeie nossas vidas.(se acende a vela)Em seguida os que quiserem podem fazer uma breve reflexão sobre a leitura. Falando sobre a própria experiência frente o Nascimento de Cristo no próprio coração.

5. ORAÇÃO
Agora nos unamos em oração pedindo à Deus que reine para sempre em nossas famílias. Respondemos: Escuta-nos Senhor

- Escuta-nos Senhor

Pela Igreja, para que com Sua chegada renove sua missão de levar esta Boa Nova a todos aqueles que ainda não te conhecem.

- Escuta-nos Senhor

Para que Sua chegada inspire mais vocações ao serviço de Sua Igreja. Pelo Papa, os bispos, os sacerdotes, os religiosos e os consagrados, para que se mantenham fiéis em seu serviço.

- Escuta-nos Senhor

Por aqueles que sofrem, aqueles que hoje não tem um teto, comida, estão doentes, vivem em meio a guerra, ajude-os e dê consolo. Faz-nos mais generosos para atender as necessidades dos que nos rodeiam.

- Escuta-nos Senhor

Pela família, para que esta Igreja doméstica se una em torno ao Senhor, se mantenha firme em seu amor. Faça com que cresça e se multiplique. Concede para todas as família se reunirem de novo para recordar sua chegada neste mundo.

- Escuta-nos Senhor

Para que sejamos sempre agradecidos por este mistério de amor e reconciliação e que nosso agradecimento se manifeste na alegria e no amor a Deus e aos demais.

- Escuta-nos Senhor

(pode-se fazer preces livres)

6. GLÓRIA
Unindo-nos com os anjos e pastores repitamos:

(enquanto reza-se o glória, alguém da família, pode ser o menor, pega a imagem do Menino Jesus passa por todos para que todos o beijem, recordando a adoração dos pastores a Jesus,nosso Deus, em Belém.)

Gloria a Deus nas alturas,
E paz na terra aos homens
Por ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso:
Nós vos louvamos,
Nós vos bendizemos,
Nós vos adoramos,
Nós vos glorificamos,
Nós vos damos graças
Por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo,
Filho unigênito.
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.
Vós que tirais os pecados do
Mundo, tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do
Mundo, acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai,
Tende piedade de nós.
Só vós sois o Santo.
Só vós o Senhor.
Só vós o altíssimo, Jesus Cristo.
Com o Espírito Santo,
Na glória de Deus Pai.
Amém.

(Ao terminar coloca-se o menino Jesus no presépio, enquanto os outros cantam uma música de Natal)

7. DESPEDIDA

Irmãos, que a luz de Cristo brilhe por sempre em nossas vidas. Feliz Natal!

Epifania : A manifestação do Senhor
Epifania significa "manifestação". Jesus se dá a conhecer. Embora Jesus tenha aparecido em diferentes momentos a diferentes pessoas, a Igreja celebra como Epifanias três eventos:

Epifania aos Reis Magos (Mt 2, 1-12)

Epifania a São João Batista no Jordão

Epifania a seus discípulos e começo de Sua vida pública com o milagre em Caná.

A Epifania que mais celebramos no Natal é a primeira.
A festa da Epifania tem sua origem na Igreja do Oriente. Diferentemente da Europa, no dia 6 de janeiro tanto no Egito como na Arábia se celebra o solstício, festejando o sol vitorioso com evocações míticas muito antigas. Epifanio explica que os pagãos celebravam o solstício invernal e o aumento da luz aos treze dias desta mudança; nos diz também que os pagãos faziam uma festa significativa e suntuosa no templo de Coré. Cosme de Jerusalém conta que os pagãos celebravam uma festa muito antes dos cristãos com ritos noturnos nos quais gritavam: "a virgem deu à luz, a luz cresce".
Entre os anos 120 e 140 dC os gnósticos trataram de cristianizar estes festejos celebrando o batismo de Jesus. Seguindo a crença gnóstica, os cristãos de Basílides celebravam a Encarnação do Verbo na humanidade de Jesus quando foi batizado. Epifanio trata de dar-lhes um sentido cristão ao dizer que Cristo demonstra assim ser a verdadeira luz e os cristãos celebram seu nascimento.
Até o século IV a Igreja começou a celebrar neste dia a Epifania do Senhor. Assim como a festa de Natal no ocidente, a Epifania nasce contemporaneamente no Oriente como resposta da Igreja à celebração solar pagã que tentam substituir. Assim se explica que a Epifania no oriente se chama: Hagia phota, quer dizer, a santa luz.
Esta festa nascida no Oriente já era celebrada na Gália a meados do séc. IV onde se encontram vestígios de ter sido uma grande festa para o ano 361 dC. A celebração desta festa é um pouco posterior à do Natal.

Os Reis Magos
Enquanto no Oriente a Epifania é a festa da Encarnação, no Ocidente se celebra com esta festa a revelação de Jesus ao mundo pagão, a verdadeira Epifania. A celebração gira em torno à adoração à qual foi sujeito o Menino Jesus por parte dos três Reis Magos (Mt 2 1-12) como símbolo do reconhecimento do mundo pagão de que Cristo é o salvador de toda a humanidade.
De acordo com a tradição da Igreja do século I, estes magos são como homens poderosos e sábios, possivelmente reis de nações ao leste do Mediterrâneo, homens que por sua cultura e espiritualidade cultivavam seu conhecimento do homem e da natureza esforçando-se especialmente para manter um contato com Deus. Da passagem bíblica sabemos que são magos, que vieram do Oriente e que como presente trouxeram incenso, ouro e mirra; da tradição dos primeiros séculos nos diz que foram três reis sábios: Belchior, Gaspar e Baltazar. Até o ano de 474 d.C seus restos estiveram na Constantinopla, a capital cristã mais importante no Oriente; em seguida foram trasladados para a catedral de Milão (Itália) e em 1164 foram trasladados para a cidade de Colônia (Alemanha), onde permanecem até nossos dias.
Trazer presentes às crianças no dia 6 de janeiro corresponde à comemoração da generosidade que estes magos tiveram ao adorar o Menino Jesus e trazer-lhe presentes levando em conta que "o que fizerdes a cada um destes pequenos, a mim o fazeis" (Mt. 25, 40); às crianças fazendo-lhes viver formosa e delicadamente a fantasia do acontecimento e aos adultos como mostra de amor e fé a Cristo recém nascido.

Por um mundo melhor

Chegamos à última semana do Advento. Aproxima-se o momento em que nossos corações se voltam para o presépio de Belém, na contemplação do Verbo Humanado que veio nos redimir. A voz que ouvimos ao longo deste Tempo, incitando-nos a endireitar nossos caminhos, a aplainar as vias, aponta-nos o Messias prometido, aguardado desde as gerações mais remotas do Antigo Testamento. Cumprem-se as profecias de Isaías.

A perspectiva de um novo mundo, de uma vida melhor, a partir da vinda de Cristo, é a mesma que a Liturgia deste domingo nos apresenta. Na meditação da primeira leitura encontramos a “promessa” que Deus fez a Davi. Essa promessa se renova com a vinda de Nosso Senhor ao mundo, assegurando-nos a salvação eterna. Javé assegura a Davi, pela voz do profeta Natan, que conduziria seu povo à felicidade e à realização plenas. Jesus se oferece pela redenção da humanidade decaída pelo pecado e, antes de subir aos céus, promete: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

“Concedo-te uma vida tranqüila, livrando-te de todos os teus inimigos” (2Sam 7,11b), assim Deus falava a Davi. Essa “vida tranqüila” Cristo a confirma pela graça constante do Espírito Santo, livrando-nos dos inimigos: o mundo, a carne e o demônio. Provém da fé essa tranqüilidade, que melhor se expressa como confiança. Confiança nos desígnios divinos e nos meios que nos concede, principalmente pelos Santos Sacramentos, para que avancemos na via espiritual, buscando uma intimidade maior com Nosso Senhor.

Observe-se que, ao longo do texto deuteronômico, a vida é como que uma “preocupação” em ser assegurada ao povo eleito. Fica claro, desde a criação, que o homem teve a sua existência em plenitude, por graça do Criador, mas a aniquilou pela ambição. E durante toda a caminhada da humanidade, ao longo dos tempos do Velho Homem e depois de resgatada a sua dignidade, renovadas vezes a vida, esse dom unicamente de amor de Deus, é vilipendiada antagonicamente pelo amor-próprio, pela soberba, pelo desregramento.

Neste dias em que a cultura da morte é tão disseminada, com as propagandas pró-aborto, pela legalização da eutanásia, pelas pesquisas biológicas e científicas que atentam contra a ética e a moral, pela permissividade de atitudes que vão contra os princípios morais, que por sua vez se apóiam na orientação religiosa, por todos esses motivos, e tantas outras formas de se atentar contra a dignidade da pessoa humana, o Profeta nos propõe, na Liturgia da Palavra, a rever nossos valores e restaurá-los em Cristo. É Deus quem preside a História e renova constantemente Sua aliança conosco, por meio da Eucaristia, concedendo-nos paz e inspirando-nos à justiça, indicando a via para a vida em plenitude, verdadeiramente livres e salvos do pecado.

São Paulo, na epístola aos romanos, retoma a mensagem da primeira leitura, que é o plano de salvação que Deus tem para o seu povo. Essa preocupação divina, como nos apresenta o Apóstolo, faz parte de Sua natureza, enquanto criador, enquanto pai. Somos filhos amados por Ele, conduzidos como crianças nos titubeantes passos iniciais, amparados sempre para não nos entregarmos à fraqueza de nossa existência. Somos os únicos beneficiados pelo projeto de salvação que nos assegura a vida em plenitude, a vida eterna.

O projeto de salvação se realiza em Jesus Cristo, reintegrando todos os povos no Reino de Deus. Por isso, o Evangelho segue a mesma perspectiva e apresenta um momento determinante de Seu plano. O “sim” de Maria, o seu convicto “ecce ancilla”, pronta a acolher a vontade divina, é o exemplo de confiança e abandono à vontade de Deus, para nós cristãos. São Lucas nos mostra, ainda, neste domingo, na figura de Maria Santíssima, que é por meio de homens e mulheres que correspondem à Sua vocação que Deus vai se manifestando neste mundo, que Ele vai cativando discípulos e missionários da Boa Nova que Cristo nos anuncia. Através de nossa generosidade em corresponder à proposta que nos é feita pela Palavra, e por meio de um sincero gesto de amor e de partilha, estaremos cooperando com o projeto de salvação, tornando-nos imitadores de Cristo, enquanto palmilhamos felizes o caminho que nos levará à realização plena da vontade do Pai.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora(MG)